Dificuldade em aprender rimas pode indicar dislexia

Quando uma criança fala errado, muitos adultos se encantam, crendo que isso se deve a idade e que, com o tempo, ele(a) aprende a falar corretamente.

Contudo, é preciso estar atento quando a criança entra na fase da pré escola e começam as dificuldades como inverter sílabas de palavras ou não conseguir assimilar rimas das cantigas de roda, por exemplo – pois estas podem ser algumas manifestações iniciais da dislexia, um Transtorno Específico da Aprendizagem, cuja origem é neurobiológica e afeta cerca de 7% da população em geral.

Carina Zuini, médica psiquiatra que atende, em São João, na Estação Beleza (Espaço Riviera), explicou que a dislexia é um transtorno da leitura e escrita, que se caracteriza por um baixo desempenho na capacidade de ler e escrever.

“É percebida durante a fase de alfabetização e se mantém mesmo com a intervenção educacional adequada. Na dislexia, há dificuldade na decodificação das palavras e processamento fonológico, ou seja, há a dificuldade em desmembrar a palavra separando-as em unidades menores de som, em converter os grafemas em fonemas”, esclareceu.

(Foto: Reprodução/Internet)

Ela detalhou que isso ocorre porque há uma subativação de caminhos neurais da parte posterior e uma superativação da parte anterior do cérebro. “A falha na parte posterior do cérebro promove a dificuldade de transformar as letras em sons e o reconhecimento rápido das palavras. Uma forma de compensar essa falha se dá por meio do uso de sistemas cerebrais auxiliares na parte frontal e lado direito do cérebro e da área de Broca (área localizada no hemisfério cerebral esquerdo). Porém esses sistemas secundários não são automáticos, ou seja, permitem que haja uma leitura, mas que ocorre de forma muito lenta”, justificou.

Carina também ressaltou que a dislexia tem base genética, o que significa que uma criança terá maiores chances de desenvolver esta condição se tiver familiares com o diagnóstico.
“No entanto, vários fatores podem contribuir para atenuar ou reforçar os sintomas, como o estímulo da família e da escola”, ponderou a psiquiatra, recordando que a base genética comum favorece a comorbidade com outros transtornos de aprendizagem, como a discalculia (dificuldade em aprender e manipular conceitos matemáticos), a disortografia (dificuldade no aprendizado e desenvolvimento da linguagem escrita expressiva) e a dispraxia (que afeta a noção de espaço, coordenação e habilidade motora).

A dislexia, segundo Carina, pode ser leve, moderada ou grave, sendo que o impacto na produtividade pode variar de acordo com o grau. “A demora para iniciar o tratamento ou a intervenção inadequada podem retardar a melhora, com impacto acadêmico importante e, portanto, prejuízo na produtividade escolar e profissional”, concluiu.

Por Daniela Prado.

Como pais podem perceber a dislexia

Existem várias pessoas que, mesmo disléxicas, conseguiram alcançar sucesso profissional, sendo o mais famoso e conhecido caso, o do ator Tom Cruise.

Isso vem a demonstrar que a dislexia não é um fator incapacitante e, para os pais e professores identificarem o transtorno, a médica psiquiatra Carina Zuini destacou alguns aspectos.

“Crianças com dislexia podem apresentar erros de reconhecimento das palavras e troca de letras; a leitura de textos não é fluente e sofre alteração de ritmo e entonação (por exemplo, leitura de sílaba por sílaba); também é comum haver uma dificuldade acentuada na compreensão de textos; a escrita é caracterizada por erros de ortografia, inversão de letras e sílabas; habitualmente, apresentam uma leitura e escrita com rendimento abaixo do esperado para a idade e a escolaridade”, citou Carina.

A médica também pontuou que existem sinais precursores no período pré-escolar, como início tardio do desenvolvimento da linguagem e articulação de palavras, compreensão verbal deficitária, vocabulário reduzido e problemas na formação de frases.

“Eles ainda não nos permitem confirmar a existência da dislexia, mas nos auxiliam a promover intervenções adequadas desde cedo, que certamente minimizam as dificuldades presentes no quadro”, finalizou ela, acrescentando que o diagnóstico pode ser fechado por equipe multidisciplinar, normalmente composta por psicólogo (ou neuropsicólogo), fonoaudiólogo, psicopedagogo e médico psiquiatra ou neuropediatra, sendo confirmado quando o paciente apresenta dificuldade de leitura e escrita, a despeito de déficit cognitivo ou alterações sensoriais (problemas de acuidade auditiva e visual), que se mantém apesar de intervenções terapêuticas / educacionais adequadas. (D.P)

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