Por Bruno Manson
[email protected]
São Paulo, o Estado mais rico do País, sendo o que mais arrecada impostos, é também um dos que paga o pior salário ao delegado de Polícia. Isto é o que aponta levantamento realizado pelo Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp).

Em 2022, SP atingiu R$ 1,03 trilhão em arrecadação, o que lhe garante a liderança nacional neste quesito e com distância significativa do segundo colocado, Rio de Janeiro, com R$ 394,1 bilhões. Já no ranking salarial dos delegados, o estado mais rico do Brasil figura entre as últimas posições. É o 24º colocado, com salário bruto de R$ 12.458,97 mensais àqueles que estão iniciando a carreira. O piso paulista só perde para a Bahia (R$ 11.882,15), Espírito Santo (R$ 11.260,12) e Sergipe (R$ 11 mil) – sendo os dois últimos estados menores em dimensão geográfica. Os valores são referentes a junho de 2022, período mais recente da pesquisa do Sindpesp.
Mato Grosso é o estado que melhor paga os delegados de Polícia no País e oferece vencimento de R$ 22.446,13, quase o dobro da remuneração de São Paulo, mesmo sendo o 14º colocado no ranking de arrecadação de impostos de 2022, com R$ 42,2 bilhões. Já o Rio de Janeiro paga R$ 20.590,59 de salário aos delegados, estando, assim, na 6ª posição do levantamento do Sindpesp.
Investigadores e escrivães da Polícia Civil paulista também estão entre os que têm os piores salários do Brasil. A remuneração inicial é de R$ 4.717 para as duas categorias. Enquanto o investigador amarga na 17ª posição do ranking salarial, o escrivão ocupa o 18º lugar, de acordo com o Sindpesp.

SUCATEAMENTO DA POLÍCIA CIVIL
A presidente do Sindicato dos Delegados de SP, Jacqueline Valadares, destaca a necessidade urgente de valorização e de reestruturação da carreira policial. De acordo com ela, o não incentivo salarial no estado mais rico do Brasil é um dos motivos para o sucateamento da Polícia Civil. “Hoje, há um déficit de 38,5%, ou seja, menos 16 mil policiais trabalhando, entre delegados, investigadores, escrivães e outros cargos. A recomposição não acompanha as saídas, que se dão por exonerações, incluindo as desistências, ou aposentadorias. Resultado: os policiais da ativa acabam sobrecarregados, muitas vezes, com equipamentos obsoletos e em delegacias precárias. Nessas condições, é impossível prestar serviço de excelência à população paulista, que tanto clama por segurança. São Paulo é de longe o estado mais rico do Brasil, mas paga um salário vergonhoso àqueles que estão nas ruas todos os dias combatendo o crime”, afirmou.
A presidente defende, ainda, nomeações imediatas e novos concursos com urgência, para a recomposição dos quadros da Polícia Civil. “As contratações devem acontecer com maior agilidade. Inclusive, estamos cobrando para que os candidatos aprovados em concursos já realizados sejam chamados o quanto antes. Por outro lado, se a gente não remunerar bem este servidor, não conseguimos manter ele na carreira. Temos de sair deste looping, deste ciclo vicioso. Não é só contratar. É valorizar, é pagar bem. Se isso não acontecer, este déficit que temos hoje jamais vai mudar”, alertou.




