Após dois meses, Hospital de Campanha segue fechado

José Eduardo: vereador questionou o motivo da unidade ainda estar fechada (Divulgação/Câmara Municipal)

Assim que foram detectados os primeiros casos do novo coronavírus (Covid-19) na região, a Prefeitura de São João da Boa Vista e o UniFAE (Centro Universitário das Faculdades Associadas de Ensino) realizaram uma ação conjunta e instalaram estrutura similar a um Hospital de Campanha para atendimento exclusivo de casos suspeitos da doença.

Situada ao lado da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e do Ambulatório Médico do UniFAE, no cruzamento das ruas da Saudade e Ernesto de Oliveira, na Vila Conrado, a estrutura temporária foi finalizada no início de abril, porém, até o momento não foi utilizada, o que tem gerado alguns questionamentos.

Recentemente, o vereador José Eduardo dos Reis (PSB) abordou o assunto em sessão ordinária na Câmara Municipal. Na ocasião, ele indagou o motivo do Hospital de Campanha ainda estar fechado e cobrou uma posição da Prefeitura sobre qual seria sua data de abertura. O edil relatou que havia rumores de que a unidade entraria em funcionamento no dia 1º de junho – o que não ocorreu – e até uma escala médica já estaria montada. “Pelo que observamos hoje [dia 1º], o Hospital de Campanha não abriu e o médico foi trabalhar. Só que teve que trabalhar na UPA”, comentou.

“Até agora não está funcionando. Foram solicitadas perguntas sobre este Hospital de Campanha e não tivemos respostas. Gastou-se para levantar e ainda deve estar gastando, pois tem a cobertura que deve ser alugada e a energia elétrica que não deve ser de graça”, mencionou.

José Eduardo explicou a importância da administração municipal esclarecer essas dúvidas, uma vez que nada foi divulgado até o momento. “Eu queria uma resposta do Poder Executivo. Por que não abriu? Quando que irá abrir? Hoje obtive uma resposta que não abriu ainda porque não tem funcionários e só houve a contratação dos médicos. […] Estamos numa via cega. Está escuro o ambiente. Eu queria que o [Poder] Executivo desse uma ‘clareada’ para a gente ajudar. Em momento nenhum essa é uma crítica destrutiva, mas sim construtiva, porque está parado e está gastando”.

UNIFAE

Diante dos questionamentos, o jornal O MUNICIPIO entrou em contato com o UniFAE e a Prefeitura para saber a respeito do caso. Em resposta, o Centro Universitário relatou que na parceria com administração municipal na montagem do Hospital de Campanha, cedeu os contêineres que já integravam seu patrimônio há cerca de dois anos – e alguns destes estavam instalados em Unidades de Saúde e já atendiam a população.

Sobre o início dos atendimentos aos suspeitos do novo coronavírus, ainda não se tem nada definido. “Quando ele [o Hospital de Campanha] vai entrar em operação é uma decisão das autoridades municipais da Saúde e do Comitê de Crise, que acompanham a disseminação do vírus e os pacientes que apresentam sintomas. O UniFAE desconhece os motivos pelos quais o Hospital de Campanha ainda não iniciou suas atividades”, informou o Centro Universitário.

Em relação ao quadro de médicos e demais profissionais que atuarão na unidade, o UniFAE explica que não é responsável por estas contratações e que disponibiliza seus professores e alunos para ajudar no atendimento. Já em relação aos gastos, o Centro Universitário destacou que não teve ou tem custo algum com o Hospital de Campanha. “A informação que temos é que a cobertura é alugada pela Prefeitura. Desconhecemos o valor”, relatou.

DEPARTAMENTO DE SAÚDE

Com relação às indagações feitas na Câmara Municipal, a diretora Heloísa Trafani, titular do Departamento de Saúde, encaminhou nota ao jornal, com o intuito de esclarecer as dúvidas. “O que temos a informar sobre o Hospital de Campanha é que os colaboradores já foram selecionados e estão em processo de contratação. O município precisava estar preparado com esta estrutura e fazer uso dela dependeria do avanço dos casos e da necessidade de segregação dos mesmos. Entendemos que este é o momento e, em breve, estará em funcionamento”, disse.

Em relação ao caso do médico citado por José Eduardo, que teria sido contratado para atender no Hospital de Campanha e foi prestar serviços na Unidade de Pronto Atendimento, ela afirma que não há nenhum impedimento nisso. “Quanto ao profissional médico, ele pode atender nas dependências da UPA”, alegou.

“A respeito do valor da estrutura está no site da Prefeitura Municipal. Ressaltamos que todas as decisões relacionadas à Covid-19 são feitas por um colegiado, pautando-se em levantamento dos casos e suas evoluções”, finalizou a diretora.

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