Igreja aborda ‘violência’ na Campanha da Fraternidade

A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) traz como tema da Campanha da Fraternidade 2018 “Fraternidade e Superação da Violência”.

Lançada oficialmente na Quarta-Feira de Cinzas, a Campanha da Fraternidade (CF) é refletida, mais intensamente, durante o período quaresmal.
E secretário executivo da Campanha da Fraternidade na CNBB é um sacerdote vargengranse: padre Luis Fernando da Silva.

O religioso, que pertence à Diocese de São João da Boa Vista, atua na sede da CNBB, em Brasília, desde janeiro de 2017, onde é o Diretor Editorial das Edições CNBB, secretário executivo da Campanha da Fraternidade, secretário executivo da Campanha da Evangelização e Membro do Fundo Nacional de Solidariedade.

Padre Luis Fernando conversou com O MUNICIPIO esta semana e revelou que a CNBB escolheu esse tema para a CF, entre outros fatores, devido ao aumento dos índices de violência no Brasil. “Somos 3% da população mundial e correspondemos por 13% da taxa de homicídios”, aponta o sacerdote.

E o padre cita diversas outras causas e reflexões que levaram a escolha da violência como tema central da CF. Uma delas é a ineficiência do Poder Público. Ele lembra que ao longo da década de 1990, por exemplo, cresceu significativamente o acesso a equipamentos e serviços privados de proteção, entre outras razões, pelo fracasso ou insuficiência do Estado no enfrentamento e no controle da criminalidade. E o resultado dessa aparente proteção é o isolamento. “Mantem-se à distância não só o potencial inimigo, mas também o amigo”, diz Luis Fernando.

Contudo, o religioso faz questão de ressaltar que não é apenas da violência física e violenta que a Campanha da Fraternidade quer refletir, mas sim de uma violência determinada por múltiplos fatores, dificilmente reduzida a uma causalidade única. “Não se pode ignorar a influência do contexto socioeconômico na geração da violência. Temos a violência cultural que está estreitamente ligada às construções simbólicas que, coletivamente, grupos sociais adotam como explicações válidas sobre a realidade em que vivem e opera de diferentes maneiras: naturaliza as desigualdades, inverte relações de causa e efeito, reduz ao silêncio as contradições da sociedade”, detalha.

E ainda aponta que é preciso considerar que a discussão sobre a violência ocorre sob a herança com a qual o país convive depois de décadas da ditadura. “As ações de segurança praticadas pelos órgãos por ela responsáveis ainda trazem a marca do autoritarismo daquele período. O modelo de segurança pública que se conheceu, principalmente nas duas últimas décadas do século passado, pautado na resposta à criminalidade com o uso da força e o descaso pela lei e pelo direito, não atende às necessidades e exigências deste novo século. Na verdade, essa forma de reação à violência já era ineficaz e abusiva mesmo naquela época. De fato, a criminalidade e a violência não diminuíram, ao contrário, recrudesceram”, denuncia.

Luis Fernando acredita que um dos maiores desafios contemporâneos no campo da segurança pública está em garantir que as políticas públicas implementadas tenham em vista o “aumento da solidariedade entre as pessoas, ao invés de enclausurá-las, criando-se empecilhos ou mesmo impedindo relações interpessoais humanizadas”, sugere.
E finaliza ressaltando que não se resolve a questão da segurança sem ações claras e determinadas no campo da educação, da saúde, do esporte, da assistência social e da cultura, entre outros possíveis setores que possam tornar mais pleno o exercício da cidadania.

A CAMPANHA
A Campanha da Fraternidade, conta Luis Fernando, nasceu como um apelo de conversão comunitária e social, para ser vivido no tempo quaresmal, tempo propício para essa realidade.

No entanto, explica que hoje a reflexão da Campanha da Fraternidade ultrapassa o tempo da Quaresma. “Em muitos lugares do Brasil a Campanha é trabalhada durante todo o ano. Em alguns lugares a reflexão de alguns temas dura muito mais que um ano. Por exemplo, outro dia me encontrei com um grupo que se reúne todos os meses para discutir a Campanha de 2004. Com isso vamos percebendo que o papel da CNBB é muito mais o de lançar a semente, esta vai florescendo e dando frutos de acordo com cada realidade”.

LUIS FERNANDO DA SILVA FOI ORDENADO PADRE EM 2015, EM VARGEM

Padre Luis Fernando da Silva nasceu em Vargem Grande do Sul e pertence à Diocese de São João da Boa Vista, cidade em que morou três anos (2008 a 2010) para cursar Filosofia no Seminário Coração de Maria.
Fez Teologia na Pontifícia Universidade Católica de Campinas e foi ordenado padre em 2015, em Vargem Grande do Sul, cidade em que atuou por um ano na Paróquia Santana.
Em janeiro de 2017, é transferido para Brasília, onde reside atualmente a serviço da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Na CNBB é o Diretor Editorial das Edições CNBB, secretário executivo da Campanha da Fraternidade, secretário executivo da Campanha da Evangelização e Membro do Fundo Nacional de Solidariedade.
Participa, ainda, de dois grupos de trabalho: Grupo de Editores de subsídios litúrgicos do Brasil ligado à Comissão Pastoral de Episcopal de liturgia do Brasil e Grupo de Editores católicos ligado à Associação Nacional de Escolas Católicas do Brasil.

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