
Cidades da região contam apenas com sete delegados para atender municípios abrangidos pela Delegacia Seccional, que tem por titular o delegado seccional Paulo Hadich. Além de São João, o órgão é responsável por atender Aguaí, Águas da Prata, Divinolândia, Espírito Santo do Pinhal, Santo Antônio do Jardim, São Sebastião da Grama e Vargem Grande do Sul.
Em entrevista ao O MUNICIPIO, Hadich relatou que a Polícia Civil vem trabalhando para repor os quadros. “Já recebemos autorização para a contratação de mais policiais. Foram nomeados recentemente 250 delegados, que serão encaminhados à Academia de Polícia e, após este prazo, serão distribuídos pelo Estado. Naturalmente não irão repor todo o déficit, mas auxiliarão bastante quando vierem aqui para nossa região”, disse.
“A Polícia Civil não realizou a quantidade de concursos necessários, há algum tempo, a ponto de repor os quadros, porque não conseguiu na época a autorização da Fazenda do Estado, mas estamos na luta para repor estes quadros”, completou.
TRABALHO
Hadich comentou que a forma de trabalho do delegado tem mudado com o passar do tempo. “No passado, os delegados eram fixados por matéria e por região, onde cada um era responsável. No caso de São João, por exemplo, cada distrito tinha um delegado responsável. Hoje nós trabalhamos a criminalidade como um todo”, afirmou.
“Antigamente, o criminoso morava em um determinado bairro e atuava naquele bairro ou no máximo em um bairro vizinho. Hoje em dia, o criminoso mora em uma cidade e atua em outra e, às vezes, até em outro Estado. A criminalidade adquiriu uma característica regional e, às vezes, até nacional. E a Polícia Civil também se moderniza. É por isso que, mesmo em face desta deficiência de funcionários que temos – principalmente delegados –, nós temos conseguido elevar os números de apuração e prisões feitos pela Polícia Civil”, destacou.
O seccional ainda relatou que a investigação tem sido o foco do trabalho. “Nós temos priorizado a razão de ser e de existir da Polícia Civil, que é a investigação. Nós podemos fazer policiamento preventivo especializado, mas esta é uma função maior da Polícia Militar e também da Guarda Municipal. Atendimento todos nós fazemos, mas investigação é somente a Polícia Civil. Por isso temos priorizado e trabalhado especificamente este quesito como sendo a nossa área de atuação, nosso verdadeiro cartão de visitas e a contribuição maior que podemos dar à sociedade em termos de segurança”, finalizou.
DELEGADOS NOMEADOS
Foi publicada sábado (1º), no Diário Oficial do Estado de São Paulo, a nomeação de 250 delegados de polícia aprovados em concurso. Após a posse, eles iniciarão o curso na Academia de Polícia (Acadepol) e, posteriormente, serão distribuídos por todo o território paulista. Apesar desta quantidade de contratações, o déficit ainda é grande.
Segundo o Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp), esta contratação ainda é insuficiente em razão da defasagem de profissionais na instituição.
“A defasagem de delegados é um problema que vem sendo amplificado ao longo destes mais de 20 anos, quando a falta de investimentos na instituição e na reposição dos quadros de policiais criou um abismo cada vez maior se comparado com o crescimento populacional”, enfatizou a delegada Raquel Kobashi Gallinati, presidente do sindicato.
De acordo com ela, um levantamento estatístico aponta que, desde janeiro de 2016, o total de provimentos de novos delegados chega a 530 profissionais, já considerando os 250 do último anúncio.
“No mesmo período, as baixas somam 594 pessoas. Mesmo com as novas nomeações, o quadro de delegados de polícia foi reduzido em 64 profissionais nos últimos quatro anos. Ou seja, as nomeações não vão reverter o quadro atual de delegados sendo responsáveis por mais de um distrito policial na mesma região, em muitos casos, responsáveis pela investigação e trabalho de Polícia Judiciária em três ou mais cidades do interior”, explicou.
DEFASÔMETRO
De acordo com o ‘Defasômetro’ publicado pelo Sindpesp, a Polícia Civil fechou o ano passado com um déficit de 945 delegados – dos 3.463 cargos existentes por lei, somente 2.518 estavam ocupados.
“Com a falta de nomeações, a reposição de profissionais fica comprometida. Com isso, delegados que já preenchem os requisitos para a aposentadoria seguem trabalhando. No final de 2019, um total de 43% dos delegados paulistas já tinha direito à aposentadoria. Ou seja, é uma carreira sobrecarregada, sem condições materiais de trabalho e envelhecida”, declarou a presidente.
ASSOCIAÇÃO
Em nota à imprensa, a Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Adpesp) disse reconhecer os esforços do Governo Estadual em preencher as vagas em aberto na Polícia Civil, porém, destacou que o último concurso foi realizado há três anos e ainda alertou que, caso este ritmo seja mantido, o déficit de 14 mil policiais civis nunca será reduzido.
O órgão ainda frisou que os baixíssimos salários – o Estado de São Paulo paga os piores salários do país aos seus policiais – fazem com que estes profissionais deixem os cargos para outras carreiras mais atraentes. Ou seja, a evasão cresce em ritmo mais acelerado do que a contratação.
“A Associação dos Delegados tem estudos para novos modelos e mudanças na instituição, bem como propostas para recomposição salarial e fortalecimento da Polícia Civil. Tentamos diuturnamente conversar com o governador, mas nos causa estranheza a falta de diálogo que ele tem com as entidades de classe”, pontuou Gustavo Mesquita Galvão Bueno, presidente da Adpesp.




