O desenvolvimento da fala e linguagem das crianças, principalmente as que pronunciam as primeiras palavras, é algo que marca fundamentalmente o desenvolvimento infantil, além de ser expectativa de muitos pais. Contudo, o processo de aquisição da linguagem é variável e individual.
A respeito disso, a reportagem do O MUNICIPIO ouviu as psicólogas Miriam Tereza Galli Sorita dos Santos, que possui formação para levantamento de diagnóstico e intervenção ao TEA (Transtorno do Espectro Autista), além de lidar com distúrbios de comunicação, e a psicóloga clinica Polyanna Karen de Castro Baroni.
“A linguagem é um atributo humano, ela liga as pessoas umas às outras e, quando se dá sua estruturação, a criança estará pronta para criar o laço social e entrar na cultura”, disse Miriam.
Polyanna acrescentou que a criança vem para o mundo sem a linguagem, mas o querer falar depende exclusivamente dela.
“Mesmo se tratando de uma criança muda, ela se empenha em ser entendida, convoca o adulto para criar um laço de comunicação e estabelecer a linguagem. A linguagem produz a palavra e a palavra faz nova recondução para resolução dos problemas da criança”, pontuou Polyanna, completando que através desta comunicação existe o encontro entre a criança e seus pais ou cuidadores.

As psicólogas analisaram que, quando o bebê começa a se comunicar, a linguagem passa pelo seu corpo através das sensações e a mãe se torna a tradutora da linguagem para o pequeno.
“Não é possível que a linguagem seja construída por um lado só; é preciso tempo e presença da mãe para incluir o bebê no mundo dos falantes. Crianças que encontram no ambiente familiar uma maior estimulação serão mais comunicativas, mas é preciso lembrar que para toda comunicação é preciso um interlocutor e que traduza para a criança seu mundo, mesmo numa linguagem figurativa”, frisou Miriam.
Já Polyanna lembrou que toda estimulação é bem-vinda para uma criança, desde que não seja excessiva, e os pais podem contar histórias, cantar músicas, usar objetos para emitir determinados sons.
“Também no cuidado diário desta criança, os pais poderão estar sempre falando o que pensam e escutando o que ela lhes diz, mesmo numa linguagem ininteligível. É a linguagem que nos humaniza, que permite nos relacionarmos em qualquer cultura e lugar, desde que para isso duas pessoas o queiram”, justificou Polyanna, concluindo que é neste aspecto que todo laço afetivo será constituído, assentando a criança para suas relações sociais futuras.
Elas esclareceram que tempo e presença são necessários para que os pais participem do desenvolvimento de seus filhos e para isso é preciso disponibilidade.
“Toda criança que sofre vai demonstrar de alguma forma o seu sofrimento, seja pelo choro, pelo silêncio, por sintomas como alguma doença recorrente ou simplesmente contar o que está acontecendo, enfim, ela sempre vai sinalizar”, destacou Miriam.
E Polyanna finalizou lembrando que o importante é que, se os pais estiverem disponíveis no tempo e presença, irão perceber a tempo se é hora de ter com o pequeno, algum cuidado especial.
As psicólogas fazem parte do Projeto Clinbabies – Clinica e Intervenção na primeira Infância, que visa o atendimento de crianças bem pequenas que apresentam algum transtorno de linguagem e desenvolvimento psicomotor, com o atendimento e orientação da família da criança atendida. Miriam é a idealizadora e Polyanna participa dele, juntamente com a estudante de psicologia Aline de Souza Lopes.
Por Daniela Prado.




