
O Grupo Vale do Verdão foi o vencedor no leilão da usina São Luiz, da Abengoa Bioenergia, com mais de 64% dos votos. Localizada em Pirassununga, a usina foi recebida como unidade produtiva isolada (UPI), sem dívidas. O certame ocorreu em setembro e era disputado por três grupos do setor, que apresentaram o lance mínimo de R$ 385 milhões no leilão judicial da unidade. As outras propostas foram da usina Ferrari e dos empresários Mário e Adriano Dedini Ometto.
De acordo com informações do jornal Valor Econômico, a oferta do Grupo Vale do Verdão foi considerada a melhor devido aos prazos de pagamento –R$ 20 milhões em 30 dias, R$ 20 milhões em 60 dias e R$ 25 milhões em 90 dias. A partir de julho de 2021, começará o pagamento de outras 16 parcelas de R$ 20 milhões, corrigidas pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).
USINA SÃO JOÃO
Em plano de recuperação apresentado pela Abengoa em 2019, propôs-se para a Usina São João, em São João, que seriam quitadas as dívidas com os fornecedores de cana com contratos de mais de seis meses e os fornecedores de bens e serviços de longo prazo. Os recursos viriam justamente da venda da Usina São Luiz.
Por sua vez, os credores não aderentes poderão ser pagos também com dinheiro da transação, mas com desconto de 35%. Também seriam utilizados os créditos do IAA e da Petrobrás, além do caixa emergencial provisório.
De acordo com o Valor Econômico, a Abengoa também prevê pagamentos adicionais usando 20% dos créditos do Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA) detidos pela holding ASA Bioenergy. Pela proposta, a holding destinaria metade do recurso obtido, já descontados os impostos e custos, para compor o caixa emergencial provisório e para pagar os credores, incluindo os não aderentes.O objetivo seria a quitação integral de cada crédito, mas esse recurso não será usado caso a holding venda esses direitos junto com outros ativos, bens ou direitos.
BOATO
Com a venda da Usina São Luiz, surgiram boatos de que a unidade sanjoanense da Abengoa também seria vendida. Contudo, isso não procede. Conforme a reportagem do jornal O MUNICIPIO apurou, essa informação não é verdadeira e a usina prossegue normalmente com suas atividades.
PRISÃO DE EX-EXECUTIVOS
Recentemente a Justiça da Espanha condenou seis ex-executivos da Abengoa que atuavam no Brasil a penas de até dois anos de prisão. Eles eram investigados pelo crime de apropriação indébita, por terem efetuado, entre 2011 e 2013, pagamentos a si mesmos, sem justificativa, de quantias que superam 3 milhões de euros.
A sentença da Audiência Nacional levou em conta o acordo estabelecido entre a Procuradoria Anticorrupção e os réus, que obtiveram atenuantes por reparação de danos e confissão tardia, após admitirem a participação nos delitos de que eram acusados e manifestarem arrependimento. Os juízes do caso destacaram ainda que o grupo Abengoa, na qualidade de parte lesada, também chegou a um acordo extrajudicial para ser integralmente indenizado pelos réus, razão pela qual a companhia espanhola renunciou às ações penal e cível.
O tribunal decretou dois anos de prisão para Juan Taín, que foi diretor-geral da Abengoa Bioenergia Agroindústria, de um ano e 11 meses; e para o ex-diretor de Recursos Humanos Luis Rafael Mazotti; além de um ano e nove meses para os ex-executivos Roberto Potenza, Javier Ramos, Fernando García e Carlos María Gambar.




