Sanjoanenses elegem seu 21º prefeito neste domingo (15)

Paço Municipal: o futuro nome escolhido pela população vai ocupar o mais alto cargo público (Arquivo/O MUNICIPIO)

Neste domingo (15), os sanjoanenses – 70.161 estão aptos a votar – vão eleger o 21º prefeito que irá ocupar a cadeira do Gabinete do Executivo no lugar de Vanderlei Borges de Carvalho (MDB) a partir de 1º de janeiro de 2021. Também poderá ser a primeira mulher na história a ser escolhida para comandar a cidade.

Em um ano atípico e de muitas mudanças no calendário eleitoral, os seis postulantes que concorrem neste pleito trabalharam nas últimas semanas em suas campanhas e agora chegou a hora de saber qual deles(as) é que terá a missão de governar São João da Boa Vista pelos próximos quatro anos.

Ao escolhido ou à escolhida caberá a difícil tarefa de administrar para 91.771 mil habitantes, segundo última estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e atender às diversas demandas nas áreas de Saúde, Educação, Segurança Pública, Infraestrutura Urbana, Economia local, Cultura, Esportes e Lazer, dentre outros.

O 21º ou a 21ª prefeita entrará para a história em uma galeria em que já passaram pela cidade 20 gestores, desde o primeiro, Joaquim Pinto de Noronha, passando por Angelo Pires Cardoso, José Procópio de Andrade Junior e muitos outros, chegando a Vanderlei, o último desta década, e que foi eleito em 2012 e reeleito em 2016.

CONVIVENDO COM NOVE PREFEITOS

Um dos funcionários públicos municipais mais antigos, Antônio Liberato de Lima, 68, o Toninho, conviveu com nove prefeitos ao longo de 55 anos que está na Prefeitura de São João. Trabalhando atualmente como assessor na Secretaria, ele acompanhou de perto as mudanças ocorridas no Poder Executivo durante décadas, sendo um verdadeiro guardião de algumas relíquias.

Toninho começou a trabalhar na Prefeitura com 12 anos de idade, isso em janeiro de 1965, durante a gestão de Octávio da Silva Bastos. Ele fazia parte da chamada Turma Mirim, uma equipe que era responsável pela limpeza urbana, a qual tinha como fiscal Onofre Latanza.

À época, ele foi escalado para fazer a limpeza do porão da Prefeitura e acabou convidado para permanecer no prédio, devido ao bom trabalho desempenhado. Com isso, Toninho ficou ajudando na limpeza e na cozinha, além de servir o café. Posteriormente ficou encarregado pela copa e pela faxina – e continuou servindo café.

Com o passar do tempo foi progredindo e mostrando interesse em outras áreas, o que chamou atenção de Mariana Corsi Nogueira, que era secretária à época. “Quando não tinha serviço, eu ia na Secretaria e a dona Mariana me deixava treinar na máquina de escrever. Era uma máquina italiana e que fazia muito barulho”, contou. “Fui aprendendo datilografia aqui na Prefeitura mesmo”, afirmou.

  

Com 55 anos de trabalho na Prefeitura, Toninho coleciona histórias e curiosidades

História: Toninho exibe livro manuscrito datado de 1936 (Bruno Manson/O MUNICIPIO)

Lembrando o início da carreira, Toninho se recorda de um fato hilário que lhe marcou durante a gestão de Bastos. Nesta passagem, o engenheiro Paulo Almeida Sandeville estava conversando com o prefeito no Gabinete e acabou esbarrando no servidor que trazia uma bandeja de café, derrubando tudo no chão. O incidente deixou o jovem aprendiz assustado, mas o chefe do Poder Executivo o tranquilizou e pediu para chamar a faxineira para limpar a sujeira. Uma curiosidade é que Bastos era um grande apreciador de chá-mate e sempre requisitava a bebida invés de café.

Comentando sobre este período, Toninho relata que havia uma senhora conhecida popularmente por Niquita. Ela vivia em uma situação de vulnerabilidade social e costumava ir com frequência à Prefeitura, onde tinha livre entrada. Na época, Bastos não deixava ninguém barrá-la e até a ajudava com dinheiro do próprio bolso.

