
Na edição anterior de O MUNICIPIO, a jovem Guiomar Novaes, recém chegada aos Estados Unidos, conquistou o crítico musical Henri T. Fink, do New York Evening Post, após a performance de um ‘Scherzo’ de Chopin.
Mas o sucesso da pianista adolescente na terra do Tio Sam viria como consequência natural e um fator curioso é que a admiração dos americanos por Guiomar Novaes foi ‘facilitada’ com a vinda de grandes expressões artísticas do continente europeu para o mundo americano, em decorrência da II Guerra Mundial – virtuosos como Paderewski, Godowski e Kreisler-, de modo que os críticos puderam avaliar individualmente suas qualidades, elevando Guiomar a celebridade. “Era a consagração que faltava”, trouxe a edição de 24 de novembro de 1915 da revista A Cigarra.
No ano de 1916, o sucesso da pianista ganhou ainda mais destaque na imprensa mundial e neste ano, a jovem estreou com orquestras, no Festival de Norfolk, em junho, e no Madison Square Garden, em julho, tocando para um público de 6000 pessoas.
“Novaes tornou-se moda. Entretanto, não ficou só nisso, uma vez que suas qualidades provaram que ela veio para ficar”, divulgou o The New York Times, edição de 22 de fevereiro de 1917.
Em 1º de novembro de 1917, Guiomar toca com a Orquestra Filarmônica de Nova York e assim começam sucessivos concertos, fazendo de 1917, um ano de intensa atividade para ela, como a pianista escreveu à irmã: “Só tenho tempo para escrever nos trens e estações. Com este último recital são 24 vezes que toco nesta temporada, faltando ainda mais 26 até o fim, para completar os 50 do contrato.”
O sucesso da jovem não se limitou aos Estados Unidos, indo parar no Canadá e percorrendo ainda todo o leste americano, algo que poucos e raros pianistas conseguem, sempre com dinamismo e sucesso de público.
Quando chegou à América, a intenção de Guiomar era ficar apenas dois meses e retornar ao Brasil, mas o afã do público por ouvi-la era tanto que ela ficou por lá durante quatro anos.
Pode-se dizer que sua simplicidade e charme cativaram os norte-americanos. “Ontem à noite, Guiomar Novaes caminhava despreocupadamente no palco, sem qualquer afetação e sem nenhuma preocupação em agradar a plateia. Novaes tem uma maneira de agir como se não houvesse público presente, como se desse um passeio numa sala de música […] ela é equilibrada, séria e atenta. O que oferece à plateia é apenas sua arte, sem chamar atenção para sua pessoa […] Sob seus dedos leves, nenhum som é metálico […]”, dizia matéria da edição de 18 de março de 1919 do Wilkes-Barre Journal.




