O ‘nosso’ Leivinha!

Por Ignácio Garcia
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Em 24 de julho passado, dia em que completou 67 anos de vida, o jornalista e engenheiro agrônomo Antonio Carlos Nogueira de Oliveira, o Leivinha, colaborador do jornal O MUNICIPIO com a coluna Baú do Esporte, foi homenageado em reportagem de Ademir Medici, do Diário do Grande ABC.

Membro do Memofut (Grupo Literatura e Memória do Futebol) e historiador do futebol em São João da Boa Vista, Leivinha foi lembrado quando de sua ida, ainda aos 10 anos de idade, a São Caetano do Sul (SP), em 1964, para cobrir e acompanhar a delegação do Palmeiras de São João em uma partida contra o Saad.

‘Os Leivinhas’: ex-atacante e o jornalista esportivo

Sob o título ‘Menino repórter vem a São Caetano cobrir a despedida do arqueiro Donah’, a notícia rememorou a oportunidade em que o goleiro deixava o Palmeiras do Interior, aos 18 anos, e transferia-se à Sociedade Esportiva Palmeiras, na ocasião denominada a ‘Academia’, na qual atuaria até os anos de 1967 como reserva do goleiro Valdir Moraes, sagrando-se vitorioso do Paulista em 1966 e do Brasileiro no ano seguinte.

À época, o garoto Leivinha nem era conhecido pelo marcante apelido, alcunha dada há 53 anos, em uma roda de amigos esportistas e frequentadores do boulevard Bar Theatro – atual calçadão à frente do Theatro Municipal. A reportagem, inclusive, relata como ocorreu a denominação: “Quando o Palmeiras contratou Leivinha [o ex-atacante João Leiva de Campos Filho] junto à Portuguesa de Desportos, saiu uma foto dele com o Leão [Emerson, goleiro recém-chegado]”. “Fui considerado muito parecido com ele, daí o apelido que me foi conferido pelos amigos naquele estabelecimento”, completou o jornalista ao O MUNICIPIO.

Em 2012, João Leiva de Campos Filho veio a São João da Boa Vista acompanhando o time amistoso de masters do Palmeiras da Capital contra uma seleção sanjoanense de veteranos. “Nos conhecemos pessoalmente nesta oportunidade, mas na fazenda São Francisco, do Kriss Corso. Alguém me chamava pelo apelido, e o Leivinha [João Leiva] é quem respondia”, relembrou o colaborador do jornal.

Entre um bate papo e outro, o então atacante João Leiva soltou: “Aqui em São João você é o Leivinha; eu sou o genérico”. O momento, recorda o jornalista, foi de risos e descontração.

N’O MUNICIPIO

As primeiras matérias jornalísticas de Leivinha no campo esportivo foram publicadas no O MUNICIPIO em 1995.

Todavia, anos atrás, em 1965, com 11 anos, já rascunhava suas primeiras linhas no centenário jornal. Um dos seus principais escritos foi destaque na capa do bissemanário em 4 de agosto, quando da cobertura do maior clássico da cidade pelo Campeonato Amador Regional envolvendo o Palmeiras Futebol Clube e a Sociedade Esportiva Sanjoanense, partida que terminou empatada em 1 a 1.

“Ali começou minha paixão pelo futebol, pela beleza como era praticado pelos atletas daquela época. Embora amadores, tinham um toque refinado e a todos encantavam quando do contato com a bola, proporcionando espetáculos memoráveis que até hoje guardo com extrema lembrança”, contou emocionado.

SEUS ÍDOLOS

Entre os incomensuráveis ícones do esporte nacional, Leivinha destaca Bellini e Mauro, que começaram no futebol sanjoanense e, posteriormente, partiram para grandes times e a Seleção Brasileira, onde ambos foram capitães e bi-campeões mundiais, mas que jamais esqueceram as raízes nos crepúsculos maravilhosos.

Ainda menino, com 5 anos, Leivinha teve a oportunidade de posar ao lado de Bellini, em janeiro de 1959, já campeão do mundo na Suécia, que visitou São João para rever os amigos.

No princípio da década de 1980, com a instituição de uma festa em São João que reunia personagens do esporte, particularmente do futebol, o jornalista tornou-se amigo pessoal dos capitães.

“Mais recentemente, fizemos uma campanha para que a Câmara Municipal outorgasse o título de cidadãos sanjoanenses aos dois (in memorian). Uma linda festa. Bellini, representado pela esposa Giselda, e Mauro, pela filha Sylvia Ramos de Oliveira”, afirmou o jornalista.

Aos 5 anos: em 1959, Leivinha posou ao lado do ídolo Bellini (Divulgação/Arquivo Pessoal)

EMOÇÃO MAIOR

Zico, o Galinho, maior artilheiro da história do Maracanã, foi a grande emoção de Leivinha em sua trajetória no jornalismo esportivo. “Estive no Centro de Futebol Zico, na Barra da Tijuca, em 1995, realizando uma matéria pelo O MUNICIPIO por sugestão do dr. Joaquim [Cândido de Oliveira Neto], o que gerou, em mim, tamanha gratidão, haja vista que ele [dr. Joaquim] havia me proporcionado um dos meus maiores sonhos em minha carreira jornalística”, finalizou Leivinha.

HISTÓRICO

Filho de Benedito Fernandes de Oliveira (Cajuca) e Maria Nazaré Nogueira de Oliveira, Leivinha nasceu em São João da Boa Vista, em 1954. Formou-se agrônomo pela Faculdade Manoel Carlos Gonçalves (UniPinhal), de Espírito Santo do Pinhal, na turma de 1982. Alguns anos depois, atuou por 15 anos com inseminação artificial de bovinos no Grupo Bradesco, por meio do projeto Pecuária Planejada (PecPlan), participando de inúmeras exposições agropecuárias pelo Brasil e, inclusive, nos EUA.

Em suas viagens em trabalho de campo, Leivinha teve alguns clientes famosos ligados ao ramo esportivo, como o zagueiro Oscar, da Seleção Brasileira de futebol (1982), além do ex-jogador de basquete Edvar Simões.

Integrante do Memofut, tendo como padrinhos Max Gehringer e Celso Unzelte – participantes do grupo, o jornalista é escritor da 1ª edição do livro ‘100 anos de Futebol em São João da Boa Vista’ (2008), obra com prefácio do narrador Luís Roberto de Múcio; a 2ª edição, de 2013, teve o prefácio escrito pelo professor e jornalista Unzelte.

Em 21 de dezembro de 2001, Leivinha também fundou o jornal Momento Esportivo, ainda ativo e que completará 20 anos no final de 2021.

Para saber mais sobre a história do esporte em São João, acesse o portal do Leivinha.

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