Entre ervas e chás, ‘Alemão’ tornou-se conhecido na cidade

Por Daniela Prado
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Instalada na Praça da Catedral em São João da Boa Vista (SP), uma banca de ervas e produtos naturais já tornou -se parte da paisagem e do cotidiano dos que passam por ali – sendo, muitas vezes, impossível não parar e conferir os itens, alguns deles bastante curiosos e raros.

Assim também é a rotina do pernambucano Antônio Cesar Ferreira Soares, conhecido como ‘Alemão das Ervas’.

Há 28 anos morando em São João, ele conta que o primeiro contato com plantas e ervas medicinais veio na infância, ainda em Garanhuns (PE), por influência dos pais e avós.
“Depois eu vim, na ilusão, de São Paulo e conheci o Cacique Moxuara, um índio Kadiwéu, e tive a oportunidade de voltar a trabalhar com as ervas de novo. Cheguei em São Paulo e depois vim para São João. Fiquei por aqui, montei a barraca e fui acolhido pelos sanjoanenses. Hoje eu me considero um pernambucano-sanjoanense”, comentou.

Em atividade: em sua banca, na Praça da Catedral, ‘Alemão’ comercializa diversos produtos fitoterápicos (Gabriela Sodré/O MUNICIPIO)

Em seu espaço, é possível encontrar produtos naturais para diversas finalidades ou patologias – nozes da índia (diminui o peso e a obesidade), diabetil (como o próprio nome diz, controla o diabetes), chás seca-barriga, entre muitos outros.

“Se a pessoa quiser alguma planta ou erva e eu não tiver aqui, tenho determinado tempo para trazer, sim. Tem muita coisa para mim, vindo da Bahia, então, às vezes, demora até quinze dias, no máximo. Mas eu consigo trazer para a pessoa”, justificou.

Nesta modalidade de comércio alternativo, logicamente foram –e são- muitas as histórias que ele já vivenciou, algumas das quais, bem interessantes e até divertidas.

“Se for de cliente, o que mais tem aqui de engraçado é quando eles compram remédio para impotência, sentem o efeito e vem aqui, me contar. E nós damos risada”, revelou, entre risos.

Indagado se já pensou em mudar de profissão, ‘Alemão’ confessa que até tentou e mudou, sim, algumas vezes, de área – já teve depósito de bebidas, por exemplo.

“Mas sempre volto para trás. Não consigo viver sem as ervas, não. Eu acho que é um dom que está dentro de mim. Eu me sinto bem. O que eu mais gosto é quando o cliente pega o produto, se dá bem e volta para conversar comigo. Ou entra em contato com o meu telefone, falando para mim que está se dando bem. Quando é para insônia, está dormindo, quando é para reumatismo, está curando… eles me agradecem muito e com isso eu fico muito feliz”, disse, agradecendo a todo o povo sanjoanense e confessando ainda que não pretende sair daqui tão cedo, mas permanecer na cidade, para o resto da vida.

Há cerca de 6 anos, ‘Alemão’ conta com a ajuda de José Anchieta no atendimento em seu comércio.

“Meus meninos não quiseram continuar. E já tem bastante tempo que eu trabalho, desde os 7 e tenho 40 anos de serviço. Conheci esse rapaz que está comigo e vi que ele tem um dom, que é difícil a pessoa ter para este tipo de trabalho. E, se eu mandar ele ir na serra, buscar uma planta, ele vai e traz, só pela descrição que eu faço dela”, observou.
Para contatar o ‘Alemão’ e se certificar sobre algum produto que se esteja precisando, o telefone/whatsapp é o (19) 98109-1524 e o Instagram é @alemaodaservas.

SOBRE OS FITOTERÁPICOS

‘Alemão’ esclarece que a chamada fitoterapia milenar é como uma verdadeira medicina caseira, que vem sendo usada há milhares e milhares de anos, que curou no passado, cura no presente e vai continuar curando no futuro.

“É a medicina das raízes, caules, cascas, folhas, flores. frutos e sementes. Na qual os ribeirinhos, benzedores, caboclos, vaqueiros, gaúchos e nordestinos preparam chá com diversas utilidades e qualidades para combater enfermidades e ferimentos”, contou.

Raízes, ervas e xaropes: estão entre os itens que podem ser encontrados na banca (Arquivo/Patrícia Athayde)

Mal funcionamento do pâncreas, inflamações nas articulações, perda de calcificação óssea, dores de coluna, inflamação do ciático, dores musculares, dores nas panturrilhas causadas pela má circulação estão entre os problemas que o comerciante cita para o uso de ervas medicinais, conhecidas no norte e nordeste brasileiro como ‘garrafada caseira’.

“Temos o xarope caseiro, da época dos nossos antepassados, que era feito à base de ervas, mel e rapadura! A rapadura é a primeira medicina pra anemia. E mastruz, guaco, caraguatá e jatobá que previnem até câncer de próstata”, finalizou.

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