EDITORIAL: Que política é essa?

No final de semana passado, São João da Boa Vista finalmente iniciou a vacinação de seus profissionais da Educação, após muita pressão de grupos articulados e sindicados. Centralizada em um único local, a imunização gerou longas filas e espera, na sexta (11) e no sábado (12).

Mas o que levou a Prefeitura a adotar tal logística? Não se sabe ao certo! Contudo, entre uma adoção e outra, um caso pode elucidar a questão e merece destaque. O fato de o Poder Público ter editado quatro decretos em uma semana – um para corrigir falhas do outro – é sintomático do que se vê na cidade: algumas políticas públicas sendo definidas em grupos de WhatsApp.

Além disso, estamos, certamente, enfrentando não só uma pandemia, mas uma política de ignorar sistematicamente a delicada situação sanitária – muito parecida, aliás, com a adotada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Ambos os hospitais locais estão lotados – tanto público quanto privado –, crescimento de 5,26% nos óbitos e 16% nas internações em sete dias e, ainda assim, a prefeita Teresinha acredita que não há necessidade de medidas restritivas mais duras.

Outro fato, talvez até mais preocupante, é saber o paradeiro de 8.277 doses das 55.909 recebidas do Estado. Essas doses, que em tese repousam em refrigeradores do Departamento de Saúde, poderiam ajudar a deslanchar a vacinação local – elas imunizariam cerca de 9% da população.

Porém, a ‘publicidade oficial’ ‘vende’ a cidade como um dos municípios que mais vacinam em São Paulo, o que é duvidoso, haja vista que São João aplicou pouco mais de 85% das doses recebidas.

Infelizmente, o mundo real é diferente da publicidade ‘pintada’. Nele, a vacina veio tarde para muitos e nem chegou para alguns, como a jovem estudante Daiane Mendes da Silva, 27, futura educadora, e que teve a vida ceifada pela Covid-19. Neste ritmo, a maior obra da atual gestão poderá ser a ampliação do Cemitério Municipal.

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