Caso Melissa: Estado continua sem fornecer medicamento a criança

A pequena Melissa Ferreira Campanaro, de apenas 5 anos, continua sem receber da DRS (Diretoria Regional de Saúde) – órgão ligado ao Governo Estadual – o Scopoderm TTS, medicamento que ajuda a diminuir a produção de saliva e secreções, o que reduz o risco de engasgamento. Com isso, há mais de seis meses a garota, que sofre de uma grave disfagia e só se alimenta por meio de sonda, corre até mesmo o risco de morrer devido à falta de remédio.

O MUNICIPIO trouxe a história da criança na edição do dia 2 de fevereiro. Mais de dez dias depois, a situação continua sem ser resolvida pelo Governo do Estado de São Paulo. E piorou nessas últimas semanas, porque outros medicamentos necessários para o dia a dia de Melissa também deixaram de ser fornecidos pela DRS. Os remédios em questão são as vitaminas Coenzima, Levocarnitina, B1 e B2.

Por meio de uma determinação judicial, o Governo Estadual precisa entregar essas vitaminas e o Scopoderm TTS obrigatoriamente à criança. Entretanto, a medida não é cumprida pela DRS há meses, o que coloca a vida da garota em risco.

Melissa: criança está há meses sem receber medicamento do Governo Estadual – (Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal)

BLOQUEIO DE BENS
No caso do Scopoderm TTS, que há seis meses não é fornecido, os pais de Melissa, o professor Adilson Ferreira Campanaro e Andrea Ferreira Campanaro – que se dedica em tempo integral aos cuidados da filha – revelam que uma nova medida foi tomada pelo advogado que cuida do caso.

Além de lutar para que a DRS cumpra a determinação judicial e volte a fornecer o remédio, o advogado, segundo Adilson, conseguiu na Justiça o bloqueio de valores referentes ao remédio. Desta forma, o alto valor que os pais estão pagando no remédio deverá ser reembolsado pelo Governo Estadual.

O Scopoderm TTS é um adesivo que é colado na região das glândulas salivares e que custa aproximadamente R$ 450 cada caixa. “Ela precisa de duas caixas desse adesivo por mês. Depois de uma longa batalha e só por meio judicial, é que a DRS passou a fornecer este adesivo, além de outros medicamentos que ajudam no tratamento da Melissa. Porém, faz seis meses que o Estado não entrega os adesivos e os demais medicamentos vivem atrasando, o que tem colocado em risco a vida da Melissa”, contou Andrea.

NO AGUARDO
Na matéria publicada no início do mês, Adilson revelou à reportagem que aguardava a resposta do Ministério Público referente a uma petição para que a DRS voltasse a fornecer o medicamento. Entretanto, quase duas semanas depois, o caso ainda não foi resolvido e os pais de Melissa continuam tendo que comprar os medicamentos para conseguir realizar o tratamento da criança.

PARA ENTENDER
Desde 2016, Melissa Ferreira Campanaro precisa de medicamentos especiais para o seu dia-dia. Depois de uma grande batalha para consegui-los de maneira gratuita por meio da farmácia da DRS, outro problema ocorreu: a falta do remédio no estoque do órgão do governo do Estado de São Paulo.

A distribuição dos medicamentos pela farmácia da DRS só foi possível, como explicam os pais de Melissa, através da Justiça.

Após conseguirem tratar da criança com essa determinação desde junho de 2017, há seis meses o principal dos remédios não está sendo mais fornecido à Melissa, mesmo com a decisão judicial.

A Coordenadoria de Assistência Farmacêutica disse em nota que a compra do remédio Scopoderm TTS foi concluída. Entretanto, alega que por se tratar de medicamento importado, o processo de aquisição requer o cumprimento de uma série de etapas, incluindo autorizações de importação pela Anvisa e desembaraço alfandegário por parte da Receita Federal, entre outras. “Os responsáveis pelo paciente serão informados tão logo o medicamento esteja disponível para retirada”, concluiu o Poder Público Estadual.

Por Franco Junior.

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