Médicos acusados de retirada ilegal de órgãos vão a júri popular

Crime: Paulo Veronesi Pavesi tinha dez anos de idade (Reprodução/Varginha Online)

Teve início na quinta-feira (28), em Belo Horizonte (MG), o julgamento de três dos quatro médicos acusados de matar uma criança de dez anos em Poços de Caldas. Um dos denunciados pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) teve o julgamento desmembrado. Os crimes teriam ocorrido em abril de 2000. A previsão é que o julgamento dure entre dois e três dias.

No julgamento iniciado na manhã de quinta-feira, a acusação estava sendo feita pelos promotores de Justiça Ana Cláudia Lopes, Renato Teixeira Rezende e Giovanni Avelar Vieira, os três com atuação no Tribunal do Júri. O coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça Criminais (Caocrim), promotor de Justiça Marcos Paulo de Souza Miranda, também acompanha o julgamento.

O processo, depois de tramitar inicialmente na Justiça Federal, foi remetido para a Justiça Estadual, sendo que, diante dos riscos de comprometimento da imparcialidade dos jurados na cidade de Poços de Caldas, foi transferido para Belo Horizonte.

DEPOIMENTOS

Paulo Airton Pavesi, pai de Paulo Veronesi Pavesi, foi a primeira testemunha a ser ouvida, na tarde de quinta-feira, no Fórum Lafayette. O depoimento dele durou duas horas. “Meu filho foi assassinado dentro de um hospital público e há mais de duas décadas aguardo alguma decisão. Os suspeitos continuam trabalhando e recursos de adiamento sendo aceitos”, afirmou ele.

Às 21h, sete pessoas já tinham prestado depoimento. Depois da conclusão da exibição dos vídeos com depoimentos das testemunhas, ocorrem os interrogatórios e o debate entre defesa e acusação. O julgamento foi interrompido às 22h40 e retornou nesta sexta-feira (29), às 9h.

O CASO

Em abril de 2000, Paulo Veronesi Pavesi, de 10 anos, foi atendido por uma equipe médica depois de sofrer traumatismo craniano ao cair de uma altura de dez metros do prédio onde morava. Ele foi levado ao Hospital Pedro Sanches, mas, após alguns problemas durante a cirurgia, foi encaminhado à Santa Casa de Poços de Caldas, onde morreu.

O pai da criança desconfiou das circunstâncias da morte depois de receber uma conta do hospital de quase R$ 12 mil. Algumas informações apontavam a cobrança de medicamentos para remoção de órgãos, que, na verdade, deve ser paga pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

De acordo com o Ministério Público, a equipe médica teria constatado a morte encefálica, mas as investigações apontaram que o laudo foi forjado e houve várias irregularidades durante o atendimento. Os envolvidos foram denunciados pelo MP por homicídio qualificado. “Na denúncia, consta que cada profissional cometeu uma série de atos e omissões voluntárias com a intenção de forjar a morte do menino para que ele fosse doador de órgãos”, diz o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). “Estão entre as acusações a admissão em hospital inadequado, a demora no atendimento neurocirúrgico, a realização de uma cirurgia por profissional sem habilitação legal, o que resultou em erro médico, e a inexistência de um tratamento efetivo e eficaz. Eles são acusados também de fraude no exame que determinou a morte encefálica do menino”, informa o TJMG.

Dois anos após a morte de Paulo, a Santa Casa da cidade foi descredenciada a fazer remoção e transplantes de órgãos. A MG Sul Transplantes, entidade gestora dos procedimentos no município, foi extinta. (Fonte: Varginha Online)

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