O risco de fechamento da Liga Sanjoanense de Desportos e paralisação das atividades esportivas em São João da Boa Vista, devido a déficit de R$ 44 mil na prestação de conta da entidade, fez com que os vereadores sugerissem, na sessão de segunda-feira (11), que até mesmo uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) fosse instaurada para apurar o caso.
O problema foi levado aos vereadores por Rui Nova Onda (PTB), durante explanação na Tribuna do Legislativo sanjoanense. O edil pediu que a Câmara Municipal convoque representantes da Liga Sanjoanense e o antigo presidente, o advogado Glaucinei Ramos, para esclarecimentos, tendo em vista que, se o valor não for devolvido aos cofres públicos até o final deste mês, as atividades de diversas modalidades esportivas serão interrompidas.
“É preciso verificar o que aconteceu no ano de 2016 [quando o déficit foi computado] e fazer com que o responsável pelo erro na prestação de contas devolva o valor. Caso contrário, o esporte sanjoanense é quem vai pagar o preço”, pontuou Rui.
Em meio à fala de Rui Nova Onda, Odair Pirinoto (PTB) pediu a palavra e, no mesmo sentido do que dizia Rui, sugeriu que uma CPI seja instaurada para que o problema possa ser apurado e o culpado identificado. “Quem errou, seja quem for, vai precisar pagar pelo erro e devolver o valor. Por isso, sugiro que uma CPI seja montada por nós para que isso seja feito”, destacou Odair.

CONVOCAÇÃO
Após o tema ser debatido entre os vereadores, Rui Nova Onda pediu ao presidente da Câmara, Bira Domiciano (PTB), que o presidente da Liga, Silval Camargo, o Vavá, e o antigo gestor da entidade, Glaucinei Ramos, sejam convidados a comparecer nas próximas sessões do Legislativo, para que o caso seja solucionado.
“Houve uma reunião na Liga, na semana passada, para expor o caso. No ano passado também ocorreu uma na prefeitura, com a presença dos membros da entidade e prefeitura. Um acordo teria sido combinado na ocasião, mas, para que a situação chegasse a esse ponto agora, esse suposto acordo não foi cumprido. E o mais incrível é que não chamaram os vereadores na oportunidade para contribuirmos de alguma forma. Por isso, agora, gostaria que a reunião fosse na Câmara, para que todos os vereadores possam estar por dentro do que for decidido”, comentou Rui.
Vavá e Glaucinei, além de outros membros e ex-membros da Liga, devem ser convocados a comparecer à Câmara nas próximas semanas.
O CASO
Erro na prestação de contas da Liga em 2016, quando o presidente era o advogado Glaucinei Ramos, pode fazer com que a entidade fique com o CNPJ inadimplente, seja impedida de concorrer ao chamamento público de gestão esportiva e até mesmo feche as portas. Para que isso não ocorra, a Liga precisa quitar com a prefeitura, dívida de R$ 44 mil.
A situação foi exposta pelo atual presidente da entidade em coletiva de imprensa realizada na semana passada, mas o problema de prestação de contas na gestão 2016 se tornou público ainda em junho de 2018, também em coletiva, sendo revelado o valor do déficit que, à época, era de R$ 26 mil.
No desenrolar das semanas após o caso ser publicado pelo O MUNICIPIO, o antigo presidente Glaucinei Ramos da Silva procurou a reportagem e destacou que havia divergência de documentos nas contas de 2016 e isso fez com que o déficit fosse acumulado. O advogado, em encontro realizado com a atual gestão da Liga Sanjoanense e com a administração municipal, pediu para que o valor fosse checado e, na ocasião, teria se comprometido a devolver [o valor], assim que o mesmo fosse revisto. Com isso, a prefeitura concordou em repassar dinheiro à Liga, em 2018, para que as atividades esportivas prosseguissem.
O valor da dívida, após recontagem, subiu para R$ 44 mil e, até o momento, não foi devolvido, o que pode fazer a Liga ter o CNPJ negativado e perder o direito de disputar o chamamento público para gerir o esporte sanjoanense. Por conta disso, a prefeitura decidiu por não repassar o dinheiro até que o caso seja resolvido. E, se a situação não for solucionada, outra entidade poderá comandar o esporte sanjoanense após realização de licitação, da qual a Liga não poderá participar.
Por Franco Junior.




