Faculdades se mobilizam no combate ao novo coronavírus

UniFAE: alunos produzem álcool em gel e sabonete líquido para emergência (Divulgação/UniFAE)

Desde que se iniciaram as ações de prevenção ao novo coronavírus (Covid-19), o UniFAE e o UniFEOB têm se mobilizado para ajudar a comunidade. Embora as aulas presenciais estejam suspensas, ambas as instituições de ensino contam com o apoio de seus universitários e professores, os quais estão trabalhando na produção dos produtos utilizados na assepsia e na proteção contra o vírus.

No UniFAE, por exemplo, alguns alunos dos cursos de Farmácia, Enfermagem e Engenharia Química estão trabalhando na produção de álcool gel e sabonete líquido, itens considerados fundamentais no combate ao coronavírus, conforme a orientação da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Esta prática – que já acontece rotineiramente como parte do projeto pedagógico – neste momento ganha uma importância especial segundo o professor assistente do Laboratório de Farmácia, Joel Gutierrez. “Esta produção adicional tem o objetivo de subsidiar as necessidades de assepsia da Instituição, garantindo a segurança dos funcionários que se encontram trabalhando em esquema de turnos”, comentou.

Para Adriana Cristina Viudes, aluna do 3º semestre de Farmácia, a experiência está sendo muito importante. “Ao mesmo tempo em que estamos aprendendo, também estamos suprindo a demanda por álcool gel que desapareceu do mercado. É uma oportunidade gratificante contribuir com algo que pode ajudar a conter esta epidemia”, relatou.

 

APRENDIZADO

De acordo com Helder Luís Azevedo da Silva, professor e coordenador da Fábrica-Escola, responsável pela produção do sabonete-líquido, esta é também uma possibilidade de os estudantes vivenciarem aspectos específicos do processo que não podem ser vistos numa aula teórica. “O teste de viscosidade, por exemplo, só pode ser feito na prática, assim como a etapa de envasamento”, frisou.

 

VOLUNTARIADO

Além dos aspectos pedagógicos, a professora Ana Paula Sendão, coordenadora do curso de Farmácia, ressalta a atitude humanitária dos alunos que se voluntariaram para a tarefa. “No momento, estamos utilizando o estoque que já tínhamos, mas aguardando a chegada de mais matéria-prima para que possamos atender, em caráter emergencial, também a solicitações feitas por instituições da área de Saúde de São João”.

 

MÁSCARAS PARA A REGIÃO

UniFEOB: mais de 1.000 máscaras já foram confeccionadas na Maqueteria (Divulgação/UniFEOB)

Diante da crescente procura por máscaras capazes de proteger profissionais de saúde do coronavírus, o estudante de Arquitetura e Urbanismo do UniFEOB, Flávio Diaferia, de Aguaí, se prontificou a colaborar ativamente. Desde quinta-feira (26), ele utiliza a Maquetaria do Centro Universitário para suprir a necessidade da região por esse material.

“A ideia surgiu por causa de uma reportagem que vi. A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) estava procurando voluntários para imprimir a máscara em 3D, então nos prontificamos a fazer”, explicou.

A partir da próxima semana serão doadas 365 unidades para São João, 220 para Aguaí, 80 para Águas da Prata, 170 para Poços de Caldas e 200 para a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que mobiliza uma força tarefa para realizar testes de diagnóstico de Covid-19. Flávio diz que tudo o que quer é ajudar com o que estiver ao seu alcance. “Temos que ter consciência do que está acontecendo e nos colocarmos à disposição da sociedade. Assim, venceremos essa guerra”, afirmou.

 

PRODUÇÃO

Flávio é diretor executivo da Multiway, empresa de soluções de infraestrutura para datacenter, telecom e elétrica. Quando ele e sua equipe finalizaram a primeira unidade, os engenheiros informaram que levaria cerca de três horas para a fabricação de cada uma. Ao utilizar recursos próprios e aprimorar o processo, conseguiram reduzir o tempo para 2,5 minutos por máscara.  “Como não temos a máquina de corte a laser, pedimos para usar a da Maquetaria do UniFEOB, que nos auxiliou”, contou.

O coordenador de Arquitetura e Urbanismo da UniFEOB, Ricardo Ciaco, não hesitou em oferecer o auxílio. “Nós estávamos com o equipamento parado por conta da quarentena. Por que não ajudar? O Flávio não tinha ninguém que fizesse o corte a laser desse acetato no formato certo, com a precisão dos furos e tudo mais”, relatou. “Entrei em contato com o Nicolas e com o Otto, os técnicos da Maquetaria, que estavam em home office. E eles toparam imediatamente”.

A máscara é um protetor facial usado por profissionais da saúde. Ricardo explica que o processo de produção é simples. “É pegar o projeto, adequar o nosso equipamento a ele, colocar o material e cortar. Eles estão finalizando aproximadamente quatrocentas máscaras por dia”. O coordenador ressalta a importância de ajudar uns aos outros nesse momento de crise. “A Unifeob está fazendo isso em diversas frentes, essa é apenas mais uma delas”, destacou o coordenador.

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