
O governo federal apresentou, na última semana, o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19. O documento foi entregue ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), durante cerimônia no Palácio do Planalto.
O plano inclui descrições sobre a população-alvo para a imunização, as vacinas já adquiridas pelo governo e os detalhes operacionais, logísticos e estratégicos da campanha nacional de vacinação.
Segundo Eduardo Pazuello, ministro da Saúde, o Brasil tem cerca de 350 milhões de doses negociadas para 2021. Essa quantidade, de acordo com o governo federal, seria suficiente para vacinar cerca de 175 milhões de pessoas, dentre os mais de 210 milhões de brasileiros, considerando que a imunização deve exigir duas aplicações em cada pessoa, e que há uma pequena perda de doses nos frascos.
GRUPOS DE RISCO
A estimativa do Ministério da Saúde é de que os grupos de maior risco para agravamento da doença e com maior exposição ao vírus, como idosos e trabalhadores da área da saúde, sejam vacinados ainda no primeiro semestre de 2021. A expectativa é concluir a imunização em 12 meses após a fase inicial.
Pazuello afirmou que o Brasil está no caminho certo para imunizar a população contra a doença e ressaltou que o planejamento de logística para a distribuição do medicamento está garantido.
“Quando estabilizarmos nosso País com a vacina, quando tivermos o antiviral correto para combater o coronavírus, nós vamos sair um País mais forte, vamos sair uma democracia mais estável, porque todos os poderes se alinham e funcionam da maneira correta. Nós, brasileiros, vamos ganhar esta guerra, o Brasil imunizado é o nosso objetivo”, afirmou Pazuello.
COMO VAI FUNCIONAR?
O Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19 foi dividido em diferentes fases:
A primeira é composta por trabalhadores da área da saúde, a população idosa a partir dos 75 anos de idade, pessoas com 60 anos ou mais que vivem em instituições de longa permanência, população indígena e comunidades tradicionais ribeirinhas;
Na segunda fase entram pessoas de 60 a 74 anos;
A terceira fase prevê a imunização de pessoas com comorbidades que apresentam maior chance para agravamento da doença como portadores de doenças renais crônicas e cardiovasculares. Também constam como grupos prioritários para receber a vacina professores, forças de segurança e salvamento e funcionários do sistema prisional.
DESIGUALDADE
Enquanto o Brasil teria um volume para imunizar a população uma vez, os países mais ricos do mundo vêm estocando imunizantes e conseguiriam vacinar três vezes as suas populações.
Recentemente, o People’s Vaccine Alliance, que monitora as vacinas e atua em colaboração com grupos como Anistia Internacional e Oxfam, fez um alerta para isso e destacou que algumas nações em desenvolvimento estão sendo deixadas para trás na corrida global pelo fim da pandemia.
Nas 67 nações do mundo consideradas pobres, apenas uma em cada dez pessoas pode esperar receber uma vacina até o final de 2021. Enquanto isso, os países desenvolvidos já acumulam um excedente do produto: os que representam apenas 14% da população mundial já compraram mais da metade das doses de vacinas mais promissoras em desenvolvimento atualmente.
CRÍTICA
Em comunicado à imprensa, o chefe de Justiça Econômica e Social da Anistia Internacional, Steve Cockburn, criticou a postura das nações desenvolvidas em estocar imunizantes.
“O acúmulo de vacinas acaba com os esforços globais para garantir que todos possam ser protegidos da Covid-19. Países ricos têm claras obrigações de direitos humanos de não apenas se abster de ações que possam prejudicar o acesso a vacinas em outros lugares, como também de cooperar e fornecer auxílio aos países que precisam”, declarou.
Mesmo que as nações mais favorecidas doem o excedente que possuem aos países mais pobres, muitas partes do globo podem não ter as doses necessárias até o fim de 2021.




