Polícia Ambiental recebe parecer sobre morte de animais

Mortes: cachorros-do-mato foram encontrados e recolhidos em estado de decomposição (Divulgação/Polícia Militar Ambiental)

A Polícia Militar Ambiental recebeu na sexta-feira (8) o parecer do exame necroscópico sobre a morte dos cachorros-do-mato (Cerdocyon thous) encontrados recentemente na zona rural de São João da Boa Vista. As carcaças foram achadas há cerca de três semanas em diferentes pontos da Serra da Paulista. Três foram localizadas quarta-feira (22) por uma fotógrafa amadora que fazia caminhada pela área rural, enquanto que o quarto animal foi descoberto por um empresário na quinta-feira (23). Contudo, o jornal O MUNICIPIO recebeu relatos de outras pessoas que também teriam se deparado com exemplares mortos da espécie.

Ao tomar conhecimento do caso, a equipe policial realizou diligências pelo local e conseguiu encontrar duas carcaças, encaminhando-as para o Hospital Veterinário do UniFEOB (Centro Universitário Octávio Bastos) para a realização de exame necroscópico, com o intuito de descobrir a causa da morte dos cães.

No entanto, por conta do estado avançado de decomposição, não houve a possibilidade de definir uma causa mortis diante da análise de uma delas. “Em um deles nem houve a possibilidade; no outro, o que ficou evidente na análise é que constava uma fratura na região do osso esterno no tórax, o que pode ser uma pancada por ser na parte de baixo”, afirmou a médica veterinária Juliana Bonfante.

Segundo ela, acredita-se que o cachorro-do-mato analisado tenha morrido por atropelamento. “Ele tinha uma ruptura cardíaca que gerou uma hemorragia e que consequentemente resultou na morte”, relatou.

RELATÓRIO

Conforme o relatório veterinário, uma carcaça apresentava-se em estado avançado de decomposição, limitando a sua avaliação. “Já a outra também apresentava estado de decomposição, porém, menos avançado, sendo possível concluir no exame externo a presença de lesão em lateral de abdômen esquerdo – em que atingiu o músculo oblíquo externo do abdômen – e a presença de hematoma auricular com formação de fibrose, o que sugere lesão antiga. No exame interno, após a abertura das cavidades, verificou-se a presença de fratura em esterno com origem em manúbrio, além de ruptura de átrio esquerdo e presença de hemotórax e, os órgãos intra-abdominais, encontravam-se localizados em topografia habitual e sem presença de conteúdo em trato gastrointestinal”, conta no documento.

Finalizando o relatório, o histórico sugere trauma e provável causa mortis por choque hipovolêmico/hemorragia.

DOENÇA

Em recente entrevista, o ex-diretor do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) e médico veterinário Roberto Hoffmann levantou, dentre as hipóteses, a possibilidade de que as mortes dos cachorros-do-mato poderiam ser uma epizootia – doença entre animais, semelhante a uma epidemia em seres humanos – e até mesmo um indicativo da circulação local de uma alguma doença infecciosa potencialmente zoonótica – que pode ser transmitida de animais para humanos. Além disso, ele não descartou a possibilidade de raiva. “O adoecimento ou morte de animais silvestres de uma mesma espécie, em uma mesma área geograficamente próxima e com paisagens semelhantes, do ponto de vista epidemiológico, é considerado uma epizootia, e pode ser indicativo da circulação local de uma alguma enfermidade infecciosa potencialmente zoonótica”, afirmou Hoffmann.

No entanto, esta hipótese não pôde ser comprovada por meio de exames. Juliana explica que não há possibilidade de saber, justamente porque não havia como coletar material biológico por conta do avanço na decomposição do exemplar encontrado. “A análise da carcaça foi feita no dia 24 de julho e acredita-se que o animal tenha morrido pelo menos de três a cinco dias antes”, finalizou.

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