Quatro cachorros-do-mato são encontrados mortos em 24 horas

Polícia Militar Ambiental encontrou duas carcaças, as recolheu e as levou ao Hospital Veterinário do UniFEOB (Divulgação/Polícia Militar Ambiental)

Ao menos quatro cachorros-do-mato (Cerdocyon thous) – popularmente chamados de raposas-do-cerrado, raposinhas, dentre outros nomes – foram encontrados mortos nos arredores de São João da Boa Vista, especificamente em diferentes pontos da Serra da Paulista, entre quarta-feira (22) e quinta (23). Três deles foram localizados por uma fotógrafa amadora que fazia caminhada pela área rural, na quarta, e um quarto animal por um empresário, na quinta. Ambos fotografaram e postaram as imagens no Facebook.

Preliminarmente, a reportagem do O MUNICIPIO apurou que nenhum deles tinha sinais aparentes de violência e a causa das mortes só pode ser confirmada após uma análise mais acurada dos restos dos animais. Não se sabe até o momento se foram atropelados ou morreram por outro fator.

Segundo a fotógrafa amadora Regina Bernadete Ferreira, que localizou três dos animais da espécie, um deles estava na linha férrea nas imediações do bairro Alegre, outro às margens da linha do trem, nas proximidades do bairro Recanto do Bosque e o terceiro na estrada rural da Pedra Balão.

O quarto animal foi encontrado na estrada da Serra da Paulista, na quinta (23), pelo empresário Fabio Pimentel, que comentou em mesmo post publicado pela fotógrafa: “Acabei de achar um na Serra da Paulista. Sem sinal de violência. Também acabou de morrer”.

Fotógrafa amadora encontrou três dos animais (Reprodução/Regina Bernadete Ferreira)
Outro animal foi localizado por um empresário (Reprodução/Fábio Pimentel)

ESTRANHEZA
Plínio Aiub, médico veterinário e professor da disciplina Animais Silvestres do UniFEOB, estranha o fato das proximidades dos locais e curto intervalo das mortes, não descarta também o risco de atropelamento. Aiub acredita que o direcionamento à Polícia Militar Ambiental, tendo conhecimento dos fatos, possibilitará as coordenadas cabíveis.

“São pelo menos dois indivíduos na mesma área, íntegros aparentemente, e um terceiro que, pela distância, também pertence ao mesmo nicho, pode ser do mesmo grupo (alcateia) e isso tudo não é comum”, disse e completou: “ali naquela região – mata ciliar do rio da Prata e onde é um ‘braço’ de um corredor ecológico entre a fazenda Alegre e a fazenda-escola – eles transitam frequentemente”.

Ele comenta ainda que, no estado em que estão (cachorros-do-mato), não sabe se em nível biológico (coleta de material para exame) se é viável: “pode-se averiguar, talvez, lesões de tecido ou ósseo (mordidas, cortes, caça)”. Mas, embora cedo para apontar, adianta que os animais encontrados próximos à Serra da Paulista se enquadram mais no risco de atropelamento.

DILIGÊNCIAS
A Polícia Militar Ambiental foi procurada e uma equipe composta pelo sargento Melizi e cabo Elias (nomes de farda) começou as diligências nos locais apontados, ainda no começo da tarde de quinta (23). Porém, somente encontrou duas das carcaças: uma nas imediações da Serra do Paulista e a outra na estrada da Pedra Balão. A última já se encontrava em estado avançado de decomposição.

Informalmente, A PM apurou que foi visto, nas imediações da “oficina do cavalo”, um animal dessa espécie bastante machucado, possivelmente por briga com cachorro doméstico ou até mesmo atropelado. No entanto, essa carcaça não foi localizada.

Recolhidos, os dois animais mortos foram deixados no Hospital Veterinário do UniFEOB, que fará a necropsia com o propósito de constatar eventual morte por envenenamento. Contudo, segundo a veterinária Marieli Thais, a suspeita é que o animal encontrado na Serra do Paulista tenha sido vítima de atropelamento.

Por fim, conclui-se que, embora sejam quatro animais da mesma raça e espécie, trata-se de casos isolados e em locais distintos.
Conforme a PM, não fora encontrada nenhuma perfuração proveniente de arma de fogo, afastando, assim, a hipótese de caça predatória. Todavia, não foi afastada a hipótese de envenenamento, bem como acidente doméstico e/ou de trânsito. Os dados constam no Termo de Vistoria Ambiental nº.: 8.896/2020.

Outra história, mas que acabou bem

Há pouco mais de dois anos, um filhote macho de cachorro-do-mato, confundido com uma raposa, foi atropelado na avenida João Batista Bernardes, no Jardim Boa Vista, em São João, e resgatado por um casal de namorados. O caso aconteceu numa noite do dia 21 de março de 2018.

Sem saber de que espécie se tratava, o casal levou o animal ao Hospital Veterinário do campus Mantiqueira do UniFEOB, onde o mamífero ficou internado sob cuidados veterinários.

Na ocasião, a auxiliar administrativo Maria Gabriela de Oliveira, e o namorado, o arquiteto Helvet Franciolli Junior, haviam acabado de sair da casa dele, à rua José Michelazzo, quando se depararam com o filhote caído em meio à avenida e o resgataram.

“Ele estava caído na avenida, de frente para a mata que existe no local. E os carros passavam, desviavam e ninguém parava. Alguns chegaram a passar sobre o filhote. Ele estava desacordado, mas percebi antes que estava balançando o ‘rabinho’”, disse Gabriela, que à época não pensou duas vezes em recolher o animal da via.

“Peguei no colo e fui com ele no banco de trás do carro. Chegando ao hospital, comecei a gritar por ajuda, pois não sabia nem onde levá-lo. Alguns veterinários vieram em socorro, levaram o filhote e fiquei esperando por notícias. Após uns 40 minutos, voltaram e disseram que ficaria em observação. E eu achando antes que era um simples cachorro. ’Batizei’ ele de Alfredo [risos!]”.

Internação: filhote macho do cachorro-do-mato recebeu cuidados veterinários quando resgatado em 2018 (Arquivo/O MUNICIPIO)
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