O crescimento desordenado de São João da Boa Vista tem preocupado os membros do Conselho de Segurança do município (Conseg). Na última reunião, realizada na terça-feira (14), novamente o tema foi amplamente debatido.
Para o presidente atual da entidade, David Noronha, não há como se adotar qualquer medida sem estancar a causa do problema. “É preciso que o poder público reconquiste tais áreas, promovendo a satisfação das demandas não atendidas. Do mesmo modo, é interessante que a sociedade também se engaje, desenvolvendo projetos e atuações que visem à recuperação da comunidade degradada e ao entrosamento, pois é patente que o crescimento desordenado cria desarmonia e desconfiança sociais”.
O Conseg entende também que nenhuma das ações subsequentes à cessação do crescimento desordenado é de fácil implementação e de imediato retorno. “Pelo contrário. É fundamental que todos se conscientizem de que o inchaço da cidade deve ser evitado”, explica Noronha.
O debate desse assunto entre os membros do Conseg, principalmente com responsáveis do Ministério Público e das polícias Militar e Civil, vem de encontro ao aumento da criminalidade nos bairros mais afastados, juntamente com a criação de um novo loteamento para mais construções de casas populares: o bairro ‘Nova União’.
“O Conseg tem sido frontalmente contrário a implementação desse novo loteamento, levando em conta que toda essa área já sofre, de forma muito clara, do problema que esse tipo de crescimento trouxe. Vale lembrar que, no perímetro urbano apresentado como proposta pelo nosso Conselho, esse loteamento não foi incluído. E através da nossa forte atuação, o CMU (Conselho Municipal de Urbanismo) também o excluiu de sua proposta de perímetro”, destaca o presidente.
CRIMINALIDADE
O Conselho de Segurança de São João acredita que há uma relação muito estreita entre o aumento da criminalidade com o crescimento desordenado da cidade.
“A criação de bolsões despidos de infraestrutura e de equipamentos públicos acabam fomentando o surgimento da subcultura da delinquência. A insensibilidade e a ausência do Poder Público geram o descrédito, a apatia e a revolta da comunidade, fomentando o surgimento de toda a sorte de comportamentos antissociais, que faz com que o grupo passe a aceitar a violência como um modo normal de resolver os conflitos sociais”, reforça Noronha.
As estatísticas policiais revelam que os índices criminais dos bairros periféricos são bem mais expressivos, tanto da forma quantitativa como qualitativamente. Mas o presidente frisa que, num primeiro momento, a violência se circunscreve àquela região menos favorecida, mas depois transcende tais limites para atingir também as abastadas.
“Normalmente a sociedade não percebe conscientemente tal fenômeno porque não existem dados estatísticos a respeito. Mas é incontestável que, em áreas assim degradadas, a ausência do poder público é substituída pela atuação nefasta do crime organizado”.
O QUE FAZER
Desde o início da discussão do novo Plano Diretor, David Noronha confirma que o Conseg tem dedicado seus esforços para trazer informações de forma técnica, produzidas pelos maiores especialistas em urbanismo e crescimento das cidades (USP Cidades, Urban System e FGMF), através do Diagnóstico Sócio Econômico e Urbano e outras fontes.
“Nossa finalidade é a de conscientizar os conselhos municipais e a prefeitura de que o crescimento adotado nos últimos anos é prejudicial à qualidade de vida de São João da Boa Vista, apontando isso através de relatórios, palestras, entrevistas e inúmeras reuniões com lideranças de nossa cidade”, finaliza.



