‘Distritão do Mal’ é alvo de operação da Polícia Militar

Convite: arte de divulgação do ‘Distritão do Mal’ nas redes sociais (Reprodução)

Agravada ainda mais com a pandemia da Covid-19, a falta de opções de lazer tem transformado o Distrito Industrial em um verdadeiro ponto de encontros para jovens nos finais de semana. Mesmo com as medidas de distanciamento social instituídas, grande número de pessoas tem se reunido no local, o qual foi apelidado de ‘Distritão do Mal’, e até já ganhou um perfil no Instagram.

Os encontros são marcados por carros com som alto e rachas, além do consumo de bebidas alcoólicas e drogas. Tudo isso tem atraído não só jovens sanjoanenses, mas também de cidades vizinhas, como Santo Antônio do Jardim, Aguaí e Vargem Grande do Sul, por exemplo. Os encontros têm ocorrido há meses – sendo até noticiado anteriormente pelo O MUNICIPIO –, porém acabou ganhando repercussão esta semana, por meio de uma mensagem postada em um grupo de discussão nas redes sociais. “Será que só a população vê o que tá acontecendo lá no distrito, todos os fins de semana? As autoridades da cidade são tão omissas assim? Menores de idade se embebedando até perder a noção de vida (coisa que eles já não têm muito). Drogas rolando adoidado, de todos os tipos. Rachas de carros e motos. E depois saem todos bêbados e drogados dirigindo pela pista e cidade afora. Agora soltaram até um funk do Distritão do Mal…”, publicou a internauta Ingrid Gomes. “Fico me perguntando o que a administração, a Polícia Militar e o Conselho Tutelar estão esperando para tomar uma providência”, prosseguiu.

O post rapidamente gerou polêmica e até alguns frequentadores do local se manifestaram. “O engraçado é que arrumamos um lugar longe para não incomodar ninguém, aí vem esse pessoal reclamar. Primeiro que droga e bebida têm em todos os lugares. Usa quem quer!”, comentou Luana Reis Bonadero.

“Sempre tem dois lados. Eu entendi seu ponto de vista sobre os acidentes que podem acontecer. Isso é um fato. Mas entendo também que não tem lugar para ir dar rolê nessa cidade. Quando era no Centro, todo mundo reclamava também. Pelo menos é um lugar longe e não incomoda a terceira idade. Vai quem quer e quem gosta desse tipo de rolê”, afirmou Mayara Silveira.

OPINIÕES

Em meio à polêmica, a carência de atividades e lugares voltados para o lazer e entretenimento dos jovens foi o foco central da discussão entre os internautas. “Eu acho que isso é falta de oportunidade! Os jovens não têm onde frequentar. Acabou todos os lugares gostosos. Restou apenas bares que não ficam abertos depois de certo horário. Adolescente não quer ficar em casa não! Quer sair, conhecer o mundo, se ‘divertir’, talvez da maneira errada, mas é o que tem no momento. Aproveitando a nova política de São João, isso é uma coisa que está mais que na hora de mudar!”, opinou Flávia Gouveia.

“Não vai adiantar nada a polícia intervir com o que acontece no distrito. Logo vão voltar a se aglomerar em outro lugar para fazer ‘coisa errada’. Acho triste a forma como as coisas acontecem lá. Realmente não vai demorar muito para acabar acontecendo uma tragédia, mas só daria para julgar quem vai como ‘errado’ se a cidade oferecesse outros meios da galera se divertir. Como não oferece, o jeito é irem para lá mesmo”, disse Nathaly Markis.

OPERAÇÃO PANCADÃO

Diante do grande número de pessoas que tem ido ao local, a Polícia Militar desencadeou a Operação Pancadão na sexta-feira (20) e no sábado (21). A intervenção ocorreu em diversos pontos da cidade, conhecidos pela aglomeração de jovens. O intuito foi inibir a perturbação do sossego público, bem como o uso de drogas ilícitas e ainda condução de veículos por pessoas sob uso de álcool e entorpecentes.

De acordo com a PM, 130 pessoas foram abordadas e 69 veículos foram vistoriados durante a operação. Como resultado, houve a recolha administrativa de sete veículos e a confecção de 30 autos de infração de trânsito.

O 1º tenente Diogo Cerqueira Pires, subcomandante da 1ª Companhia da Polícia Militar, destaca que as ações continuarão e outras operações serão realizadas visando a manutenção da ordem pública, a proteção das pessoas e do patrimônio.

OUVIDORIA

Em contato com o jornal, a Prefeitura informou que, até o momento, não houve registro de reclamações relativas às aglomerações no Distrito Industrial junto a Ouvidoria Municipal.

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