Armando, ‘do Salão Azul’, completa 50 anos de atividade

Painel da Fama: Armando mostra quadro com fotos de recordação de clientes VIPs já atendidos (Daniela Prado/O MUNICIPIO)

Quem passa pela esquina das ruas Getúlio Vargas e Floriano Peixoto, certamente já percebeu o Salão Azul. No entanto, o que talvez nem todos saibam é que este completou 50 anos de funcionamento em maio.

Entre barbas, cabelos, limpeza de pele e cuidados estéticos para o público masculino, Armando Xavier de Souza, 80, profissional por trás desse estabelecimento, lembra que originalmente, este era na rua Prudente de Moraes, nº.: 27 e se chamaria Salão Tropical.

Natural de Ibicaraí (BA) e tendo trabalhado em São Paulo, ele chegou a São João quando a cidade contava apenas com 40 mil habitantes. Na época, veio sondando o ambiente e, na então Alfaiataria Nogara, apresentou-se como ‘profissional de corte de cabelo masculino’, informação que lhe rendeu os primeiros fregueses, como o médico Sérgio Nogara, cliente até hoje.

“Sérgio Nogara foi o primeiro corte que eu fiz. Depois veio o Vanzela, que é professor de judô na Esportiva e também cortei o dele. E foram três cortes de cabelo naquele dia. Eles ficaram encantados”, recordou Armando, referindo-se ao início de sua carreira.

De lá para cá, ele foi adquirindo conhecimento e conquistando público, como Valdemir Bruscato, Paulo Hoffmann, Valdemir Samonetto, Cláudio Richerme e vários outros, registrados em um ‘painel da fama’ que ilustra as paredes do salão.

“O Sidney Beraldo é meu cliente desde que cheguei aqui, quando ele ainda fazia Tiro de Guerra. Ele me contava que dizia para as pessoas, quando era chefe da Casa Civil, que viria até São João fazer a barba e o cabelo comigo. Sérgio Reis também foi meu cliente, inclusive em São Paulo, em uma época em que ele mal tinha dinheiro para pagar o corte de cabelo. Até Maurício de Sousa já esteve sentado nesta cadeira e me contou que o pai dele também era barbeiro em São Paulo”, comentou, satisfeito.

Admitindo que gosta muito do que faz e que nunca pensou em trocar a profissão que exerce desde os 15 anos, Armando frisa que é ‘cirurgião capilar’, pois “barbeiro é bicho ou então, o mau motorista”. O atendimento no Salão Azul é personalizado e prima pelo respeito, que vai desde tratar o freguês com carinho, até detalhes como deixar revistas para todos os públicos.

“Eu corto cabelos de todas as classes sociais e, fazendo um balanço, a palavra que resume tudo é gratidão. A gratidão que eu tenho por essa cidade é tanta, que preciso agradecer São João de alguma forma”, finalizou.

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