A futura administração: muito além do assistencialismo

Nem tudo que é sólido se desmancha no ar. Na disputa mais acirrada da era das urnas eletrônicas, em São João venceu quem manteve a confiança de seu eleitorado por décadas. O grupo da atual administração colecionou ex-aliados, que entraram na disputa, o que é natural em quatro mandatos. Mesmo assim, Patrícia Magalhães transpirava propostas inovadoras, agregando gente que não participou da sua trajetória política (apoiei, convicto) e consolidando-se como nova liderança.

A trajetória de Teresinha, candidata vitoriosa, se construiu nas insuficiências do poder público, com assistencialismo em troca de votos; por um lado socorrendo urgências, por outro não corrigindo as falhas. É clássica e totalmente justificável a desconfiança dos setores mais escolarizados. Entretanto, construiu uma rede em nível nacional que vai bem além do clientelismo local.

A partir dos anos 1990 seu grupo fortaleceu relações multipartidárias, tal que está no partido do vice-governador e dos presidentes da Câmara e do Senado, com vice ligado à Marina Silva. Possui trânsito na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e na Associação Paulista de Municípios (APM), e conta com a retaguarda de Geninho Zuliani, um dos deputados federais mais expressivos quando o assunto é desenvolvimento de cidades pequenas e inovação.

A futura prefeita possui trânsito com empresários locais dos mais variados setores e tamanhos, interlocução com lideranças das outras candidaturas e dos municípios vizinhos. Tem todas as condições para exercer seu mandato participativo levantando demandas por meio de sua singular penetração popular e buscando soluções com o trânsito político. Se conseguir articular esta teia complexa com critério e pulso, pode fazer um governo surpreendente.

Marcos Rehder Batista é sociólogo

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