Retomada das aulas mescla formato presencial e remoto

Anglo: retorno com movimentação de pais e alunos na saída do colégio à avenida Dr. Durval Nicolau (Ignácio Garcia/O MUNICIPIO)

Nesta primeira semana de fevereiro, as escolas da rede particular de São João da Boa Vista voltaram às aulas em modo híbrido – formato que mescla presencial e remoto.

Dentre os inúmeros colégios privados existentes na cidade, o Externato é um dos que adotou esse sistema, reabrindo para os alunos nesta segunda-feira (1º).

Frank de Lima, o mantenedor, esclareceu que esse retorno, tanto presencial como online, respeita os 35% da capacidade das salas de aula, com rodízio de alunos – turmas divididas em dois turnos, obedecendo a todas as medidas do Plano São Paulo.

O Experimental Integrado é outro que retomou as aulas presenciais na mesma data e formato.

“Há aulas presenciais acontecendo na escola -com a redução do número de alunos por sala- e os alunos em casa também participam através de transmissão simultânea, por meio das plataformas de tecnologia online da escola, já utilizadas antes para as aulas à distância”, disse Isabela Marques, analista de comunicação do Integrado.

E esclareceu que o ambiente escolar foi preparado de acordo com todas as exigências dos órgãos competentes e seguindo todos os protocolos sanitários: aferindo a temperatura de quem entra na escola, disponibilizando tapete com álcool sanitizante e álcool em gel na entrada, diversos totens em inúmeros pontos da escola e até os equipamentos tecnológicos nas salas – utilizados pelos professores – são higienizados a cada troca de aula.

“Há ainda uma escala para definir os alunos que ficam em casa e os que fazem a aula presencialmente na escola, respeitando, é claro, os 35% de alunos presenciais permitidos por turma”, pontuou Isabela.

REDE MUNICIPAL E ESTADUAL
Eloisa Matielo Ribeiro, diretora do Departamento Municipal de Educação, afirma que toda a rede municipal de ensino voltará às aulas remotamente na quinta-feira (4).

“O retorno será presencial e gradual para a rede municipal, e está previsto para o dia 1º de março. Os preparativos já se iniciaram há mais de seis meses, com a capacitação dos gestores da rede municipal sobre os protocolos sanitários. Aliás, desses encontros nasceu o documento ‘Protocolo Sanitário da Rede Municipal de Ensino do Município de São João da Boa Vista para volta às aulas presenciais’, disponível no site da Prefeitura”, destacou Eloisa.

E acrescentou que, na sequência, as escolas elegeram um Comitê Local de Crise, para decidir sobre fatos pontuais de cada unidade escolar e também fizeram um Plano de Retomada Presencial, abrangendo toda organização da Escola, do transporte à chegada e permanência do estudante, demarcações de solo e parede, reorganização de horários de merenda, filas com distanciamento, utilização de máscaras (obrigatórias), face shields e álcool gel.

“São exemplos, mas todos os EPIs previstos, como aventais, luvas, máscaras, lixos com pedal e etc. foram adquiridos. E novas compras estão sendo organizadas para que, quando as aulas se iniciem, as escolas estejam, além de organizadas, plenamente atendidas nos insumos para o retorno seguro de alunos e profissionais da educação”, completou a titular da Pasta.

Indagada sobre como ela vê a modalidade híbrida de ensino, Eloisa argumenta que os especialistas da Saúde e das Vigilâncias Sanitárias e Epidemiológicas consideram que o local de trabalho é mais seguro que o ambiente doméstico, pois preza-se pelo distanciamento, utilização de máscaras e álcool gel.

“Em relação às crianças, a ONU, Unicef e o CDMCA de São João consideram que as crianças, há quase um ano fora da escola, estão sofrendo grandes prejuízos cognitivos, emocionais, psicológicos, dentre outros, incluindo problemas de obesidade, depressão e ansiedade. Quanto mais vulneráveis as famílias, maior o dano. Consideramos também a dificuldade dos pais em auxiliar essas crianças e o acesso restrito à tecnologia e telefonia para a população de baixa renda. Enfim, o ensino híbrido, alternando remoto e presencial, não é o ideal, mas resolve parcialmente o problema. Deverá ser fortalecido nesse período de pandemia, assim como a utilização dos recursos tecnológicos durante as aulas. A escola nunca mais será a mesma depois dessa experiência”, concluiu, finalizando com o lembrete de que o ensino no município não é obrigatório e os pais poderão enviar os filhos às escolas quando se sentirem seguros, sem que haja prejuízo para o estudante.

No tocante à rede estadual, o secretário de Educação do Estado de São Paulo, Rossieli Soares, afirmou, em entrevista no programa ‘Direto ao Ponto’, da Jovem Pan, ocorrida em 25 de janeiro último, que nada justifica o fechamento das escolas, mesmo em meio ao agravamento da pandemia do novo coronavírus.

E esclareceu o motivo do Estado ter resolvido adiar por mais uma semana o retorno às aulas. “Optamos por ter mais uma semana de planejamento. Vamos estender por uma semana para comunicar as famílias. Uma coisa é preparar uma escola, outra é preparar toda a rede estadual para dizer quem vai. Porque será um rodízio. Sentimos necessidade de ajustar isso, porque sentimos que há receio nas famílias. Quando fizemos o desenho [do retorno], não esperávamos que todo o estado estivesse na fase vermelha. Se tiver alguma mudança substancial, pode haver uma mudança. Fizemos essa adaptação, mas se chegar na fase amarela é obrigatória a presença de até 70% dos alunos”, explicou o secretário.

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