Vereadores querem explicação sobre expansão do UniFAE

A intenção do UniFAE em implantar o curso de Medicina na cidade de Indaiatuba se tornou oficial com a apresentação de um projeto no Conselho Estadual de Educação e pegou os vereadores de surpresa.

Vick (PSD), na sessão da última segunda-feira (4), utilizou a tribuna do Legislativo para pedir mais participação dos vereadores em assuntos deste tipo. O edil frisou que o projeto está quase concretizado e a Câmara não havia participado de nenhum tipo de reunião para tratar do assunto.

O vereador ressaltou também a necessidade de estudar melhor esta possibilidade e chegar a um consenso na Câmara entre todos os edis.

Por conta disso, os vereadores decidiram convidar o reitor Francisco Arten para explicar o projeto nas próximas sessões.

O PROJETO

Para a construção de um novo campus em Indaiatuba, de acordo com o que foi apurado pelo O MUNICIPIO, o UniFAE precisará investir R$ 7,5 milhões. Pelo menos é isso o que consta no projeto de expansão que já teria até mesmo aprovação do Conselho Estadual de Educação.

No documento apresentado ao Conselho, o UniFAE afirma, ainda, que a intenção do Centro Universitário possui aval do Legislativo e da prefeitura sanjoanense.

O MUNICIPIO consultou alguns vereadores na sessão da última segunda e os mesmos afirmam que não houve nenhum tipo de aprovação por parte da Câmara Municipal. Alguns deles também se colocaram contrários ao investimento fora da cidade.

APENAS ESTUDOS

Em sessão realizada no dia 2 de maio, a intenção de expandir o UniFAE para Indaiatuba se tornou pública por meio de um ofício enviado à Câmara Municipal pelo reitor do Centro Universitário, Francisco Arten.

No documento, o reitor pedia que os vereadores se manifestassem a respeito desta possibilidade de expansão da Instituição de Ensino.

Ainda naquela reunião, o vereador Vick utilizou a tribuna do Legislativo para se colocar contra o projeto. Ele ressaltou na oportunidade que, ao invés de investir fora da cidade, o UniFAE deveria expandir ainda mais dentro do próprio município.

Depois de sua explanação, Vick ganhou apoio de alguns vereadores e o assunto não voltou à pauta de debates da Câmara até a reunião da última segunda.

 

DEFENDO QUE A GENTE ESTUDE AUMENTAR O CURSO DE MEDICINA AQUI, AFIRMA VANDERLEI

Assim como os vereadores, o prefeito Vanderlei Borges de Carvalho (PMDB), em entrevista ao O MUNICIPIO, revelou surpresa com a notícia de que a implantação de um campus do UniFAE em Indaiatuba teria aval da Prefeitura de São João e do Legislativo sanjoanense.

De acordo com Vanderlei, o que chegou a ele foi um ofício que demonstrava a intenção da expansão e o início dos estudos para verificar a viabilidade de um campus em Indaiatuba.

“É uma situação que precisa ser muito estudada por todos, tenho medo de que possa sobrar um problema muito grande para a autarquia e para o município”, pontuou Vanderlei.

A preocupação do prefeito, assim como ele mesmo explica, ocorre porque o Centro Universitário se instalaria em um prédio cedido pela atual prefeitura de Indaiatuba e teria um acordo para usar, possivelmente, a Santa Casa da cidade ou um hospital pertencente a um deputado.

“Imagine que isso dê um problema lá na frente e se o próximo prefeito disser que quer cobrar aluguel no prédio, o hospital quiser também cobrar alto valor para ser usado como hospital escola. Se, quando os alunos estiverem no quarto ano, der um problema, imagine a indenização sobre isso”, preocupou-se Vanderlei.

Outro ponto que faz o prefeito querer discutir melhor o projeto é o fato da contratação e o pagamento de futuras aposentadorias dos funcionários. Isso porque, o regime de contratações em São João é estatutário e quando, futuramente, os funcionários se aposentarem em Indaiatuba, a aposentadoria cairia no Instituto de Previdência sanjoanense.

AMPLIAR EM SÃO JOÃO

Ao invés de investir R$ 7,5 milhões em um campus em Indaiatuba, Vanderlei Borges de Carvalho defende a ideia de aumentar o curso de Medicina do UniFAE de 60 para 100 alunos nas próximas turmas. Para ele, isso geraria um grande ganho econômico para a cidade.

