O Ministério Público entrou na investigação relacionada ao vereador Fernando Betti (PDT) e irá pedir a quebra de sigilo telefônico para averiguar os locais que o edil esteve supostamente para resolver assuntos particulares com o carro oficial da Câmara e também com seu veículo particular, abastecido com dinheiro público.
A entrada se deve a um ofício enviado pela Câmara Municipal, assinado pelo presidente Gerson Araújo (PMDB), que pede providências do MP em relação aos episódios.
Em contato com o promotor Nelson de Barros O’Reilly Filho, ele revelou ao O MUNICIPIO que decidiu instaurar um inquérito na esfera criminal para apurar possível falsificação de documentos por Betti e outro na área civil para checar ato de improbidade administrativa, pois o vereador teria usado o erário público para fins particulares.
A quebra do sigilo telefônico, então, seria para apurar especificamente as cidades que o vereador esteve nas datas justificadas para viagem e até mesmo os locais visitados por ele dentro de cada município.
De acordo com o que checou a reportagem, Betti teria utilizado carro oficial da Câmara e verba pública para abastecer seu veículo próprio, além realizar troca de óleo, para resolver assuntos particulares em cidades como, por exemplo, Franca, Ribeirão Preto, Santa Cruz das Palmeiras e São Paulo.
INVESTIGAÇÃO
Tudo teve início na sessão da Câmara da última segunda-feira (11), quando os vereadores decidiram abrir uma Comissão de Sindicância para averiguar as viagens do edil. Três dias depois, o MP foi comunicado sobre o caso e também irá apurá-lo.
Antes de a Comissão de Sindicância ser instaurada e o MP também decidir investigar o caso, os vereadores já pediam esclarecimentos a Fernando Betti sobre a mesma questão desde 8 de novembro, quando formalizaram requerimento solicitando a divulgação dos dados.
Como as respostas não foram dadas, os vereadores requisitaram, por meio de novos requerimentos, que Betti esclarecesse os fatos.
Em meio a esses pedidos de prestação de contas, os vereadores decidiram devolver o veículo oficial da Câmara para a administração municipal em forma de empréstimo. O automóvel, agora, é utilizado pelo Departamento de Educação.
VEREADOR DIZ QUE SOFRE PERSEGUIÇÃO POLÍTICA
Nas últimas semanas, o nome de Fernando Betti (PDT) tem sido envolvido em casos de abertura de sindicâncias e comissões dentro da Câmara Municipal e instauração de inquéritos no Ministério Público para apurar possíveis irregularidades cometidas por ele.
Questionado pelo O MUNICIPIO sobre essas situações, vereador diz acreditar que está sendo vítima de “perseguição política pura”. Ele, inclusive, afirma não entender “onde eles [vereadores] querem chegar”.
Em relação às viagens em que teria resolvido assuntos particulares ao invés de situações relacionadas a São João, Betti afirma que todas as viagens já foram justificadas ao Legislativo com comprovantes assinados por autoridades dos locais que ele foi.
O Ministério Público investiga a possibilidade de uma das assinaturas dos comprovantes ser falsa, fato que é negado pelo vereador.
“Estão me questionando sobre a visita ao deputado Cezinha, na Assembleia Legislativa, em São Paulo, mas tenho a comprovação que veio diretamente por e-mail do gabinete dele. Estou muito tranquilo quanto a isso, vai ser um tempo gasto à toa na investigação, pois já provei e mostrei os e-mails de justificativa na Câmara”, relatou o vereador.
VERBA PÚBLICA
Já em relação à utilização de verba pública para realizar as viagens, Betti afirma que para realizar as viagens obteve permissão da Câmara.
“É impossível fazer qualquer coisa dentro da Câmara sem uma justificativa e uma permissão. O processo administrativo foi aberto para isso, se o Ministério Público quiser investigar, eu fico tranquilo, porque a minha inocência será provada”, disse.
Ainda relacionado aos gastos de verba da Câmara, Fernando Betti afirma que, mesmo acreditando não ter feito nada errado, devolveu o valor corrigido aos cofres públicos.
“Pedi para ser feita uma correção dos gastos e fiz a devolução da verba, por livre e espontânea vontade. Devolvi, pois não vai me fazer diferença alguma e já que relataram que havia dúvidas, se houver algum problema nisso, o que eu acredito que não exista porque estava prestando serviços para a cidade, agora eu fiz com meu próprio dinheiro”, finalizou.
IDA À ITÁLIA TAMBÉM PRECISA SER EXPLICADA
Além de se defender dos inquéritos instaurados pelo Ministério Público e também das Comissões de Sindicância e Processante na Câmara Municipal, Fernando Betti (PDT) foi questionado também sobre sua viagem à Itália, no mês de junho deste ano.
Quem pede explicações sobre isso é a ex-vereadora Elenice Vidolin. A solicitação foi feita por meio de documento protocolado no Legislativo sanjoanense na quinta-feira (14).
Elenice pede a cópia do relatório de viagem do vereador e questiona os benefícios conquistados por ele no país, “porque o mesmo afirmou que estava representando o município”, escreve ela.
A ex-vereadora questiona ainda o fato de existirem indícios de que no TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) realizado para graduação na faculdade de Jornalismo, “consta fotos da presença dele durante sua viagem à Itália”.
De acordo com o que foi apurado pela reportagem, o vereador, com a alegação de que iria representar a cidade no país, continuou recebendo o subsídio (salário) mesmo não tendo ido às sessões.
NA ITÁLIA
Questionado pelo O MUNICIPIO em relação à Itália, Betti afirma que, além da realização do TCC, realizou visita ao senador Fausto Longo.
“Existe uma carta do senado italiano relatando minha visita que está, até mesmo, protocolada na Câmara”, apontou.
Ainda em relação à ida ao país, o vereador destaca que, devido ao tempo que precisaria se ausentar da Câmara, foi aprovada pelos vereadores.
Betti aponta também que tudo foi pago por ele, sem nenhum envolvimento do Legislativo.
“Foi tudo custeado por minha conta. Inclusive, estou pagando o carnê do empréstimo que fiz no meu banco [para conseguir realizar a viagem]”, finalizou.




