ACE prevê vendas estáveis para o Dia das Mães em 2018

Apesar da queda da inflação e a pouco menos de um mês para o Dia das Mães, a expectativa é que as vendas em São João da Boa Vista (SP) permaneçam estáveis ou apresentem uma leve retração em relação ao mesmo período de 2017. Esta é a previsão da ACE (Associação Comercial e Empresarial) para uma das datas mais importantes para o comércio varejista.

Segundo a entidade, os fatores-chave que indicam o cenário de contração no consumo para a data são a perda do poder de compra do salário mínimo, a crise econômica e a alta inadimplência.

De acordo com a ACE, São João tem 9.440 inscritos no SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito), o que corresponde a 10,48% da população de 90.089 habitantes – estimativa de 2017 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O percentual apresenta uma dívida total de R$ 15.793.375,28, sendo aproximadamente 26 mil dividas ativas locais e registradas por empresas da cidade.

A associação indica ainda que, em se tratando do fator salário mínimo – este ano em R$ 954 -, o valor não recompõe o poder de compra do brasileiro, conforme já mostrou o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). “O aumento de 1,81% em relação ao valor que vigorava no ano passado ficou abaixo da inflação de 2,07%, medida pelo INPC (Índice de Preços Consumidor), apontou.

E, nesse cenário, o elemento pode representar retração das vendas no Dia das Mães. E ele vem acompanhado de outro vilão: alimentos. Segundo dados do IBGE, os alimentos pesam 25% no orçamento das famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos.

“E eles são, em muitos casos, responsáveis pela maior parte dos gastos dessa população, às vezes quase a totalidade da renda. E em São João, segundo projeção o IBGE, 27,8% da população (25.048 habitantes) tem rendimento nominal mensal per capita de até 1/2 salário mínimo. Ai o resultado é simples: sem dinheiro, a população não consome”, considerou.

Pensando nessa fatia com poder de compra encolhido e inadimplente, varejistas esperam, ao menos, manter as vendas de 2017. “Esperamos manter o mesmo patamar dos 3% do ano passado, não deixando cair o movimento. Não temos expectativa nenhuma, porque mais do que isso está impossível”, afirmou a comerciante Elizandra Silva Sacardo Scanapieco, proprietária de uma loja de calçados na avenida Dona Gertrudes.

Atenta aos reflexos da crise econômica no país, a cabeleireira Rosana Rodrigues, 29, já sabe até o valor que vai gastar com o presente do Dia das Mães. “Estipulei um valor de até R$ 150. Já tenho em mente que tenho esse dinheiro para gastar, para presentear e, então, estou atrás de um valor mais ou menos neste preço”, apontou.

INFLAÇÃO

Em março, a inflação aumentou 0,09% contra 0,32% no mês anterior. E, segundo a ACE (Associação Comercial e Empresarial), a desaceleração no período foi estimulada pela queda de consumo. No acumulado de 12 meses, ficou 2,68% abaixo dos 2,84% registrados em igual período de fevereiro.

DESEMPREGO

Números do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho, indicam que o desemprego em São João se mantém estável. Em 1º de janeiro de 2018, a cidade possuía 22.969 empregos com carteira assinada, em 6.618 empresas.

Os dados mostram, ainda, que, entre janeiro e fevereiro, houve 1.505 admissões e 1.256 demissões, variação absoluta de 249 postos de trabalho.

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