Cem toneladas de lixo são coletadas por dia em São João

Média diária de resíduos produzida por sanjoanenses segue padrão brasileiro de 1,04 quilo por pessoa – (Arquivo/Franco Junior/O MUNICIPIO)

São João da Boa Vista produz quase 100 toneladas de lixo por dia e esses resíduos são, diariamente, coletados pelos serviços especializados contratados e disponibilizados pela Prefeitura de São João. O número vai ao encontro com a quantidade gerada, em média, por cada brasileiro e evidencia que o município possui em torno de 100 mil habitantes.

Isso porque estima-se que cada brasileiro gere, em média, 383 quilos de lixo ao longo do ano, o que é equivalente à produção de 1,04 quilo de resíduos por dia. Desta forma, essa equação, além de salientar a grande geração de resíduos em São João, demonstra que a cidade, ao invés dos 90.089 habitantes calculados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), já conta com algo em torno de 100 mil moradores.

BRASIL E SÃO JOÃO
Dados de 2012 apontam que, apenas no Brasil, foram produzidas 64 milhões de toneladas de resíduos, dos quais 24 milhões de toneladas foram descartadas de forma inadequada.
Esse é o caso, também, de São João da Boa Vista que, por não possuir uma usina que transforme o lixo em materiais que possam ser reutilizados e, até mesmo, gerar economia para a cidade, gasta R$ 4 milhões por ano para que os resíduos recolhidos na cidade sejam levados para Guatapará e Tapiratiba.

O prefeito Vanderlei Borges de Carvalho (MDB), em entrevista ao O MUNICIPIO, relembrou que São João já poderia possuir uma usina, entretanto, o projeto acabou não sendo aprovado. Ele revelou, ainda, que a cidade está perto de ter o “problema” da falta de um empreendimento especializado resolvido.

“Poderíamos já possuir uma usina de lixo na cidade, foi um projeto que chegou a ser enviado para a Câmara Municipal na gestão do Nelson [Nicolau], mas acabou não sendo aprovado. Seria a Sabesp a responsável pela construção e esse espaço seria explorado de forma regional. [Atualmente] um grupo de empresários possui o projeto de construir uma usina de lixo na cidade e eles estão trabalhando para obter a LI (Licença de Instalação) e conseguir viabilizá-la”, comentou.

PROBLEMA DO SÉCULO XXI
O destino do lixo e/ou o que fazer com os resíduos gerados por cada município é considerado por especialistas de todo o mundo como o maior problema do século XXI. Essa situação foi alarmada pela bióloga e doutora em Saúde Ambiental Maria Lucia Barciotte e pela especialista em Educação socioambiental Ana Flávia Borges Badue, no livro “O Município no Século XXI: Cenários e Perspectivas”, publicado em 1999 para alarmar os possíveis problemas que estavam por vir, caso as cidades não fizessem o planejamento necessário sobre a questão.

No capitulo escrito por elas, denominado “Minimização de Resíduos: Passaporte Sustentável para o Século XXI”, as especialistas apontam que cada município teria um papel definitivo na gestão dos resíduos que ali são gerados e descartados.

“Uma gestão adequada de tais resíduos poderá reduzir custos operacionais, evitando o desperdício de recursos com energia, água, matéria-prima e insumos para produção; propiciando geração de novos negócios e, consequentemente, de novos empregos”, pontuaram.

Por Franco Junior.

Usina de geração de energia planeja obras na cidade ainda em 2019

Desde o ano passado, o grupo Mitima, formado por empreendedores brasileiros e italianos com empresas parceiras da Escócia, Canadá e da Itália, planeja a construção de uma usina de recuperação de energia em São João da Boa Vista. E, depois de um ano trabalhando para atender todas as etapas burocráticas junto às companhias ambientas, a empresa prevê começar as obras de implantação ainda dentro do calendário 2019.

Em julho de 2018, a Mitima já havia conseguido a licença prévia da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) para implantar a usina no município e agora está em busca de obter a licença de instalação (LI) e a licença de operação (LO).

“Os documentos estão sendo providenciados pelo escritório ambiental, advogados e empresas contratadas. O projeto executivo deverá também estar pronto em Setembro e sendo apresentado à empresa construtora”, revelou o diretor comercial, Luis Ramos.

URE NOVA SÃO JOÃO
A Usina de Recuperação de Energia (URE) Nova São João – como foi denominado o empreendimento -, que prevê investimento R$ 120 milhões na planta sanjoanense, transforma o lixo em energia e será, segundo os responsáveis, a primeira usina do Brasil a realizar este processo.

A área escolhida para a instalação da URE Nova São João é próxima ao aterro sanitário desativado, localizada na região rural conhecida como Capituva. O contrato de arrendamento refere-se a uma área de 62.500 m², para um período de 20 anos, com renovação automática por mais 20.

De acordo com os responsáveis pela empresa no Brasil serão gerados 350 empregos na construção da planta e 50 na operação. A previsão dos investidores é que em 14 meses após liberada a licença de instalação (LI) a usina esteja pronta e em funcionamento.

A usina de recuperação em São João terá capacidade para tratar 150 toneladas de lixo urbano por dia e vai gerar cerca de 5MW/h de energia elétrica. O grupo internacional tem planos ambiciosos: pretende implantar 200 usinas no Brasil, sendo a sede nacional da Mitima em São João da Boa Vista.

USINA REGIONAL
Além de atender São João da Boa Vista, que deixará de enviar resíduos para outras localidades, a usina também irá abranger, segundo os empresários, cidades da região em um raio de 30 quilômetros, onde esses municípios vizinhos poderão reduzir o valor do destino do lixo e acabarão com os transbordos, gerando benefícios ao meio ambiente, à saúde da população dessas cidades e, principalmente, dando um fim correto ao lixo.

O MUNICIPIO obteve informações de que outras cidades do país concorriam com São João para ser sede da empresa e que a atuação do prefeito Vanderlei Borges de Carvalho (MDB) e do vice-presidente da Câmara Municipal, Gerson Araújo (MDB), foi decisiva para que o grupo escolhesse o município. (F.J.)

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