
Mais um ano se aproxima do final, fazendo com que algumas famílias se mobilizem para organizar, entre outros detalhes, a ceia de Natal e Ano Novo.
Ingredientes como carnes, nozes, frutas cristalizadas, entre outros voltam à cena, só que mais caros – segundo o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) do FGV/Ibre, as vilãs destas celebrações são as carnes, cujo aumento foi de até 30,84% no acumulado dos últimos 12 meses.
O sanjoanense Rafael Valim Pereira, geógrafo e economista, que atua como Hedger de futuros em Petróleo e Dólar, alerta que o vilão deste Natal será o câmbio e os produtos principais da mesa irão sofrer com os preços, já que boa parte dos insumos do agronegócio, bem como os produtos agrícolas sofre exposição cambial direta.
“Por um lado, a exportação de chester, peru e carne bovina está mais elevada e deve diminuir a oferta no mercado interno, fazendo com que os preços continuem a subir. Por outro, temos os produtos importados, como bacalhau, vinhos, azeites, castanhas entre outros que sofrem ajuste com a alta do dólar”, esclareceu.
Ele ressalta que os preços da carne não param de subir e lembra que, no começo deste ano, a arroba era cotada a R$ 200, ao passo que hoje, se aproxima de R$ 290 para R$ 300 – ou seja, acumula uma alta forte.
“Apreciada pelo câmbio que deixou o real barato frente às demais moedas do mundo, o fluxo de exportação cresceu muito forte, diminuindo a oferta interna e os insumos do gado também subiram, atrelados ao dólar, tornando o produto mais caro na mesa do brasileiro”, analisou.
Sobre o percentual de aumento que os produtos típicos das ceias de fim de ano sofreram, o economista pontua que os preços da carne subiram 40% do fim do ano para cá, mas outros produtos, como cebola, tomate, arroz e feijão também estão com valores mais elevados e, em algumas regiões do país a diferença chega facilmente em 30%.
Pereira também destaca que preços são questão de oferta e demanda, ou seja, quando a demanda é alta, o preço sobe.
“Temos que saber fugir e buscar o que está mais barato. Sempre que um produto sobe de valor, devemos escolher bons substitutos. Peixes e outras carnes podem substituir o bacalhau, peru entre outros alimentos. Comprar em feiras locais também é muito importante, pois nelas, além de bom preço, produtos frescos e de qualidade, o consumidor também ajuda a economia local, que com certeza sofreu muito durante a pandemia. Trocar produtos industrializados das grandes marcas pela produção local é extremamente importante”, concluiu.
SIGA AS DICAS DA NUTRICIONISTA
De acordo com a nutricionista clínica Izabela Mores Gondin, existem substituições que, além de tornar a ceia de fim de ano mais econômica, ainda são mais saudáveis ao consumidor.
“Para substituir aquele famoso peru, você pode optar por pernil assado ou substituir o famoso bacalhau por peixe (cação ou tilápia), acompanhado de legumes, com arroz branco, passas ou um purê de batata”, sugeriu Izabela.
Para a salada, a nutricionista aconselha a utilizar folhas verdes variadas (alface, rúcula, repolho) e tomate, com a dica de adicionar manga ou maçã a tais folhas.
“E para substituir as oleaginosas (castanhas), utilizar o amendoim sem casca, torrado, ou semente de girassol e semente de abóbora. Para a farofa, uma dica que gosto de dar é substituir a [farofa] tradicional por flocos de aveia, junto com soja texturizada, cebola, cenoura ralada e temperos naturais. Quanto à sobremesa, a melhor opção são as frutas da época, que são mais em conta: melancia, manga, laranja, uva”, apontou.
A nutricionista acentua que, sem dúvida, é mais saudável utilizar o peixe e o pernil, investir nas frutas da época e nas folhas, ponderando que a principal questão são os acompanhamentos que se irá utilizar, como creme de leite – se esses alimentos tiverem acompanhamento como molhos e farofas calóricos, com certeza não será tão saudável.




