Crise faz pequenas empresas se reinventarem

Mudando o foco: empresários investem em sanduíches populares ‘repaginados’ (Divulgação/Cachorra Lanches)

Com a pandemia do novo coronavírus (Covid-19), o comércio e as pequenas empresas têm sentido os efeitos das medidas de isolamento social e fechamento de estabelecimentos não essenciais em todo país. Em meio a este cenário econômico turbulento, encontrar novos modelos e até mesmo reinventar o próprio negócio são os principais desafios do empreendedor.

Diante deste panorama, os empresários Paulo Vieira Rosa e Felipe Sabino precisaram usar a criatividade e a ousadia para driblar a crise. Proprietários da hamburgueria Hills Burguer e do barzinho Quintal – ambos à avenida Doutor Durval Nicolau –, eles tiveram seus empreendimentos diretamente impactados pelos decretos estadual e municipal, uma vez que ambos os estabelecimentos são conhecidos por seus lanches e pratos requintados.

Com as pessoas procurando economizar mais e dando preferência aos serviços delivery, a dupla resolveu colocar em prática um antigo sonho.

“A gente sempre teve um projeto engavetado, onde pegaríamos os mesmos produtos que já trabalhamos no Hills e no Quintal, como a carne Angus, os pães e as verduras, por exemplo, para fazermos um lanche de entrada por um custo mais barato”, explicou Paulo.

A ideia saiu do papel e o novo empreendimento ganhou o nome de Cadela Lanches, em homenagem a pequena Samba, uma cachorrinha de rua que foi adotada por Paulo e sua equipe. O empresário explica que a ideia é produzir os lanches populares – como x-salada, x-bacon, entre outros – ‘repaginados’, ou seja, com ingredientes de qualidade e sabor diferenciados, porém, por preços acessíveis.

“Queremos trazer aquele gosto de lanche de antigamente, o ‘simplão’, o ‘de praça’, de ‘final de balada’, o hambúrguer da memória afetiva. Tudo o que podíamos fazer dentro da cozinha e já fazíamos para o Quintal e o Hills, nós desenvolvemos para o Cadela Lanches. Essa foi ‘a sacada’: um lanche mais barato nesse momento onde todo mundo é obrigado a ficar em casa”, comentou.

 

INVESTIMENTOS E REFLEXOS

Com a criação deste novo empreendimento, Paulo conta que fez uma série de investimentos, seguindo as normas de prevenção ao novo coronavírus, aumentado os pontos de álcool em gel para os funcionários, os quais também fizeram cursos sobre higienização, entre outros cuidados básicos.

No entanto, a maior mudança foi investir no delivery, onde precisou aumentar a equipe responsável por este serviço. E a resposta do público tem sido positiva. “Apesar da primeira compra ter sido difícil, a nossa recompra tem sido muito grande. Isso vai de encontro ao fato das pessoas estarem sempre procurando uma qualidade melhor e onde sabem que a higiene é tratada melhor”, disse.

 

ENFRENTANDO AS DIFICULDADES

Para superar este período nebuloso da economia, Paulo destaca que é fundamental os empresários não se estagnarem. “Tenho conversado com muita gente que está esperando a crise passar e acaba não trabalhando este desenvolvimento de novos produtos ou uma nova marca dentro das possibilidades que cada um tem”, lamentou.

O empreendedor frisa que, diante deste panorama, se reinventar e não poupar criatividade fazem a diferença no mercado. “O pessoal que está fazendo alguma coisa diferente pra conseguir passar por este momento de crise, ressalta o que o brasileiro tem de melhor: a criatividade”, destacou. “A maneira como estamos lidando com a crise, estamos criando novos produtos e trabalhando ao invés de estarmos introspectivos ou tristes pela situação. Acho que é isso que vai nos ajudar a passarmos por este momento”, concluiu.

 

“Tem que criar, inovar e cativar o cliente a pedir”, comenta empresário

Ney Balla: cardápio elaborado dentro de rigorosa higienização (Leandro Gulin/O MUNICIPIO)

Outro estabelecimento que também precisou se reinventar é o Sr. Bauru. Situada à rua General Carneiro, no Centro, a lanchonete passou a abrir no horário de almoço e a servir novos pratos diferenciados para cativar o público consumidor.

“Antes da crise, o consumo era maior. As pessoas vinham, tomavam algumas cervejas ou um suco, comiam uma porção de batatas. Hoje mudou muito. A pessoa faz seu pedido, mas já tem sua cerveja em casa. E geralmente pede um lanche só”, relatou o empresário Ney Balla, responsável pelo estabelecimento.

Com o isolamento social, o Sr. Bauru também precisou se adequar às mudanças de comportamento do público. Para isso, a alternativa adotada foi apelar para a criatividade e novos pratos para atrair a freguesia no serviço delivery. “Antes da crise, estávamos com dois projetos. Um era vender combos mais baratos e o outro era servir um almoço diferenciado, trabalhando à la carte e com ingredientes de primeira”, contou.

Faz duas semanas que Ney colocou esta ideia em prática e começou a abrir no horário de almoço. De acordo com ele, a procura tem sido grande, principalmente por pratos como a parmegiana e a porção de filé escondido. Já durante a noite, o torresmo de rolo tem se destacado entre os pedidos. “Estamos arrebentando graças a Deus!”, afirmou entusiasmado.

Para Ney, durante este período de crise, o grande diferencial é a atitude. “A gente corre, posta, faz as coisas e não ficamos parados. Hoje o comércio, principalmente no ramo alimentício, se o cara parou, está perdido!”, aconselhou. “Tem que criar, inovar e cativar o cliente a pedir”, destacou.

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