As notícias abaixo são referentes a edição nº 8504 do dia 4/4/2009  
 
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Jornal O Municipio

Revolto-me contra minha enxaqueca:
- Por que você vem-me atrapalhar? Não vê que estou lendo Manuel Bandeira e ele fala da doce poesia de Hafiz, o poeta persa, dos seus gazais? ...
- Estivesse eu num bar, entre bêbados, num prostíbulo, entre mundanas, vá lá, mas estou-me embevecendo com Bandeira, o mais culto dos poetas brasileiros! . . .
- Ora, deixe-me em paz! ...
A enxaqueca deu-me o troco: passei dois dias com um peso na cabeça, zumbido nos ouvidos e com o estômago levemente enjoado. Os transtornos na visão (Tio Felinho os chama de "cegueira") voltaram várias vezes.
Ah! Minha antiga enxaqueca! Da próxima vez pretendo recebê-la com mais consideração. . .
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Ele se assentou, tirou o boné, pôs os óculos (para perto), assoou-se e ficou pensando na vida. Lembrou-se dele, menino de treze anos, que, na aula de geografia, no Ginásio Estadual de Tambaú, perguntou ao prof. Oswaldo Francelin, sem mais aquelas:
- Professor, onde fica o fim do universo?
- O fim até que pode ser admitido, ponderou o mestre, vagamente.
- Mas, e depois do fim, o que é que tem?! Retrucou o insistente rapazelho.
Não houve resposta.
Algum tempo depois, o professor suicidou-se, sem deixar nenhuma explicação para o ato extremo. Houve comentários velados de que se tratara de uma questão de família...
O menino guardou, para sempre, um certo sentimento de remorso, mas nunca perdeu a mania de fazer perguntas sem respostas...
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Havia os momentos, raros, de desabafo. José dizia coisas fortes, incontroláveis, parecia "chutar o pau da barraca", como diria aquele amigo desbocado.
A mulher o ouvia com indiferença, sem esboçar reação, sabia que era apenas "fogo de palha".
Passado o arroubo, tudo voltava a ser como dantes ("no quartel de Abrantes"), e José continuaria pusilânime, cordato, complacente, incapaz de resolver seus problemas básicos. . .
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Insegurança e medo são vizinhos próximos. Uma sensação febril, uma atitude esquiva, evitando enfrentar o problema "vis-à-vis", uma protelação, um desligamento sobre o fulcro, uma covardia qualquer. A leitura do conto "Um anjo apareceu a Marilu", de Orígenes Lessa, me fez mal (ou bem?!. . .).
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A civilização inca sempre me fascinou, sua música, seus trajes, sua organização. Alguns dados: Cuzco, a capital imperial, foi conquistada por Francisco Pizarro, em 1534, para Carlos V, da Espanha. Em 1650, grande parte da cidade foi destruída por um terremoto.
Machu Picchu foi onde os incas se refugiaram depois da chegada dos conquistadores espanhóis, sempre oportunistas (até hoje!). A cidade foi abandonada no século XVI, depois do assassínio do seu último soberano (o primeiro foi Manco Capac). "Machu Picchu parece um anfiteatro, com um cenário digno do último ato da tragédia de uma raça" (Érico Veríssimo - "Solo de Clarineta" - 1º volume).
Prometo escrever matéria mais longa sobre o assunto.
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As últimas palavras murmuradas por Gandhi, ao ser assassinado por um extremista hindu (omito-lhe o nome), em 30 de janeiro de 1948, em meio à sua monumental caminhada pacifista: "RAM RE RAM!" que significam: "DEUS, Ó DEUS!"

Antonio "Nino" Barbin
Cadeira nº 27
Patrono Érico Veríssimo