No último dia 14, quando todos aguardavam a abertura do Rock in Rio 2017, uma inesperada notícia deixou os fãs de Lady Gaga bastante chateados – a cantora cancelou sua vinda ao Brasil, na véspera de sua apresentação, devido a uma fibromialgia, que lhe provocou fortes dores.
“Brasil, estou devastada porque não estou bem o suficiente para ir ao Rock in Rio. Eu faria qualquer coisa por vocês, mas eu tenho que cuidar do meu corpo agora. Peço pela bondade e compreensão de vocês e prometo que vou voltar e cantar para vocês em breve”, foram as palavras da star, no site G1.
Para o médico neurologista Eduardo Leite Ribeiro do Valle, professor na Faculdade de Medicina do UniFAE, compreender melhor a fibromialgia é algo que ajuda os familiares e pacientes a conviverem com esta doença, tão comum e desconhecida pela população.
“Fibromialgia é uma doença caracterizada por dores musculares difusas, ou seja, em qualquer parte do corpo; pessoas com este tipo de problema costumam apresentar os chamados ‘pontos dolorosos’, onde, no simples exame de palpação muscular neste local, o paciente queixa-se de dor”, descreve o médico.
Segundo Eduardo, a causa deste problema ainda não foi totalmente esclarecida, mas pesquisas demonstraram que existem alterações de alguns neurotransmissores e alteração da sensibilidade.
“O diagnóstico dessa doença é feito pela avaliação clinica. Não existem exames que mostrem a fibromialgia, porém, muitas vezes, são necessários outros exames para excluir problemas ortopédicos ou reumatológicos”, salienta o neurologista.
Eduardo aponta que o maior sintoma do indivíduo com fibromialgia é a dor, que costuma acometer o corpo todo.
“Outros sintomas comuns incluem a fadiga, depressão, insônia e dor de cabeça. Também podem ocorrer ansiedade, fraqueza, tontura, dor lombar e alteração de concentração e memória”, pontua o médico, completando que, em algumas situações, pode acontecer o agravamento da crise de dor e, realmente, gerar grande dificuldade para realizar as tarefas diárias — como se deu com Lady Gaga.
Sobre o perfil mais propenso a desenvolver a fibromialgia, Eduardo analisa que o grupo mais acometido são mulheres de meia idade, podendo ocorrer também em homens e adultos jovens, embora seja mais raro.
“Não se sabe a causa da fibromialgia, mas há uma predisposição genética, assim como a influência de outros fatores desencadeantes como o estresse emocional ou físico, que podem agravar o quadro de dor”, acentua o neurologista.
Ainda não existe cura para a doença, contudo, Eduardo enfatiza que os tratamentos atuais buscam reduzir ou aliviar a dor e os outros sintomas associados.
“Os tratamentos mais eficazes são o uso de antidepressivos, relaxantes musculares, associados com acompanhamento fisioterápico e psicológico. Outras técnicas também podem ser eficazes como acupuntura e a prática de exercícios físicos”, finaliza ele.




