Lucio Funaro já cumpre pena em Vargem

Desde o final do ano passado, o empresário Lúcio Bolonha Funaro está cumprindo pena de prisão domiciliar em sua mansão no Jardim São Joaquim, em Vargem Grande do Sul.

A expectativa era a de que ele voltasse a cidade apenas no dia 2 de janeiro, prazo que o doleiro se comprometeu a ter sua residência monitorada, com aparelhos para captura de imagem e backups.

Mas a informação oficial é de que ele deixou o presídio da Papuda, em Brasília, na quarta-feira (20), seguiu em um voo até o aeroporto de Viracopos, em Campinas, e, de lá, se dirigiu para Vargem, chegando no início da madrugada de quinta-feira (21).

Funaro ainda briga na Justiça contra uma multa de R$ 634 mil que lhe foi aplicada pelo Coaf, órgão ligado ao Ministério da Fazenda e radar de transações suspeitas de lavagem de dinheiro no mercado financeiro.

Segundo os técnicos do governo, o empresário deixou de comunicar mais de 60 movimentações financeiras consideradas atípicas da Cingular, uma de suas empresas.

EM CASA

Lúcio Funaro pode receber, em sua residência, a visita de parentes de até quarto grau, profissionais de saúde, advogados constituídos e uma lista de sete pessoas: José Ricardo Buozi (amigo), Luciano Carril (responsável pela administração de um barreiro em seu nome), Lucas Ranzani (administrador da fazenda), Apohara Ranzani (veterinário), Gláucio de Andrade (médico), Rafael Izidoro e Norberto Castroviejo (vizinhos).

Dois outros amigos – Marcelo Andrade e José Geraldo Cossi – não foram aprovados, mas o juiz do caso prometeu liberá-los em fevereiro.

Funaro garantiu que é do seu interesse cumprir a risca todas as determinações e orientações da Justiça. Ele também demonstrou o interesse de fazer uma faculdade na região e relatou que iria se dedicar a terminar os anexos de sua colaboração, cujo prazo se encerra em 50 dias.

O CASO

Funaro é réu de ação penal na qual é acusado de operar um esquema de cobrança de propina de grandes empresas em troca de liberar recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) administrados pela Caixa Econômica Federal.

O doleiro aceitou delatar políticos de alto escalão do PMDB – entre eles o ex-ministro Geddel Vieira Lima e o ex-deputado Eduardo Cunha – para ter a sua pena amenizada. Dados revelados por ele ajudaram a levar à apreensão de R$ 51 milhões em um apartamento atribuído a Geddel.

A delação prevê agora mais dois anos de prisão domiciliar, sem o direito de sair de casa (salvo com autorização prévia), outros dois no domiciliar semiaberto e mais dois no domiciliar aberto.

Segundo publicado no jornal Folha de São Paulo, durante seu período na prisão de Brasília, Funaro fez sete cursos com 180 horas cada um: atendimento ao público, formação de vendedor, eletricista, inglês, direito do consumidor, biossegurança hospitalar e direito administrativo.

Ele também leu e resenhou 13 livros, o que contribuiu para que ele conseguisse diminuir 216 dias de sua pena.

COMPARTILHAR

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here