Solidão é necessária para promover autoconhecimento

A sociedade de hoje impõe um ritmo de vida cada vez mais acelerado, com uma avalanche de informações que chegam pelas redes sociais, além de milhões de compromissos para dar conta.

Contudo, nessa correria, não se pode esquecer de reservar um tempo para o autocuidado.
A psicóloga Eliziane Maria Santos Martarello, especializada em Psicologia Positiva (conheça-a no site https://lymartarello.wixsite.com/reencontre-se), observa que, embora seja muito importante o ser humano manter relacionamentos positivos, que os ajudam na evolução e realização pessoal, o autoconhecimento é essencial para o sucesso destes [relacionamentos], ou mesmo para curtir de verdade os momentos de relaxamento.

“E como se adquire isso? Estando só, consigo mesmo. Existe um grande bloqueio por parte do ser humano para conquistar esse estado de solitude*, mas ele é estritamente necessário e é possível praticá-lo”, acentuou.

Um exemplo que a psicóloga cita é a Meditação, prática cujos benefícios são comprovados cientificamente e que não é difícil de ser realizada. “Ela [meditação] está relacionada à metacognição, ou seja, a capacidade de auto-observação, de observarmos como pensamos e reagimos emocionalmente aos acontecimentos do dia a dia; e à interocepção, que funciona como uma espécie de termômetro de nossa situação fisiológica e emocional, tornando-nos mais conscientes de como as situações afetam nossa saúde física e emocional”, descreveu, enfatizando que, quando mais consciente a pessoa se torna, mais bem estar sentirá.

Mesmo que ‘silenciar a mente’ seja difícil na prática, Eliziane lembra que a proposta é justamente identificar o ‘falatório’ mental e voltar a atenção para a respiração e o corpo. “Existem diversas técnicas que podem ajudá-lo a começar e a mais simples é a meditação guiada; com um smartphone e um fone de ouvido, você já consegue fazer”, disse.

Em solitude: estado de espírito em que a pessoa está só mas não ‘sozinha’ – (Foto: Reprodução/Blog Ortoponto)

Quanto ao medo que algumas pessoas parecem sentir ao ficarem sozinhas e em silêncio, Eliziane explica que todos carregam dentro de si as experiências vividas, sejam boas ou más, bem como os sentimentos que elas geraram e os aspectos de personalidade – de que gostamos ou nem tanto.

“Temos também as experiências vividas no decorrer do dia que, às vezes, não ocorrem da maneira como esperamos e isso pode gerar diversos sentimentos como culpa, raiva, mágoa, ódio, tristeza, remorso e assim por diante. Tudo isso gera uma carga emocional muito forte que, quando estamos na nossa própria companhia, tende a vir à tona, e nem sempre queremos entrar em contato com ela”, comentou.

Eliziane pontua que o fato de não se ter o costume de mergulhar em si mesmo faz com que, geralmente, o medo e ansiedade apareçam quando alguém fica sozinho, por isso é que algumas pessoas evitam essa realidade.

“O fato é que a plenitude está atrelada ao autoconhecimento, não existe outro caminho. Se a pessoa considera muito difícil mergulhar em si mesma, um bom psicólogo pode ajudá-la, mas é importante lembrar que o papel dele é apenas ajudar a ‘andar com as próprias pernas’, que tudo depende da própria pessoa”, ponderou.

E conclui que, ao observar pela perspectiva de que tudo que precisamos está dentro de nós mesmos, podemos encarar isso com mais tranquilidade. “O mergulho dentro de nós é um processo doloroso, pelo fato das crenças e julgamentos que colocamos em nossa mente a respeito disso. Porém, uma vez que esse mergulho é feito e esses padrões são quebrados, os benefícios são inúmeros, vejo muitos pacientes vivendo uma vida mais plena, com propósito, alegria, gratidão e significado”, finalizou.

*Solitude (wikipédia)- é o estado de privacidade de uma pessoa, não significando necessariamente um estado de solidão. Pode representar o isolamento e a reclusão, voluntários ou impostos, porém não estão diretamente associados ao sofrimento.

Por Daniela Prado.

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