Hideraldo Luiz Bellini e Mauro Ramos de Oliveira, capitães nas primeiras conquistas da seleção brasileira em 1958 e 1962, respectivamente, iniciaram as carreiras profissionais na Sociedade Esportiva Sanjoanense.
Os dois atletas iniciaram uma hegemonia brasileira no esporte mais praticado do mundo. Bellini e Mauro são expoentes máximos da história sanjoanense.
Na próxima sexta-feira (5), às 19h30, no auditório da Esportiva, a Câmara Municipal de São João fará uma sessão solene de entrega de título de cidadão sanjoanense (in memoriam) aos primeiros campeões mundiais com a Amarelinha, Bellini e Mauro. No mesmo dia, o jornalista esportivo Leivinha Oliveira receberá uma medalha de mérito esportivo por todos os feitos realizados na cidade.


MAURO
Nascido no dia 30 de agosto de 1930, em Poços de Caldas (MG), Mauro começou a jogar muito jovem no Colégio Marista – onde estudava – e na Caldense. Em 1946 passou a integrar a equipe amadora da Vargeana, de Vargem Grande do Sul (SP), onde permaneceu até o início de 1947, quando assinou o primeiro contrato profissional, aos 17 anos, com a Esportiva Sanjoanense.
Após atuação impecável num amistoso contra o São Paulo, neutralizando o artilheiro da Copa do Mundo de 1938, Leônidas da Silva, foi contratado pelo Tricolor, onde foi titular por 12 anos e conquistou os paulistas de 1948, 49, 53 e 57.
Em 1952, pelo torneio Rio-São Paulo, no Pacaembu, Mauro enfrentou Bellini pela primeira vez. Os jogadores revelados da Esportiva jamais haviam se encontrado e coube ao jornalista Ito Amorim, também de São João, apresentar um ao outro. Começava ali uma história que iria além das quatro linhas.
Em 1960 é transferido ao Santos, onde por sete anos teve o privilégio de atuar ao lado do Rei Pelé e companhia, no maior time que o mundo do futebol já viu jogar, sagrou-se campeão 22 vezes.
Foi convocado para as Copas de 1954 e 58, mas somente na de 1962, no Chile, foi titular (e capitão) da inesquecível seleção bicampeã mundial. Mauro, que defendeu a seleção por 17 anos, faleceu no dia 18 de setembro de 2002 e está sepultado em Poços. É considerado um dos melhores zagueiros da história do futebol brasileiro.
BELLINI
Buscando alternativas para a lacuna deixada com a saída de Mauro para o São Paulo em 1947, a Esportiva contratou, em 1948, o então desconhecido Bellini, que nasceu no dia 7 de junho de 1930, em Itapira (SP).
Na equipe sanjoanense, o outro futuro capitão da seleção brasileira permaneceu por um período maior que seu antecessor, até o final de 1951, comprado pelo Vasco da Gama (RJ). No Cruzmaltino venceu os campeonatos cariocas de 1952, 56 e 58. Se tornou um símbolo do time e considerado por muitos o melhor zagueiro da história do Vasco.
No início da década de 1960, a trajetória de ambos teve novamente a mesma coincidência que houvera ocorrido em São João da Boa Vista. Bellini deixou o Vasco e chegou ao São Paulo, em 1962, novamente para substituir Mauro, que havia trocado o Tricolor pelo Santos.
Bellini foi o capitão da seleção na vitoriosa conquista da primeira Copa do Mundo, em 1958, na Suécia, imortalizando o gesto de erguer a taça sobre a cabeça para o mundo reverenciar, o primeiro esportista a realizar o feito. O ‘eterno capitão’ faleceu no dia 20 de março de 2014, sendo sepultado em Itapira.
Mauro e Bellini, mesmo após a fama e prestígio, jamais abriram mão das amizades conquistadas em São João. Mantiveram por muitos anos vínculo com a cidade, frequentando por quase duas décadas, o ‘Encontro dos Amigos’, demonstrando eterna gratidão e reconhecimento à cidade que sempre os acolheu de braços abertos.
Por Pedro Souza.




