Perímetro reduzido vai ‘igualar’ São João, afirma Comdema

Entrevista: Juliana Borsari e Diógenes Apoena falaram sobre o tema também na Piratininga – (Foto: Franco Junior/O MUNICIPIO)

FRANCO JUNIOR
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A apresentação das emendas com propostas de modificação no novo Plano Diretor de São João da Boa Vista ocorre na segunda-feira (29), em audiência pública que será realizada na Câmara Municipal a partir das 19h30. A definição do Perímetro Urbano da cidade continua a ser o grande entrave do projeto neste período decisivo de aprovação.

A luta da maioria dos conselhos que participaram do desenvolvimento do Plano Diretor é para que o limite do município seja reduzido. Isso porque estudos técnicos que embasaram a elaboração do projeto pela Prefeitura de São João apontam para a necessidade de redução. Mas, por outro lado, há quem queira manter a limitação que está em vigor desde 2006, como é o caso do presidente do Legislativo, Bira Domiciano (PR).

Em entrevista ao O MUNICIPIO, Juliana Marques Borsari e Diógenes Apoena Moreira, respectivamente presidente e vice do Comdema (Conselho Municipal de Meio Ambiente), destacam que é importante que exista redução do Perímetro Urbano para que São João deixe de construir loteamentos distantes do Centro da cidade e para que a população do município possa ser igualada.

“Estamos pensando na cidade como um todo, pois o que acontece na região Sul, onde está localizado o Parque dos Resedás, por exemplo, impacta no município todo. Levar casa popular em uma área em que já está esgotada e sem nenhum equipamento público é totalmente temeroso, pois apenas depois de muitos anos é que estão sendo construídas escolas e creches. Por isso, precisamos pensar em situações permanentes e a redução nos dá a oportunidade de repensar e planejar melhor São João. Queremos que as pessoas possam viver com dignidade”, destacou Juliana Borsari.

Apoena relembrou que antes de o Plano Diretor ser construído, a Prefeitura de São João contratou empresas especializadas para desenvolver um diagnóstico dos problemas da cidade e dos pontos positivos que precisavam continuar a ser realizados.

“O diagnóstico mostrou que a cidade crescia de forma totalmente desordenada. Ninguém aqui quer tirar casa de ninguém. Mas queremos que as pessoas tenham casas de maneira digna, pois do jeito que foi feito, as pessoas não tinham – e ainda não têm – toda a infraestrutura necessária para se viver. Não é simplesmente colocar as pessoas em um canto da cidade, achando que, com o fato de dar uma casa, já se dá dignidade, não é assim. As pessoas precisam de serviço público, precisam de escolas e de postos de saúde, por exemplo”, pontuou Apoena.

MELHORAR A CIDADE
Os membros do Comdema salientaram que a redução do Perímetro Urbano fará com que os problemas da cidade possam ser regularizados e para que os pontos vazios, já existentes dentro do município, sejam utilizados para a construção de casas em locais onde exista toda infraestrutura necessária para os futuros moradores.

“Pensamos na melhor qualidade de vida para São João da Boa Vista. Cada conselho trabalha com sua temática, mas tudo foi pensando em conjunto, para melhor atender todas as camadas da população e não apenas uma parcela. Pensamos conjuntamente, durante esses anos todos, em um perímetro que atendesse a todas as demandas que São João necessita. E depois de um consenso na elaboração, hoje a discussão volta a ser sobre o perímetro. Se continuar [da maneira que está atualmente], os problemas de segurança, mobilidade, falta de escolas, falta de espaços de lazer, entre outros, só tendem a aumentar e prejudicar a própria população”, descreveu Juliana.

Para finalizar, Apoena destacou o problema de acesso aos bairros da zona Sul, onde os motoristas precisam cruzar a rodovia e convivem, diariamente, com risco de acidentes.

“O trevo de acesso à Unesp é um grande problema. Nos horários de pico é um caos e nossa preocupação é com a vida das pessoas. Os motoristas precisam acessar os bairros em que vivem por uma rodovia. Além do risco de acidente, é preciso frisar que lá é uma faixa dupla contínua, em que é proibido você transpor esse tipo de sinalização, está no código de trânsito brasileiro. Uma multa é mais de R$ 900. Está claro para todo mundo ver esse problema, pois foi colocado apenas um caminho para as pessoas irem para a casa [ruas Henrique Cabral de Vasconcelos e Mato Grosso]. Como foi pensada em apenas uma alternativa, as pessoas começaram a ir pela rodovia, cometendo todos os dias, infrações de trânsito e, principalmente, convivendo com risco de acidentes”, concluiu.

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