Papa reconhece milagre de padre Donizetti e aprova beatificação

Uma das notícias mais esperadas pelos católicos da Diocese de São João da Boa Vista chegou na manhã de segunda-feira (8).

O Vaticano comunicou que o Papa Francisco, em audiência com o prefeito da Congregação das Causas dos Santos, cardeal Angelo Becciu, no último sábado (6), reconheceu um milagre realizado pela intercessão do Padre Donizetti Tavares de Lima e aprovou o decreto para a sua beatificação.

Este é o último passo antes de alguém ser canonizado pela Igreja Católica e ser declarado santo, o que foi motivo de comemoração entre religiosos e devotos do sacerdote.

Tambaú, cidade onde o padre faleceu e atuou por 35 anos, amanheceu em festa. Os sinos do Santuário de Nossa Senhora Aparecida começaram a soar às 7h, anunciando a novidade aos fiéis.

O bispo diocesano Dom Antônio Emídio Vilar também manifestou sua alegria com a notícia da beatificação de Padre Donizetti e destacou a sua fé em Nossa Senhora Aparecida.

“Tantas graças e milagres atribuídos a ele são contados para nós. Eu pude ouvir muitas coisas impressionantes. Ele sempre dizia: não sou eu que faço o milagre, é ela, que é mãe, que cuida de nós. Queria deixar essa marca do padre Donizetti que é a devoção a Nossa Senhora, que também é a minha vida”, disse.

A data para a beatificação de Donizetti Tavares de Lima ainda não foi definida. Dom Vilar explica que algumas sugestões foram feitas ao prefeito da Congregação das Causas dos Santos, como por exemplo as datas de 7 e 8 de dezembro. No entanto, Dom Vilar ressalta que esta é uma decisão que não depende da Diocese de São João, mas sim do Vaticano.

“O postulador das causas dos santos da Diocese, Paulo Vilota, marcou uma conversa com ele para o dia 9 de maio. Apenas após esta data teremos uma definição sobre o dia da beatificação”, reforça o religioso.

Papa Francisco: decisão de aprovar beatificação ocorreu no sábado, no Vaticano – (Foto: Reprodução/Agência Ansa)

O MILAGRE
Na tarde de segunda (8), o vice-postulador da beatificação e canonização do Padre Donizetti, padre Anderson Godoi de Oliveira, também pároco do Santuário de Nossa Senhora Aparecida, em Tambaú, revelou o milagre reconhecido pelo Vaticano.

Mantida em sigilo até a sua aprovação, a cura do jovem Bruno Henrique de Oliveira, de 12 anos, foi reconhecida por médicos, teólogos, religiosos e pelo Papa Francisco como sendo um milagre por intercessão de Donizetti Tavares de Lima.

Bruno nasceu com uma doença chamada pé torto congênito bilateral, uma deformidade de nascença nos membros inferiores, o que o impedia de ficar em pé. “Com o passar do tempo, os pais de Bruno perceberam que o filho não conseguia ficar em pé. Diante desse fato, a sua mãe, devota do Padre Donizetti e Nossa Senhora Aparecida, rezou e pediu ao sacerdote; no outro dia o Bruno conseguiu levantar e ficar em pé. E Bruno teve seus pés restabelecidos”, contou padre Anderson, reforçando que não teve intervenção da medicina e de medicamentos. “Foi um milagre e conseguimos comprovar documentalmente”, comemora.

Médicos ortopedistas, conta padre Anderson, chegaram a dizer que Bruno tinha que ser muito grato a Deus e ao padre Donizetti, pois era para ele ter muita dor e não ficar em pé.
O milagre da cura de Bruno foi revelado no Santuário Nossa Senhora Aparecida, em Tambaú, em pronunciamento público feito por padres e pelo bispo Dom Vilar.
Bruno, seus pais e irmão estavam presentes e demonstravam estar emocionados. “Implorei ao padre Donizetti e desentortou os pezinhos”, disse Margarete Arruda de Oliveira, mãe de Bruno.

(Foto: Reprodução)

Processo teve início em 1992

O processo de beatificação do padre Donizetti Tavares de Lima foi aberto em 1992.
Em 2 de dezembro de 1996, a Congregação das Causas dos Santos, no Vaticano, conferiu ao sacerdote o Título de Servo de Deus.

Em 1997, a Diocese de São João da Boa Vista constituiu o primeiro Tribunal para trabalhar na beatificação.

Após de 17 anos de pesquisa e trabalho, a primeira etapa do processo, chamada de Fase Diocesana, foi finalizada.

Em 2009, o processo foi enviado para a Congregação para Causas dos Santos, em Roma, que passou a analisar a documentação.

Em outubro de 2017, o Vaticano reconheceu que o religioso, ainda em vida, exerceu em grau heroico as virtudes teologais da fé, esperança e caridade; as virtudes cardeais da prudência, fortaleza, temperança e justiça; e de igual forma os votos evangélicos da pobreza, obediência, castidade e humildade. Assim, concedeu o título de venerável ao sacerdote candidato a santidade.

Um dos milagres de Donizetti: Padre Anderson e Dom Vilar com o menino Bruno – (Foto: Divulgação/Santuário Nossa Senhora Aparecida)

TRAJETÓRIA
O padre Donizetti Tavares de Lima nasceu em Cássia (MG), em 3 de janeiro de 1882. Foi ordenado padre em 1908 e morou os últimos 35 anos de sua vida em Tambaú, até falecer em 16 de junho de 1961, aos 79 anos.

Filho de um advogado e de uma professora, ele era de uma família abastada, mas largou tudo pelo sacerdócio. Padre Donizetti viveu por 35 anos em Tambaú e na década de 50 começaram os relatos de milagres, que continuam até hoje.

A fama de santo veio ainda em vida. Na época, Tambaú tinha 4,5 mil habitantes (hoje são mais de 23 mil). Há relatos que, em um único dia, outros 200 mil romeiros estiveram na cidade, em busca de graças. A situação começou a ficar perigosa e esse foi um dos motivos para que as bênçãos chegassem ao fim.

Na década de 90, começou uma pesquisa sobre a vida, virtude e fama de santidade do padre. Em 2017, a Congregação para a Causa dos Santos concedeu ao padre o título de venerável.

BEATIFICAÇÃO E CANONIZAÇÃO

A beatificação e a canonização têm significados bastante diferentes perante à Igreja.
A beatificação é uma permissão de culto, que geralmente atende ao anseio de uma comunidade específica (um país, uma ordem religiosa etc.) Porém, falta ainda a universalidade típica do ser católico.

Já a canonização, por sua vez, é uma prescrição de culto, inclusive algumas bulas trazem a ordem expressa de culto e outras trazem anátemas para quem não aceitar a santidade decretada.

Assim, ao tornar-se beato, a Igreja autoriza a veneração pública do padre Donizetti, mas ainda limitada a lugares específicos.

A universalidade de sua veneração só virá quando o sacerdote for canonizado e reconhecido como santo.

Por Reinaldo Benedetti.

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