Família vence novo coronavírus, mas narra momentos difíceis

Alívio: Fernando e Melina Gatto, juntamente com as filhas Alice (à esq.) e Helena, comemoram (Divulgação/Arquivo Pessoal)

Na última semana, uma família de São João da Boa Vista tornou público os momentos difíceis que viveu após a contaminação pelo novo coronavírus (Covid-19). Agora curado, o jovem casal Fernando e Melina Gatto, de 46 e 34 anos, respectivamente, revela tudo que passou, no sentido de orientar outras pessoas e demonstrar que é possível vencer a doença.

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Fernando Gatto é médico concursado do Samu de Osasco e médico concursado do Conderg, atuando em São José do Rio Pardo e São João da Boa Vista, e conselheiro do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp).

No dia 20 de abril, Fernando começa a ter tosse, mas como tinha tido sintoma semelhante na semana anterior e passou, ele achou que não era nada.

Já no dia 23, Fernando começou a apresentar cansaço. “Na sexta (24) faltou no plantão, se afastou do trabalho e se isolou num quarto em casa. Ficou de cama e iniciou a febre”, contou Melina.

E no sábado (25), ela também começa a sentir sintomas diferentes, acorda afônica, com dor e queimação na garganta que vinha desde a região das amígdalas até o meio do peito. “Achamos estranho e Fernando me receitou Azitromicina. A dor persistiu e na segunda-feira já não sentíamos cheiro nem gosto de nada. Então, fizemos uma coleta de swab nesse mesmo dia, e notificamos a Vigilância Epidemiológica de São João”, lembrou.

Mesmo tomando Azitromicina, eles passaram de cama e indispostos todos os outros dias. Melina diz que levantava apenas para cozinhar para as filhas, Alice e Helena, de 3 e 9 anos, respectivamente.

A febre persistia, tinham cansaço, dor de cabeça, diarreia, vômito e dor no peito para respirar.

Na quarta (29), a filha de três anos começa a ter diarreia, vômito e febre alta, reclamando de dor na garganta. Levada ao pediatra, a menina tomou uma Benzetacil, teve febre por mais dois dias e depois não teve mais nada. Já a filha de nove anos não teve nenhum sintoma.

No meio de tudo isso, os resultados dos exames retornaram e confirmaram que Melina, Fernando e a filha mais nova estavam com Covid. Helena, 9, não teve indicação de fazer o exame, conforme o protocolo de tratamento, por não ter tido nenhum sintoma, o que indica que a jovem deve ser assintomática à doença.

ALERTA
O pior dia para o casal ocorreu quando Melina estava com oito dias de sintomas e Fernando com 12 dias. Melina acordou com muita falta de ar, dificuldade e dor para respirar e muito cansada, sem conseguir ficar em pé e fazer movimentos. “Nós acionamos colegas médicos e indicaram irmos à UPA”, contou.

Ao passar pela Unidade de Pronto Atendimento (UPA), são encaminhados à Santa Casa, onde fazem uma tomografia e descobrem que estão com parte dos pulmões comprometidos, Melina com pouco menos de 20% e Fernando com 25% de comprometimento.

“As lesões eram típicas de Covid, com aspecto de vidro fosco. O Fernando estava mais comprometido e ele nem apresentou sintomas piores como eu. Fizemos também eletro, para podermos usar a medicação, e os dois deram normais”, detalhou.

A indicação do hospital era que o casal e as filhas ficassem internados, mas por Fernando ser médico, os dois optaram por tratar em casa para não expor mais as meninas.

Com auxílio de um colega médico do Emílio Ribas, Fernando e Melina deram início ao tratamento que tem sido parte de um protocolo em muitos hospitais de São Paulo, com uso da Hidroxicloroquina.

Assim, eles começaram o tratamento com Claritromicina, Predisin, Hidroxicloroquina e Dipirona para febre. “O médico orientou a monitorar os sinais vitais, fazer repouso, avisar se apresentássemos qualquer piora e voltar ao hospital em caso de dificuldade respiratória. Sentimos melhora depois de entrar com os remédios”, revelou.

A família ressalta o bom atendimento que teve na rede pública de São João, que foi inclusive quem forneceu a Hidroxicloroquina.

Agora curados, comemoram e garantem que a Covid-19 não é algo simples. “Realmente pode até ser para alguns, mas para nós aqui não foi”, garantiu Melina, que ressalta que a Hidroxicloroquina fez diferença no tratamento e não apresentou nenhum sintoma colateral.
E Fernando completa: “O pior da doença foi a incerteza da evolução e o medo pelas crianças, sem saber quem ficaria com elas se fôssemos internados”.

A mensagem que deixam é: “Se apresentar mínimos sinais da doença, se isole e informe a Vigilância Epidemiológica, que lhe orientará em como proceder”.

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