Advogadas falam da luta das mulheres e o espaço na OAB

Destaques: Juliana Borsari e Bruna Maldonado da Costa (Bruno Manson/O MUNICIPIO)

O Dia Internacional da Mulher, celebrado neste 8 de março, movimenta reflexões por todo o Brasil. E O MUNICIPIO conversou com duas advogadas que alcançaram espaço dentro de um universo dominado por homens: cargos de direção na Ordem dos Advogados do Brasil.

Juliana Marques Borsari, vice-presidente da Subseção da OAB de São João da Boa Vista, afirma que comemorar o Dia Internacional da Mulher é algo de extrema relevância no universo feminino, pois diz que as mulheres sempre tiveram um papel inexpressivo na sociedade no passado.

“Quando falamos em conquistas de direitos, na primeira Constituição do Brasil, de 1824, as mulheres não tinham nenhuma participação na sociedade. As mulheres que tinham alguma relevância eram porque tinham expressividade junto à família real. Elas tinham alguma pouca relevância por isso”, lembrou.

Mas, de 1824 até a Constituição de 1988, Juliana ressalta que as mulheres conquistaram muitos direitos. “A CF de 88 é um marco interessante nestas conquistas, pois ela trouxe como princípio basilar a igualdade de direitos e obrigações entre homens e mulheres. Trazendo a mulher para esse papel mais igualitário e tirando-a daquele papel de submissão, de servir o homem”, contou.

A advogada ainda lembra outras conquistas trazidas às mulheres pela Constituição de 88, como o reconhecimento da licença maternidade, a estabilidade de gestante, a proteção no trabalho, entre outras.

“Isso é uma luta constante. Tivemos uma evolução em termos de conquista de direitos, mas isso ainda não está perfeito, a mulher se encontra em constante luta pelos seus direitos. Se pensarmos em cargos de direção, sabemos que a mulher ainda representa número muito baixo nesses cargos mais importantes na sociedade. Embora a maioria da sociedade seja de mulheres, elas são apenas 15% dos parlamentares no Congresso Nacional”, revelou.

No universo da advocacia, onde atua, Juliana faz o mesmo apontamento: “as mulheres são metade dos profissionais, porém nenhuma ocupou o cargo de presidente do Conselho Federal da OAB”.

No entanto, ela diz que no Estado de São Paulo a nova gestão da OAB vem tentando mudar esse quadro, trabalhando para diminuir a distância das mulheres em cargos de direção.

“As mulheres estão à frente de 50 subseções no Estado de São Paulo e a Ordem incentiva a participação delas. Acho interessante pensar em novas conquistas que a OAB trouxe nesse universo de proteção da mulher, que é a decisão do Conselho Federal de que a violência contra a mulher impede a inscrição nos quadros da instituição. Então, o agressor da mulher é impedido de se inscrever como advogado. A isenção da anuidade no ano da maternidade é outra ação importante da nossa classe”.

Juliana finaliza ressaltando a importância da abertura desses espaços para as mulheres. “Tirar essa igualdade do papel e fazê-lo acontecer na prática, seja nos cargos diretivos de empresas, onde as mulheres ganham menos, seja nos órgãos governamentais ou de classe. O papel da mulher é bastante importante, pois são olhares diferentes, sentimentos diferentes, concepções diferentes, que podem agregar no universo masculino. O olhar da mulher é mais fraternal, maternal, cuidadoso, que se complementa ao olhar masculino. A mulher precisa ser ouvida e seus pensamentos, colocados em prática”.

COMISSÃO
A advogada Bruna V. Maldonado da Costa, presidente da Comissão da Mulher Advogada da OAB São João, explica que a atual gestão nasceu com o objetivo de trazer representatividade às mulheres dentro da subseção.

“De igual modo, a comissão serve como canal de apoio e também como intermediária entre as advogadas e a diretoria. Dentro da comissão contamos com duas vertentes, uma voltada para as mulheres da sociedade, principalmente àquelas em situação de vulnerabilidade social, como as que são vítimas de violência, para as quais iniciaremos um projeto ainda neste semestre”, anunciou.

Para as mulheres advogadas, Bruna diz que buscam criar projetos sempre voltados para o autoconhecimento e empoderamento feminino da classe. “O que pretendemos é a criação de um vínculo entre as mesmas, com empatia e companheirismo, criando uma corrente de mobilização e apoio, a fim de alcançar um objetivo em comum, que é o reconhecimento dentro da nossa profissão”.

E a advogada faz um alerta neste Dia da Mulher: “É muito importante termos a consciência de que, muito embora o número de matrículas entre homens e mulheres seja, basicamente, o mesmo nos cursos de Direito, não vemos esse mesmo equilíbrio nos espaços de destaque no mercado de trabalho. E isso nada mais é do que o reflexo dos 400 anos de diferença entre a inscrição do primeiro homem e da primeira mulher nos quadros da advocacia brasileira. Assim, o Dia da Mulher não deve ser sobre flores ou chocolates, mas sobre reconhecimento, equiparação de direitos e respeito. É isso o que desejamos todos os dias”, pontuou.

COMPARTILHAR

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here