Médica e mais dois funcionários do Samu são demitidos

A médica do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), Amparo Vera Calderon Curvelo, investigada por omissão de socorro após negar envio de um veículo para socorrer um idoso de 80 anos, que morreu no dia 7 de janeiro em Espírito Santo do Pinhal (SP), foi demitida por justa causa. Outros dois atendentes da equipe envolvidos no caso também foram exonerados de suas funções.

A informação foi confirmada no início da noite desta quinta-feira (21) por Amarildo Duzi Moraes, presidente do Conderg (Consórcio de Desenvolvimento da Região de Governo de São João da Boa Vista) e também prefeito de Vargem Grande do Sul.

Segundo ele, a Superintendência do Conderg acatou o pedido da Comissão responsável pelo procedimento administrativo, que averiguava a conduta da médica e da equipe do Samu, e determinou pelo desligamento dos investigados, por entender que eles não obedeceram os protocolos de atendimento do Samu. “A decisão da comissão foi unânime”, destacou Amarildo.

DEFESA

Em entrevista à Gazeta de Vargem Grande, o advogado Elias Augusto Curvelo, que representa a médica Amparo Vera Calderon Curvelo, afirmou que a comissão composta pelo Conderg teve uma pressa muito grande em apontar um responsável pelo caso e não em investigar da melhor maneira possível a situação.

Disse ainda que algumas solicitações da defesa não foram atendidas, como a apresentação do grau de instrução da presidente da comissão. Também avaliou que a fundamentação da conclusão foi insuficiente e foi omissa em analisar argumentos levantados.

Curvelo ainda disse que, embora respeite a comissão, afirmou que sua cliente agiu pautada estritamente nas normas do Ministério da Saúde, que determina em quais casos é necessário o envio de uma ambulância.

O advogado destacou também que em nenhum momento a médica negou a ambulância, apenas cumpriu com a determinação das do Ministério da Saúde. Lembrou que em 2018 foram feitas 47 mil solicitações de ambulâncias ao Samu e que 38 mil foram atendidas, ou seja, apenas nos casos de emergência e urgência é enviado uma viatura.

Ressaltou também que a médica não agiu com arrogância nas conversas telefônicas, mas que tentou ser didática com o requisitante e foi mal interpretada. Além disso, pontuou ainda que ela se manteve sempre à disposição das autoridades para colaborar durante o caso. Ponderou também que a médica não foi julgada pelo Conderg de maneira técnica e jurídica.

De acordo com ele, a defesa irá recorrer no âmbito administrativo a respeito da decisão do Conderg. É, se a decisão da exoneração for mantida, eles levarão o caso para apreciação jurídica. Por fim, afirmou que lamentam profundamente o falecimento do senhor Geraldo Vicente, mas que não é possível imputar a sua morte à médica.

MORTE
No dia 7 de janeiro, por volta das 12h, o aposentado sanjoanense Geraldo Vicente passou mal enquanto estava acompanhado da esposa, dona Maria José de Jesus Vicente, também idosa. Há cerca de 10 anos o casal residia em uma casa, à rua Mariana Name Jacobe, no Jardim Monte Alegre, em Pinhal.

Quando o vizinho Leonardo Orte soube que ele não sentia-se bem, mesmo do trabalho, resolveu ajudar e ligou para o Samu pedindo ajuda. “Ela (dona Maria) estava desesperada, porque já tinha ligado por diversas vezes e em todas negaram”, disse.

De acordo com o apurado na ocasião, a viatura já havia sido chamada, mas o motorista estava em horário de almoço e o paciente teve que esperar.

Com a recusa do Samu em atender a vítima, foi preciso esperar uma ambulância do Hospital Municipal Francisco Rosas, que chegou uma hora depois da primeira ligação feita ao Samu.

Após o veículo municipal chegar, o aposentado até foi socorrido e levado ao PAM (Pronto Atendimento Municipal) Dr. Ciro Carlos Corsi, em Pinhal, mas devido à espera de cerca de uma hora sem atendimento, Geraldo Vicente foi a óbito às 13h25 daquela segunda-feira (7). No laudo médico, a causa apontada para a morte foi choque séptico (falência múltipla dos órgãos) e insuficiência do trato urinário.

Segundo apurado, a vítima pouco levantava da cama, tinha pressão arterial alta, sofria com problemas cardíacos e estava com a saúde debilitada.

REPERCUSSÃO
O assunto ganhou força rapidamente na região e pelo País depois que o aposentado Geraldo Vicente teve o atendimento.

No programa Brasil Urgente, da TV Bandeirantes e apresentado por José Luiz Datena, a morte do aposentado em consequência de uma suposta omissão de socorro, ganhou repercussão nacional. Isso porque, após tentativas frustradas por uma viatura do Samu, o vizinho da vítima, Leonardo Orte, ligou para o Samu para reforçar o apelo mas, na ocasião, a médica do serviço atendeu, conversou com o rapaz e negou enviar um veículo à residência do idoso. Em um dos trechos da conversa (veja abaixo completo abaixo), ao ser questionada por Orte se negaria o transporte, a médica chegou a afirmar: “(…) mas o Samu não é transporte, o Samu não é táxi.”

Confira abaixo a conversa entre a médica e o vizinho do idoso:

Por Ignácio Garcia.

COMPARTILHAR

2 COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here