
Depois de 69 dias de paralisação da Bundesliga (ou Campeonato Alemão), por conta da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), a bola finalmente vai rolar na ‘terra da cerveja’. A competição será a primeira grande liga do mundo a retomar as atividades que volta neste fim de semana, mas com portões fechados e algumas restrições, como por exemplo, os jogadores irão lavar os próprios uniformes em casa, quem marcar gol não poderá comemorar com os colegas de equipe, os técnicos e reservas serão obrigados a utilizar máscara durante as partidas, entre outras.
A reportagem do O MUNICIPIO conversou com Claudio de Jesus Sabino, ou apenas Claudinho, que é natural de São João da Boa Vista e está há 15 anos morando na Alemanha; mais precisamente em Langenbach, um vilarejo de 700 habitantes, próximo de Munique.
Claudinho completará 40 anos no dia 30 de maio e joga futebol na 9ª divisão da Alemanha, além de ser soldador de estrutura metálica.
“NÃO DEVERIA VOLTAR”
O sanjoanense viveu de perto o auge da pandemia na Europa e afirmou que discorda da decisão da Liga Alemã de Futebol de liberar os clubes para retomar os treinamentos e jogos.
“Eu acho que não deveria voltar, esses jogadores ganham milhões e se ficarem cinco meses sem receber não irão passar fome e nem morrer. Agora uma pessoa que tem família para cuidar e não tem como trabalhar para se alimentar ou pagar aluguel, fica complicado. O campeão vai ser o Bayern de Munique mesmo não precisava nem voltar, essa é a minha opinião”, disse.
O Bayern lidera o Alemão com 55 pontos, após 25 rodadas (faltam nove). O Borussia Dortmund ocupa a vice-liderança, com 51 pontos, e já retorna com um clássico contra o Schalke 04, neste sábado (16), às 10h30, para tentar diminuir a diferença para os bávaros.
AS DIFICULDADES DE INÍCIO
Em São João, Claudinho sempre foi ligado ao futebol. Jogava os campeonatos locais defendendo a Esportiva, até surgir essa oportunidade de mudar completamente de vida.
“Fui primeiro para Portugal, lá tive a oportunidade de conhecer um brasileiro que tinha acabado de sair da da Alemanha, da casa da tia dele, e eu perguntei se lá tinha alguma coisa para fazer, como jogar futebol ou trabalhar em alguma outra coisa. Ele conversou com a tia dele que me ajudou muito, me oferecendo casa e comida. Não pensei duas vezes e fui para a Alemanha, onde estou até hoje, casado e com filho”, comentou.
No início foi difícil para Claudinho adaptar com a vida na Alemanha, ele ficou seis meses sem sair de casa, pois era justamente no inverno.
“Eu nunca tinha visto neve na vida e foram seis meses só de frio, pensei que não ia acabar nunca, cheguei a pegar 25 graus negativos. Fora isso teve a dificuldade com a língua que não é fácil, não entendia absolutamente nada, mas aprendi falar cerveja [que é bier] rapidinho”, brincou.
SUPERAÇÃO
Claudinho tinha uma meta que era vencer na vida. Isso serviu de motivação para acordar e batalhar todos os dias.
“O que fazia eu correr atrás era a vontade de vencer e conquistar alguma coisa para a minha mãe e minha família, eu chorava todos os dias de saudades. Eu chegava no espelho e batia no próprio rosto e falava ‘ninguém pediu para você vir, está aqui porque quer e agora não vai desistir’. Assim o tempo foi passando, em dois anos eu perdi minha tia e minha mãe. Não pude ver ninguém e isso dói muito e procuro não pensar nisso”, contou emocionado.
FUTEBOL ABRINDO PORTAS
Claudinho atualmente joga na 9ª divisão na Alemanha, mas chegou a jogar na 4ª divisão, o mais longe que conseguiu, mas além disso, o futebol foi onde abriu as portas para ele se encontrar no país europeu.
“O futebol me ajudou muito a conquistar as coisas aqui, foi onde fiz amigos e consegui ter oportunidades, e claro, sempre sendo honesto, não querendo passar ninguém para trás. Hoje eu trabalho de soldador de estrutura metálica, faz dez anos aprendi a profissão e trabalho aqui no vilarejo onde moro mesmo”, explicou.

QUARENTENA
A Alemanha tem pouco mais de 83 milhões de habitantes e foi um dos países que mais sofreu com o ataque do novo coronavírus. Segundo apuração do O MUNICIPIO, foram 175 mil casos confirmados, 150 mil recuperados e 7.941 mortes.
“Na quarentena mudou muito a nossa rotina por aqui, mas sigo trabalhando normal, sem muito contato com os amigos, sem apertar a mão, mas como moro em um vilarejo, é muito mais fácil de conviver do que quem mora em grandes cidades com aglomeração, mas eu estou sentindo falta de fazer as festas com minha família e amigos na minha casa, agora vou do trabalho para casa e de casa para o trabalho”, pontuou.

SOLUÇÃO
Mesmo em momentos de dificuldade, a Alemanha está conseguindo, aos poucos, solucionar o problema da pandemia.
“É difícil fazer essa comparação, o Brasil é muito grande se comparando com a Alemanha, mas o problema começa lá de cima, com a política e as pessoas normais não tem muito opção, é preciso fazer como mandam, finalizou.




