Profissionais de Saúde explicam técnicas de amamentação

Amamentar o bebê é uma atitude de extrema importância para a saúde da criança, tanto física – pois o leite materno é um alimento completo e fornece imunização natural- como psicológica, já que aumenta o vínculo afetivo entre mãe e filho, fazendo com que a criança se sinta protegida e querida.

Contudo, na prática, não é tão simples assim, como se bastasse segurar a criança junto ao peito para tudo acontecer automaticamente – existe uma série de cuidados que garantem que esse processo será tranquilo para ambos e os profissionais da saúde Antonio Henrique Soares Telini, médico especialista em Ginecologia e Obstetrícia, e Leticia Ragassi Proeti, enfermeira obstetra pós-graduada em ‘Enfermagem em saúde da mulher: obstetrícia’ pela Uniararas deixaram algumas orientações a respeito desse assunto.

Segundo eles, já se pode começar o processo de preparo das mamas no início da gestação. “Apesar de ser um processo natural, é importante que a grávida também contribua no preparo do seio para amamentar, adotando cuidados que ajudarão a evitar problemas, como as rachaduras, escoriações, fissuras, assaduras e infecções nos mamilos e nas mamas (mastites)”, salienta Telini.

Estímulo: amamentação exclusiva do bebê deve ocorrer desde a sala de parto até os 6 meses e complementar até os 2 anos (ou mais) – (Foto: NataliaDeriabina/Thinkstock/Getty Images)

Tais cuidados incluem lavar o seio somente com água, sem usar sabonetes ou cremes rotineiramente, pois os mamilos têm uma hidratação natural que deve ser mantida durante a gravidez; não usar pomadas, cremes hidratantes ou outros produtos na região mamilo-areolar no pré-natal; não esfregar os mamilos com esponja ou toalha – prática antiga que, atualmente, não proporciona benefícios; usar um sutiã apropriado, que seja confortável, de tecido de algodão, com alças largas e boa sustentação, sem barbatanas e aros de ferro para não machucar os seios.

“A gestante deve tomar de 10 a 15 minutos de sol por dia diretamente nas aréolas e mamilos, mas só até às 10h da manhã ou depois das 16h, pois a radiação solar ajuda a espessar a pele local, tornando-a mais resistente às rachaduras e fissuras. Antes de tomar sol, a grávida deve colocar um filtro solar indicado nos seios, exceto na região mamilo-areolar. Para grávidas que não podem tomar sol, usar uma lâmpada de 40 watts a 30 cm de distância das aréolas/mamilos, diariamente por 10-15 minutos também ajuda”, diz a enfermeira Letícia.

Além de todo esse preparo, Telini e Letícia enfatizam que é fundamental esclarecer as dúvidas, conversar sobre o tema a partir do pre natal, estimular a amamentação exclusiva do bebê, desde a sala de parto até os 6 meses e complementar até os 2 anos (ou mais), pois são atitudes fundamentais para uma bem sucedida amamentação.

“A posição correta para amamentação é o fator mais importante para o seu sucesso. Para isso, a mãe deve estar sempre bem nutrida e hidratada, em um ambiente agradável, em uma posição correta e confortável. O bebê deve pegar a mama adequadamente, para que não ocorra ferimentos na região mamilo-areolar, proporcionando também uma melhor ingestão de leite e maior saciedade do bebê”, Letícia observou.

Telini completou que, para uma ‘pega’ correta, o bebê precisa abrir bem a boca antes e pegar mais a parte de baixo da aréola do que a de cima. “Os lábios deverão estar virados para fora, parecendo boca de ‘peixinho’, e as bochechas cheias, com o queixo encostado na mama da mãe, narinas livres e sem produzir nenhum outro som ao mamar, a não ser o de estar engolindo o leite”, orientou Telini.

A ilustração exemplifica as palavras do médico, sendo que, se o bebê estiver pegando somente no mamilo, com a boca mais fechada, é preciso reposicioná-lo, pois além de poder machucar o seio, o leite não sairá em boa quantidade, deixando o bebê irritado.

“Existem várias posições de amamentar, sendo as 6 melhores – deitada de lado na cama; sentada, com o bebê deitado no colo; sentada com o bebê em uma das coxas, de frente para a mama e a mãe segurando-o apoiando suas costas (ideal para bebês com mais de 3 meses, que já sustentam bem a cabeça), sentada com o bebê de lado, por baixo do seu braço (posição invertida); em pé, com o bebê deitado em seu colo e colocando uma das suas mãos entre as pernas dele, para apoiá-lo melhor; e no sling (pano porta-bebê), mantendo-o sentado ou deitado, dependendo da posição onde ele já estiver acomodado, oferecendo a mama que estiver mais próxima da boquinha dele”, detalharam os profissionais.

Telini e Letícia lembram que não há uma forma certa ou errada de segurar o seu bebê ou de amamentar – cada mãe e bebê irão encontrar a sua posição preferida juntos e o importante é que ambos se sintam confortáveis.

“Conhecer algumas posições e técnicas diferentes para amamentar pode ser útil, pois muitas vezes a vida exige que sejamos versáteis e adaptemos as informações à nossa realidade individual. Recomenda-se que a criança seja amamentada na hora que quiser e quantas vezes quiser. É o que se chama de amamentação em livre demanda”, finalizam eles.

Por Daniela Prado.

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1 COMENTÁRIO

  1. Excelente artigo. importante lembrar que eu só descobri que nós lactantes temos restrições alimentares quando levei minha filha em sua primeira consulta com o Pediatra dez dias após seu nascimento.(A primeira consulta acontece sempre após os sete, dez dias.

    Até então, tudo o que tinha pra comer, eu mandava pra dentro. Já que amamentar dá uma baita fome!

    Mas então o Pediatra de meus filhos me explicou que, alguns alimentos podiam fazer com que a cólica e os gases viessem com mais intensidade provocando mais dor e desconforto para o bebê.

    Parabéns seu artigo ficou ótimo, estou escrevendo sobre o assunto no meu blog, dá uma olhada lá sua opinião será muito importante. abraços

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