PROGRESSÃO

Em pouco tempo, o jovem aprendiz se tornaria office-boy, sendo bastante requisitado por Bastos quando precisava fazer ligações. Com o decorrer dos anos, se tornou mensalista, depois escriturário e, em seguida, foi nomeado secretário. Na administração de Nelson Nicolau foi nomeado chefe de Gabinete, cargo que desempenhou durante grande parte da gestão de Sidney Beraldo. Na gestão de Gastão Cardoso Michelazzo, voltou a ser convidado para continuar no cargo, mas preferiu voltar à sua função original de secretário. “Era muita responsabilidade”, disse.

Na época houve uma reforma administrativa e ele foi nomeado agente administrativo, ocupando este cargo até se aposentar em 1998, quando completou 33 anos de serviços prestados à administração municipal. Contudo, o então prefeito Laert de Lima Teixeira lhe nomeou como secretário-geral, cargo que exerceu até abril daquele ano, quando passou a ser secretário com a recente reforma administrativa. “Foram muitas mudanças ao longo desses anos. E fico contente que sempre foram mudanças para melhor”, destacou. “Tenho o maior orgulho da Prefeitura e de todos que trabalharam comigo”, frisou.

RARIDADES

Hoje com 68 anos, Toninho guarda em sua sala todos os livros manuscritos, com portarias, leis e decretos da Prefeitura. A publicação mais antiga data de 1936, da gestão de Waldemar Junqueira Ferreira.

EQUIPAMENTOS Antigos

Na mesa onde fica, na Secretaria, Toninho tem até hoje um grampeador que lhe acompanha desde que começou a trabalhar na Prefeitura. Durante esses anos, ele teve a chance de manusear os mais variados equipamentos, como telex, termofax – que utilizava papel infravermelho –, mimeógrafos e até uma calculadora de manivela. Entre esses aparelhos curiosos da época, ele recorda ainda de uma copiadora de gelatina – uma mesa com uma peça gelatinosa que copiava as páginas de livros e documentos – que era utilizada por Vanderlei Borges de Carvalho.

RELÍQUIA

Na sala onde Toninho trabalha está uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, considerada verdadeira relíquia. O servidor explica que a imagem está lá desde que ingressou na Prefeitura e existem apenas quatro réplicas como aquela em São João – as outras três, ele não sabe onde se encontram.

Um fato curioso é que, por muitos anos, o manto da santa era feito por Maria José, esposa do ex-prefeito Oscar Pirajá Martins Filho. “Ela fazia o manto até mesmo depois que terminou o mandato dele”, destacou.

PELAS RUAS

Enquanto Toninho relembra histórias de alguns dos prefeitos, pelas ruas da cidade, o que mais se espera é que o(a) futuro(a) prefeito(a) tenha responsabilidade com a coisa pública e com os sanjoanenses, que já estavam atentos durante a campanha e continuarão por mais 1.460 dias, contados entre 1º de janeiro de 2021 e 31 de dezembro de 2024.

A recepcionista Michelle Crisler Marcelino, 35, espera que o(a) eleito(a) seja honesto(a) e realmente tire do papel o que se propôs a fazer. “Que não fique só no discurso que fez na hora de pedir o voto do povo. Que pense na população e invista mais na saúde, na geração de trabalho, nos jovens”, disse.

“Eu espero um(a) prefeito(a) que seja mais comprometido(a) com a atração de empresas para a cidade. Além disso, seria bom um(a) prefeito(a) que revisasse a política de verticalização da cidade. Isso atrairia construtoras e faria com que o preço dos imóveis caísse devido à concorrência, como ocorre em Poços, por exemplo”, afirmou o professor Pedro Reato, 31.

O gerente geral Armando Castilho Filho, 44, diz que seu voto será consciente e espera que o(a) eleito(a) seja bem profissional, “contrate uma equipe de profissionais em cada setor, adequando à sua função, também deixando o orgulho e vaidade em ser o executivo(a) da cidade. Que veja quais foram os erros e acertos da atual [administração], para que possa adequar ao seu governo e também não fique escutando ‘palpiteiros’ que não entendem de administração municipal. E também não ‘apadrinhe’ pessoas nos cargos públicos, as quais ajudaram a elegê-lo(a). São João tem tudo para dar certo e torço para o(a) novo(a) administrador(a)”, concluiu.

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