Por Felipe Melo
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Pprtt, tlg, biscoitar, pode pá, partiu, sussa, meme, shippar, crush. Se você não entendeu nenhuma destas palavras, talvez, você não seja mais tão jovem. Essas expressões, abreviações, palavras e gírias fazem parte da nova linguagem dos adolescentes. Conhecida como geração Z, são as pessoas que nasceram com o mundo sendo um ambiente digital e completamente tecnológico.
Da mesma maneira, as palavras e expressões: supimpa, bulhufas, fuzarca, obséquio, pachorra, safanão, foram caindo em desuso e pouco são faladas, e muitos jovens nem sabem o significado.

VARIAÇÃO LINGUÍSTICA
Isso na Língua Portuguesa é denominado de variação linguística. “As gírias e expressões idiomáticas variam muito conforme a faixa etária e influências culturais, pois muitas expressões mais antigas tiveram origem em acontecimentos reais e cotidianos dentro do contexto de um período histórico”, explicou Lilian Felice Macedo dos Santos, professora de Língua Portuguesa e coordenadora de gestão pedagógica por área de conhecimento da Escola Estadual Coronel Cristiano Osório de Oliveira.
Lilian complementa citando um exemplo do contexto histórico e de como a forma de falar pode ser alterada ao longo do cotidiano e da vida: “Por exemplo ao dizer ‘dar a mão à palmatória’ fazemos referência a um instrumento de castigo comum no início do século passado, mas impensável nos dias atuais, sendo assim para compreender o significado de certas expressões, há necessidade de conhecimento não somente da língua, mas da história e sociedade em que vivemos”.
INTERNET
O surgimento e crescimento tecnológico possibilitaram inúmeras mudanças na sociedade, e com a língua portuguesa, não foi diferente. Abreviações e encurtamento das palavras se tornaram comum dentro do ‘dicionário das redes sociais’. Além disso, a Internet ratificou a variação linguística entre os mais novos e os mais velhos. “As mídias sociais fazem com que a variação linguística seja mais evidente entre as gerações, por isso se torna muito produtivo falar sobre o tema e como as mudanças ocorridas, na verdade, fazem parte de um processo natural que toda Língua passa com o decorrer dos anos”, relatou a professora.
Segundo a educadora, a nova linguagem dos jovens começou a ser reconhecida. “É o que chamamos de ‘Internetês’, ou seja, a linguagem usada nas redes sociais, comum entre os jovens. Embora ainda sofra algum preconceito, o uso dessa linguagem, já é reconhecida nos livros didáticos mais modernos e estudada em sala de aula”. Ela também expõe um ponto importante: “A globalização e internet enriqueceu muito nosso vocabulário trazendo palavras novas, porém as pessoas que não têm acesso a essa tecnologia acabam desconhecendo essas novas expressões”, contou.
Todas essas variações e mudanças se tornaram, também, um obstáculo aos mestres. “Os professores de português hoje têm o desafio de ensinar a norma-culta e trabalhar a questão do preconceito linguístico, pois a língua é viva e permite variações regionais, históricas, sociais e situacionais, sem haja prejuízo do processo comunicativo, pelo contrário, essa diversidade é muito produtiva para a ampliação do nosso vocabulário”, finalizou Lilian.
TESTE
Para você leitor: faça um teste. Aos mais velhos: chamem seus filhos, netos e sobrinhos. Aos mais novos: chamem seus pais, avós e tios. E tentem descobrir o significado das palavras mencionadas no início do texto. “Pprtt, tlg, biscoitar, pode pá, partiu, sussa, meme, shippar, crush”. E também: “supimpa, bulhufas, fuzarca, obséquio, pachorra, safanão”.
Além disso, dialoguem para descobrir palavras que já foram usadas no passado e pouco conhecidas atualmente, e outras utilizadas com frequência pelos jovens e que muita gente desconhece.




