
Com a regressão da região sanjoanense à fase Laranja do Plano São Paulo, o Departamento Municipal de Educação deverá manter o cronograma de volta às aulas na rede municipal em 4 de fevereiro, porém apenas de forma remota. A informação foi dada pelo Departamento de Comunicação Social da Prefeitura de São João, logo após a atualização do plano de flexibilização gradual da economia no Estado na sexta-feira (22).
Antes da reclassificação, a retomada das atividades de forma presencial seria opcional na cidade, a partir da data projetada pela Pasta. Ainda na tarde desta sexta, haveria reuniões da administração municipal para discutir se haveria ou não outras mudanças, que podem ser apresentadas em decreto na segunda-feira (25).
Uma semana antes, em reunião com representantes de escolas particulares, o discurso adotado pelo Departamento foi de que o retorno gradual às aulas presenciais estaria condicionado aos pais, com opção de mandarem ou não seus filhos à escola na primeira semana de fevereiro.
“Cabe aos pais decidirem sobre o retorno de seus filhos. Nós estamos trabalhando muito para garantir a total segurança de todos, caso desejem voltar de forma presencial”, explicou a titular da Pasta, Eloísa Matielo, durante reunião com representantes das escolas particulares.
Após São Paulo autorizar o retorno a partir de 1º de fevereiro e a rede municipal prever início gradual das aulas para o dia 4, muitos pais foram às redes sociais criticar a medida, uma vez que ainda não estão suficientemente seguros quanto ao momento de mandarem os filhos às escolas, em meio ao avanço de contágios da Covid-19 na cidade – na terça (19), 82 casos positivos da doença foram confirmados em São João em 24 horas. Até mesmo alguns funcionários de escolas e professores ouvidos pelo O MUNICIPIO já demonstraram insegurança.
Anteriormente à reclassificação de fase, da Amarela para Laranja, Adelise Cristina, professora e mãe da Aline, de 8 anos, que estuda no 4° ano da Escola Municipal de Ensino Básico (Emeb) José Peres Castelhano, disse que era uma decisão precipitada [voltar às aulas] devido ao momento crítico.
“Quando as aulas foram suspensas em março de 2020, não estávamos passando um momento tão crítico como estamos agora. O risco é muito maior agora. Em 2020 foi enviado um questionário aos pais e profissionais da Educação e a maioria não se sentia seguro com a volta. Agora, nessa fase crítica, até o momento, não vi nenhuma pesquisa pública sobre o assunto”, afirmou.
Adelise disse ainda não se sentia segura, visto que muitas pessoas estão nas ruas levando vírus para dentro de casa, principalmente as crianças, que, muitas vezes sendo assintomáticas. “E quem garante que os alunos que frequentarão a escola não estão vindo de famílias com pessoas infectadas? Será que todas as pessoas que testaram positivo estão sendo monitoradas? Estão isoladas? Medir a temperatura na entrada da escola – lembrando que criança muitas vezes não apresenta sintomas – e exigir que a criança siga o protocolo de saúde não me garante segurança”, afirmou.
Como profissional da educação e mãe, ela havia adiantado que poderia esperar mais um ou dois meses para o retorno, até a crise amenizar: “Não existe aprendizagem sem afeto. Crianças vão à escola para interagir com os colegas. Fico imaginando esse revezamento, esses protocolos, as crianças sentadas distantes como robôs, sem conversar, sem brincar, sem interação criança com criança, criança com adulto, uma aula fria somente para cumprir conteúdo. E pra mim, esse conteúdo que não foi perdido de forma remota, apenas foi adaptado. Conteúdo se recupera, vidas não”.
Rodrigo Sassaron, funcionário público municipal, assistente de desenvolvimento da infância (ADI) e pai do Lucas, de 10 anos, do 5° ano, do Emeb José Procópio do Amaral, também se demonstrou totalmente contra a volta às aulas.
“Vamos observar a situação atual que estamos: os leitos cada vez mais lotados, tenho minha mãe, que é grupo de risco, e eu mandando meu filho [para a escola]; ele pode contrair e ainda transmitir para minha mãe e até mais pessoas”, observou.
No caso de Sassaron, que é ADI em uma creche, em uma situação normal já colocava que era complicado, tendo em vista que muitos responsáveis levam crianças doentes para creche “e ‘enchem’ de remédio em casa para baixar a febre. Quando passa o efeito do remédio e volta a febre, ligamos para vir buscar a criança para levar até o médico. Aí começa o ‘Deus nos acuda’, dá o que fazer para encontrá-los. Chegando [na creche], ainda tem alguns pais que ficam bravos e falam coisas para os professores, e nós não merecemos escutar, como se a culpa fosse nossa por terem que vir buscar a criança que está doente”, finalizou.
REUNIÃO
Na reunião do dia 15, a diretora de Educação conversou com os representantes de algumas escolas privadas acerca da retomada escalonada das atividades presencias com segurança para todos.
“[…] A intenção é que todos se programem de forma bastante saudável, dentro dos protocolos sanitários e sem riscos para funcionários, professores e alunos”, destacou.
Na oportunidade, Eloísa reforçou sobre uma das deliberações do Conselho Estadual de Educação, em que os alunos têm de frequentar pelo menos 1/3 das atividades escolares de forma presencial por mês, com exceção de crianças e jovens do grupo de risco, que poderão estudar de forma remota, caso tenham atestado médico.
Dessa forma, das 800 horas letivas por ano, no mínimo 267 devem ser cumpridas na escola e distribuídas entre os meses, a partir de fevereiro.
REDE PÚBLICA ESTADUAL E REDE PRIVADA
Na sexta (22), o governo ainda anunciou o adiamento do início das aulas da rede estadual, previsto para 1º de fevereiro, e suspendeu a obrigatoriedade do retorno presencial dos alunos de todas as escolas do Estado nas fases Laranja e Vermelha.
Com a nova determinação, a previsão é a de que as aulas na rede comecem em 8 de fevereiro, de forma híbrida. Já a autorização para as escolas particulares e municipais retornarem às aulas no dia 1º de fevereiro foi mantida.




