Esportiva explica situação aos sócios após decisões tomadas

Manutenção: mesmo fechado para sócios, os procedimentos de preservação do patrimônio estão sendo seguidos à risca (Fotos: Pedro Souza/O MUNICIPIO)

Na quinta-feira (21), a reportagem do jornal O MUNICIPIO esteve na Sociedade Esportiva Sanjoanense (SES) para se informar sobre a atual situação do clube. Em conversa com o presidente Antonio Roberto dos Reis, o Foguinho, pudemos acompanhar a parte interna do clube, fechada para os associados desde o dia 20 de março, por conta do decreto municipal.

A Esportiva atualmente conta com 154 colaboradores e para reduzir o impacto em seu orçamento, o clube adotou medidas conforme a legislação e não demitiu ninguém, além de manter os benefícios, como vale-refeição e plano de saúde. Os direitos trabalhistas também estão em dia.

DESCONTO DE 25%

Na terça-feira (19) a diretoria comunicou sobre as novas medidas econômicas. Para os sócios em dia, o desconto nas mensalidades será de 25%, a partir do pagamento de junho, que tem vencimento até 10 de julho. O mesmo desconto será aplicado nos meses de julho (com vencimento até 10 de agosto) e de agosto (com vencimento até 10 de setembro). O benefício será mantido mesmo que a quarentena seja encerrada antes destas datas, mediante pagamentos à vista.

Segundo a SES, a justificativa para a oferta de descontos está no estudo feito por contadores especializados em suas funções e pelos dirigentes do clube, que consultaram o procedimento adotado por outras associações que têm estatutos semelhantes ao clube rubro-negro.

Foguinho disse que “a maior parte dos clubes em situação semelhante adotou desconto de 20% nas contribuições associativas, portanto, a Esportiva é o clube que mais benefícios adotou em prol dos associados”.

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NEGOCIAÇÃO EM ATRASO

A diretoria aprovou negociar mensalidades de 2020 em atraso e o pagamento poderá ser feito por cartão de crédito ou cheque, sem descontos. Caso o sócio tiver uma mensalidade em atraso, o pagamento poderá ser feito em duas parcelas; se tiver duas mensalidades em atraso, poderá ser feito em quatro parcelas; por fim, se o associado tiver três ou mais mensalidades em atraso, o pagamento poderá ser realiado em até seis vezes.

O associado que solicitou desligamento em março ou abril e desejar retornar ao quadro associativo, também fica valendo estas medidas estabelecidas, desde que ele informe a intenção de retorno até o final deste mês (maio), para a regularização cadastral.

O comunicado ainda destacou que durante a quarentena, o clube seguiu com as obras em andamento, quitou as obrigações com fornecedores e não faltou com os pagamentos aos colaboradores e prestadores de serviços. Demais obras planejadas e eventos que aconteceriam foram cancelados. O balancete deste ano está no site do clube (www.ses.com.br).

Questionado sobre a queda do número de sócios, Foguinho foi incisivo em dizer que “o êxodo neste momento de pandemia era esperado, porém, considerando a sazonalidade desta época do ano, sempre houve evasão acima de 10% do quadro de associados. Nesta ocasião de quarentena, a evasão foi em torno de 5%, ou seja, um número muito menor do que a saída de sócios em tempos normais. Os números detalhados estão expostos, com total transparência, em nosso site”.

REPERCUSSÃO NAS REDES SOCIAIS

Assim que o comunicado da diretoria foi postado na página oficial do clube, alguns seguidores se manifestaram com a situação; teve internauta que apoiou a decisão e outros, em maioria, mostraram descontentes com o cenário proposto.

“A Esportiva não é um prestador de serviços, somos uma associação. Quando alguém se filia a uma associação, o faz por iniciativa ideológica, por querer participar de seu quadro, respeitando aquilo que preconiza seu estatuto. Muitas pessoas, infelizmente, confundem o clube com um prestador de serviço direto”, disse o presidente.

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VOZ DO SÓCIO

A professora Thaís Tavares foi sócia por quatro anos da Esportiva. Ela relatou a importância do clube mostrar opções de negociação para os associados, mas lamentou ter sido tarde.

“Acho que se esse posicionamento tivesse acontecido antes, poderia ter evitado muitos cancelamentos, visto que muitas pessoas não têm condição financeira para manter o pagamento. No meu caso, me desliguei por redução de gastos, em casa sou a única que estou trabalhando”, disse.

Thaís ainda reforçou que entende o clube ter gastos com manutenção e colaboradores e que um dia pretende voltar. “Quando tudo se normalizar e nos estabilizarmos, pretendo retornar à Esportiva”, contou.

Há mais de 25 anos como sócia, Cláudia Campos defendeu as medidas tomadas pelo clube. “As providências foram necessárias, esperaram o quanto puderam para usar da suspensão dos contratos e não dispensar nenhum colaborador, achei justo o desconto nas mensalidades futuras, bem como o parcelamento para quem precisar”, pontuou Cláudia.

O sócio e engenheiro agrônomo Paulo Vieira foi contra as medidas propostas pelo clube. Ele acredita que a decisão dos descontos e as condições dos inadimplentes nos dois últimos meses poderia ter sido mais arrojada. Além disso, considera que o clube deveria ter sido menos complacente com os que simplesmente se desligaram no início da crise. Como associado, Paulo também sugeriu o que poderia ser feito para melhorar a situação da SES nessa época de pandemia.

“Em momentos como esses é necessário se reinventar, o clube poderia estar entrando em contato com seus associados via e-mail, WhatsApp, Instagram ou Facebook, demonstrar atenção e ter mais informações sobre a situação de seus associados para daí sim traçar um plano de ação”, sugeriu.

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