
O Sistema de Monitoramento Inteligente (Simi) do governo do Estado de São Paulo apontou que São João da Boa Vista afrouxou o isolamento social no final de semana e registrou 56% no sábado (25) e 62% no domingo (26). Na segunda (27), a taxa voltou a cair e ficou em 50%.
Já na quarta (22) e na quinta (23) ficou em 51%, e na sexta (24) 50%. A cidade já chegou a 37% em 12 de março, mas voltou a registrar altos índices ao logo das últimas semanas, descumprindo o isolamento.
E a maioria absoluta dos profissionais de saúde do País aponta que o isolamento social ainda é o meio mais eficiente para conter a disseminação da Covid-19 no Brasil. No momento, especialistas cientistas do mundo todo não encontraram uma vacina ou medicamento eficaz e comprovadamente capaz de curar a doença.
Assim, a recomendação seguida pela maioria dos países é o isolamento, popularmente chamada de ‘quarentena’, método também indicado pela OMS (Organização Mundial da Saúde).
Mas, ao contrário dessa linha de pensamento, o ministro da Saúde Nelson Teich, alinhado com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), afirmou que o governo prepara diretrizes para reduzir o isolamento social, alegando que não há “crescimento explosivo” da Covid-19 no Brasil.
No entanto, profissionais da medicina alertam que é preciso levar em conta a subnotificação, a estrutura de saúde e o crescimento da disseminação do contágio no País, que está entre os 15 países com o maior número de casos no mundo – já são mais de 64 mil casos de Covid-19.
Pedro Hallal, epidemiologista e professor da Universidade Federal de Pelotas (RS), afirmou, em entrevista à imprensa, que o Brasil, ou qualquer outro país, pode ser o próximo epicentro da pandemia, desde que não tome atitudes preventivas baseadas em evidências científicas.
“No momento, a obtenção de dados epidemiológicos sobre a infecção na população, a manutenção do distanciamento social e a ampliação da política de testes são iniciativas que podem nos ajudar a evitar que sejamos o próximo epicentro”, garantiu.
Wladimir Queiroz, infectologista do Instituto de Infectologia Emílio Ribas (SP) e membro da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), tem entendimento semelhante: “Depende de como será a política de isolamento e de como ela vai ser mantida. Se ela for corretamente mantida, existe chance de não sermos o novo epicentro da pandemia. Se isso for quebrado, acho que não vai ter como não ser o novo epicentro”.
E até mesmo para aqueles que acreditam que o Brasil não será um epicentro da doença, o isolamento social foi considerado fundamental. “Minha opinião é que o Brasil não deve virar o epicentro da pandemia e não deve ser o País com o maior número de casos. Especialmente porque algumas medidas foram tomadas de forma bastante precoce, como isolamento social”, disse Gustavo Campana, diretor médico da Diagnósticos da América S.A (Dasa).
Portanto, as medidas preventivas serão essenciais para segurar a transmissão. Em São João, por exemplo, a Caixa Federal vem registrando filas enormes, que ‘invadem’ a praça Cel. Joaquim José, mas muitas pessoas permanecem no local sem máscaras.
DESCUMPRIMENTO
Mesmo diante do clamor das autoridades de saúde para que as pessoas evitem sair de suas casas, especialmente para festas e churrascos entre amigos e familiares que não moram na mesma residência, parte da população ignora.
Na região de São João, vários casos vieram à tona e o Ministério Público de diversas cidades devem investigar os possíveis organizadores e participantes.
Em Aguaí, um churrasco entre amigos teria sido o ponto de contaminação de diversas pessoas, sendo que uma delas teria morrido em razão da doença.
Em São José do Rio Pardo, no último final de semana, cerca de 100 jovens realizaram uma festa chamada de ‘pancadão’ em torno da imagem do Cristo Redentor da cidade. Fotos circulam nas redes sociais e o Ministério Público local já tem conhecimento do caso.
Em São João, diversos encontros em chácaras, sítios e fazendas foram denunciados no último final de semana e não se sabe se a polícia ou o MP vão investigar tais eventos.





