Betti teria usado talão de forma irregular

A audiência para ouvir testemunhas do ‘Caso Betti’ – em relação a suposto uso indevido do carro oficial da Câmara Municipal e verba pública para abastecer veículo próprio – foi marcada por acusações de que Fernando Betti (PDT) teria apropriado-se do talão de autorização para abastecimento de combustível de forma irregular.
Três funcionários de Legislativo foram ouvidos, na noite de terça-feira (8), pela Comissão Processante presidida por Odair Pirinoto (PTB) e composta pelo relator Leonildes Chaves (PHS) e a membro Professora Can (PDT). A sessão precisou ser dividida para que novas testemunhas prestem depoimento na próxima quarta-feira (16).

TALÃO NA GAVETA
A ex-diretora da Câmara Juliana Gião, que era quem fazia autorizações para uso do carro e abastecimentos, foi a primeira a ser ouvida. Em seguida, o agente Legislativo Marcelo Pasquini, responsável por compras e RH, e o contador do Legislativo José Cezário Beraldo Júnior, que realiza os pagamentos, prestaram depoimentos.
Juliana acusou Betti de ter pegado de dentro da gaveta dela um talão com diversos tíquetes que autorizava o abastecimento de veículos em um posto de São João. O vereador teria feito isso, de acordo com ela, em um período em que a mesma estava de folga.
“Quando retornei de uma de minhas ausências [por licença médica, férias e falecimento do pai], o Moacir Molina [ex-funcionário, que faleceu em abril] me alertou que o Betti tinha mexido em minhas coisas. Fui olhar na gaveta e um dos talões não estava lá. Liguei para o Fernando, que confirmou que estava com ele e alegou que tinha pegado para deixar no carro [da Câmara] para facilitar o abastecimento. Liguei para o Marcelo [Pasquini] e ele disse que o talão tinha que ficar comigo para ter controle sobre o abastecimento. O próprio Marcelo foi buscar o talão no carro e ele não estava lá, mas sim com o vereador”, afirmou.
Marcelo Pasquini, que formalizou convênio de abastecimento via talão e tíquetes, foi ouvido logo após Juliana Gião e confirmou o fato de que Betti estava com o talão.
“Alertei [a Juliana] de que o talão tinha que ficar na Câmara. Então, fui até o carro pegá-lo, mas o mesmo não estava lá. Disse à Juliana que, se estivesse com o Fernando Betti, ela deveria pegar de volta. Depois disso, quando a Câmara devolveu o carro para a Prefeitura [em novembro de 2017], acabou o convênio de abastecimento com o posto, fui pegar os talões na gaveta e faltava um. Entrei em contato com o Betti e ele me devolveu”, relembrou.
O caso também foi confirmado pelo contador José Cezário Beraldo Júnior, que foi o terceiro e último a ser ouvido na primeira audiência.
“Este talão teria ficado durante um período nas mãos do vereador. Essa é a informação que chegou até a mim. Agora, não sei se ele pegou na gaveta ou como aconteceu [para que o talão ficasse com ele]”, descreveu.
O contador ainda apontou que o fato de abastecer veículo particular para fins institucionais não é uma irregularidade. O problema, segundo ele, foi a não justificativa de viagens feitas pelo vereador. “Tudo isso que está acontecendo [investigação] é porque até hoje não foi justificada essa viagem [feita por Betti]”, narrou.
Tanto o contador quanto o agente administrativo afirmaram que Betti procurou a administração da Câmara Municipal, quando o caso se tornou público, para devolver o valor dos abastecimentos efetuados no carro particular dele.
“O total foi de aproximadamente R$ 700. Foi feita a correção, de acordo com tabela do Tribunal de Contas, e ele devolveu, via depósito bancário do Banco do Brasil, R$ 751 e alguns centavos”, revelou José Cezário Beraldo Júnior.

OUTRAS DENÚNCIAS
Em meio aos depoimentos, outras situações foram apontadas pelas testemunhas como possíveis irregularidades cometidas pelo vereador. Juliana Gião, por exemplo, afirmou que Betti chegou a viajar sem autorização. “Ele era autorizado a viajar em um dia e algumas vezes chegou a pegar o carro, que ficava na prefeitura, nos dias seguintes, sem autorização”, alegou.
Pontos como falta de controle na marcação das quilometragens de saída e chegada também foram comentados. De acordo com as testemunhas, Betti era a única pessoa que utilizava o carro e não anotava a quilometragem no momento em que pegava o veículo e quando chegava de viagem. Pelo regimento interno da Casa, assim como foi apontado durante as oitivas, ele não precisava comprovar as viagens e a rodagem inicial e final do carro, apenas necessitava da autorização para utilizar o automóvel.

DEFESA VÊ PRIMEIRA AUDIÊNCIA COMO POSITIVA PARA VEREADOR

Após a realização das oitivas, na noite da última terça-feira (8), O MUNICIPIO conversou com a advogada de defesa de Fernando Betti (PDT), Carolina Teixeira Ferreira. De acordo com ela, a audiência foi positiva para seu cliente. Ela diz acreditar que “ficou muita coisa esclarecida”.
“A servidora que fez a planilha [Juliana Gião] confirmou que havia um rascunho que ela fazia e nesse rascunho há bastante divergência com a outra planilha. Aí mostra que há um erro formal de anotação em relação ao número das quilometragens. Acredito que foi muito importante para o Fernando a oitiva dessas testemunhas, porque mostra que o relatório não era confeccionado de uma maneira pontual, porque não se era verificado no momento que ele saia e chegava com o carro”, comentou.
A advogada pontuou, ainda, que a marcação de quilometragem não era uma obrigação a ser realizada pelo vereador, mas sim pela administração da Câmara. “A alegação é que o Fernando não trazia a quilometragem que ele saia e a que ele chegava, mas isso não era obrigação dele. Essa questão deveria ser verificada pelo administrativo da Casa”, afirmou.
Na próxima quarta-feira (16), a partir das 13h30, novas testemunhas serão ouvidas. Contando com Fernando Betti, sete pessoas irão depor.
Além das três oitivas já previstas para serem ouvidas, serão convocados a prestar depoimento o presidente da Câmara, Gérson Araújo (MDB), o estagiário que ajudava na marcação da planilha de quilometragem de viagens e o proprietário do posto que o Legislativo possuía convênio.
Carolina destaca que essas novas oitivas serão importantes para o desfecho do caso.
“Serão ouvidas as testemunhas que podem comprovar o que aconteceu realmente no ano de 2017 na questão do preenchimento da planilha pelo estagiário, o funcionário do posto para ele esclarecer como eram feitos os abastecimentos e também o presidente da Câmara, porque todas as viagens foram pagas por ele. Então, ele será ouvido para ver se havia alguma irregularidade nas viagens que eram aprovadas por ele”, finalizou.
Fernando Betti será o último a ser ouvido e dará a versão dele sobre as viagens, o desenvolvimento da planilha de quilometragem e os abastecimentos realizados no veículo oficial e no automóvel particular dele. (F.J)

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