“Defendo uma posição diferente do que o reitor do UniFAE tem defendido. Indaiatuba está em outra região e não tem nada a ver com nossa realidade e com a realidade de nossa região de 16 municípios. Em conjunto também com o hospital de Divinolândia, poderíamos formar oftalmologistas, que estão em falta, aqui pertinho”, finaliza o prefeito. (F.J.)

REITOR VÊ EXPANSÃO COMO CRESCIMENTO PARA O CENTRO UNIVERSITÁRIO

A instalação de um campus do UniFAE em Indaiatuba, de acordo com o reitor do Centro Universitário, Francisco Arten, é um sinal de crescimento para a instituição, que passará a ter dois campi.

Assim como ele revelou ao O MUNICIPIO, o acordo para a ida da faculdade sanjoanense à cidade está sendo feito com a Fundação Indaiatubana de Educação e Cultura (FIEC), que, assim como o UniFAE, também é uma autarquia municipal.

“Estamos fazendo a negociação com a FIEC, que é uma renomada autarquia municipal conhecida em todo Brasil. Todos os cursos que temos aqui poderão também ser instalados lá”, pontuou Arten, que garantiu que, para a instalação do Centro Universitário em Indaiatuba, “não estamos fazendo investimentos com recursos de São João da Boa Vista, ou seja, não estamos tirando dinheiro daqui para colocar lá”.

POR QUE INDAIATUBA?

O projeto de ter um novo campus em Indaiatuba, a princípio, deve levar o curso de Medicina para o município.

Perguntado sobre o motivo de não disponibilizar mais vagas nas turmas de São João ao invés de abrir um campus em outra cidade, o reitor garantiu não ser possível devido à falta de leitos SUS oferecidos na região.

“Por lei federal, o número de vagas é por região. Então, precisa ver quantos leitos SUS existem na região e, a cada cinco leitos, você cria uma vaga para o curso de Medicina. São João, por si só, já está com número de leitos esgotado, por isso temos que buscar acordos com hospitais da região. Temos que aumentar, por exemplo, o número de vagas da região para aumentar o número de vagas no UniFAE. Lá [em Indaiatuba] não, lá sobram vagas”, esclareceu Arten.

Já a escolha por Indaiatuba, assim como explica o reitor, ocorreu devido à estrutura oferecida pela cidade e também para que não exista competição do novo campus com os centros universitários de São João e região.

“Uma cidade que não compete com São João e não compete com nenhuma outra faculdade da região. Indaiatuba possui um dos melhores índices de IDH [Índice de Desenvolvimento Humano] do Brasil e é um município que oferece todas as condições para que o UniFAE vá até lá e se instale”, disse.

O QUE FALTA?

Francisco Arten garantiu, ainda, que a ida para Indaiatuba precisa de aval tanto da Prefeitura de São João quanto da Câmara Municipal.

“Está na mão do prefeito e dos vereadores a decisão de ter ou não o campus em Indaiatuba, só depende deles, não depende mais de nenhum outro fator. Já em relação a Indaiatuba, a parceria é com a FIEC e não com a prefeitura de lá. A prefeitura de lá fará a mesma coisa que a daqui fez, que é abrir os postinhos para que os nossos alunos possam trabalhar”, finalizou Arten.

INDAIATUBA VIVE CRISE POLÍTICA

A cidade de Indaiatuba, local em que o UniFAE quer abrir novo campus para o curso de Medicina, convive com crise política há alguns anos.

Isso porque o atual prefeito, Nilson Gaspar (PMDB), e o ex-prefeito Reinaldo Nogueira vivem problemas com a Justiça.

Segundo matéria publicada pelo jornal Todo Dia, de Indaiatuba, em abril, eles tiveram bens bloqueados por improbidade administrativa pelo TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo).

Além disso, ainda de acordo com a publicação, o MPE (Ministério Publico do Estado) entrou com uma ação contra eles e mais um empresário, denunciando enriquecimento ilícito.

PRISÕES

Por duas oportunidades, ex-prefeito Reinaldo Nogueira chegou a ser preso em 2016. Ele conseguiu na Justiça permissão para deixar a penitenciária onde estava em ambas as vezes.

Assim como está descrito na denúncia, quando Nogueira era prefeito, uma empresa venceu duas licitações na prefeitura e uma no SAE (Serviço de Água de Esgoto), pasta da qual Nilson Gaspar era o superintendente na época, que somavam cerca de R$ 5 milhões.

Em uma operação dos promotores, em 2015, foi apreendido R$ 1,9 milhão no gabinete e na casa de Nogueira.

 

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