Professora de escola particular se reinventa para aula online

Online: o sanjoanense Miguel , do 4º ano do ensino fundamental, se prepara para aula (Fotos: Divulgação/Arquivo Pessoal)

Desde o início do isolamento social decretado pelo governador de São Paulo, João Doria (PSDB), no dia 24 de março, crianças e adolescentes estão tendo aulas em casa.

A professora Thaís Tavares, que trabalha no Colégio El Shadai, de São João da Boa Vista, leciona para as turmas do 4º ano do ensino fundamental. Em entrevista, ela contou ao O MUNICIPIO as adversidades que encontrou quando foi informada sobre a modificação da forma de ensino, de uma hora para outra.

“Logo no começo da pandemia, o colégio se posicionou em oferecer aos alunos esse suporte online, primeiramente via WhatsApp e depois por uma plataforma do Google, para que os alunos não interrompessem com as atividades desenvolvidas em sala. Foi bem difícil entender e aceitar que funcionaria dessa forma, mas tanto na visão particular como profissional, tentei desde o começo ser otimista, abraçando a oportunidade de continuar desenvolvendo as aulas apesar de toda insegurança que a situação nos colocou de repente”, disse.

Devido a essa nova maneira de conduzir as aulas à distância, onde pegou os professores desprevenidos, as tarefas diárias aumentaram de forma significativa, tanto para a escola quanto para os professores. Mesmo com as ferramentas virtuais, que vieram para auxiliar, o ensino presencial continua sendo o mais eficaz.

“A tecnologia oferece muitas ferramentas de interação que auxiliam nessa hora, mas nada supera ou substitui o presencial. A maior dificuldade nesta situação é exatamente essa dependência da tecnologia, já que nem sempre a internet funciona. A gente faz de tudo para manter a aula interessante e fácil de ser compreendida, mas não temos controle se o aluno está assimilando o conteúdo. Estamos passando por algo novo e nos vemos limitados em ensinar pequenos curiosos por meio de uma tela”, ressaltou.

TRANSMISSÃO

No caso do Colégio El Shadai, a aula é realizada ao vivo, com transmissão pelo Google Meet (ferramenta de comunicação por vídeo). Os alunos acessam com notebooks, tablets ou celulares e assistem em tempo real as atividades feitas com os professores.

“O tempo da aula foi reduzido e os comandos das atividades são feitos passo a passo com os alunos interagindo o tempo todo, por meio das ferramentas que a internet nos oferece. Contamos muito com a parceria das famílias nesse momento, com o auxílio aos alunos em casa. Acredito que nem todos os profissionais tenham o privilégio dessa segurança e apoio que recebemos do nosso colégio, a assistência da nossa equipe foi essencial para que a comunicação entre escola e família funcionasse da melhor forma possível”, contou.

Novidade: muitos colégios estão com novo formato de ensino

DIFICULDADES

Muitos professores, tanto da rede estadual e municipal quanto particular, estão encontrando dificuldades em ministrar aulas neste novo formato.

“Conforme fomos incluídos nessa nova forma de dar aulas, foram surgindo dificuldades com a tecnologia e a metodologia aplicada. Foi muito difícil no começo gravar aulas com uma câmera, me sentia desconfortável e insegura. Já tive situações inusitadas como a energia cair no meio da aula; o sinal da internet sumir; ter de gravar vários vídeos falando a mesma coisa até um ficar bom. Enfim, são situações incomuns para muitos de nós professores na qual tivemos que nos reinventar, aderir novas práticas virtuais e readaptar para passar por esse momento”, pontuou.

REDE PÚBLICA

Segundo a presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Maria Isabel Azevedo Noronha, mais da metade dos alunos da rede pública não tem acesso aos conteúdos disponibilizados.

“A condição do Colégio El Shadai é muito privilegiada, temos acesso as ferramentas e nosso público acompanha o trabalho da escola por compartilhar da condição de também possuir recursos necessários, o que infelizmente não acontece na maioria dos casos das escolas públicas da nossa cidade, Estado e País”, informou.

A realidade dos alunos da rede pública é bem diferente, já que não existe uma forma de nivelar o acesso da população. Para Thaís, é preciso ser oferecido outras formas de acesso ao ensino, de forma flexível, por parte das instituições públicas. O mais difícil nessa situação é alcançar a totalidade de alunos, tendo em vista todas as questões sociais e políticas envolvidas na área da educação.

“Muitos alunos da rede pública não têm acesso à internet, ou muito mais que isso, não têm apoio psicológico e estrutural das próprias famílias para seguir com os estudos. Em um tempo delicado como o que vivemos, questões e decisões que afetam diretamente a desigualdade do nosso País precisam ser pensadas e tomadas com muita cautela, em respeito a cada estudante e cidadão como um todo”, finalizou.

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de São João para saber com está a situação da rede pública da cidade, mas até o fechamento desta edição não obteve retorno.

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