Dificilmente você vai encontrar alguém que não conheça Jade Barbosa.
Antes de escrever, perguntei prá três pessoas que não são ligadas ao esporte, e todas responderam que sabiam de quem se tratava. "É a da ginástica?" "Da Olimpíada?"... Enfim, as pessoas conhecem Jade Barbosa pelo que ela já fez pelo esporte Olímpico Brasileiro.
E não é nenhum favor dizer que nossa ginástica rítmica só é reconhecida nos dias de hoje, também por responsabilidade de Jade Barbosa.
Talvez ela não tenha a mesma importância de Daniele Hipólito (a pioneira) e Daiane dos Santos, mas é indiscutível que ajudou a equipe brasileira de ginástica rítmica sair do anonimato e ser reconhecida ao menos como uma equipe de competição.
Pois bem, assisti há uns dez dias, uma entrevista com o pai de Jade Barbosa, onde o mesmo pede ajuda para que a atleta seja operada. Sim, e todos sabem, Jade precisa se recuperar de uma lesão (agravada nos tempos em que serviu a seleção) e não tem recursos financeiros para isso.
Lamentavelmente os órgãos esportivos brasileiros, que se beneficiaram bastante dos resultados da atleta, parece que se calam em relação à isso, muito por conta de Jade ter rompido com um doloroso silêncio quando se opôs a determinadas posturas da Confederação Brasileira que, representada pelo seu técnico, exigia entre outras coisas que as atletas competissem mesmo machucadas (o que, acredito, deva ter contribuído para agravar o problema da atleta).
Jade Barbosa, segundo seu site (www.jadebarbosa. com.br) conseguiu dois segundos lugares na Copa do Mundo da Alemanha (salto e solo) e um 4º lugar (trave). No campeonato Mundial tem um sétimo lugar na trave, 5º no salto e 3º no individual geral. Isso sem contar duas medalhas de ouro e uma de prata no Panamericano do Rio de Janeiro.
Mas na hora que precisa se curar de uma lesão, que adquiriu competindo, tem que vergonhosamente (prá nós brasileiros, e nunca para ela), passar o chapéu vendendo camisetas para arrecadar fundos.
É triste para ela diretamente, mas muito mais triste para o esporte brasileiro que sediou um panamericano, quer sediar uma olimpíada e vai sediar uma Copa do Mundo, saber que é desta forma que seus atletas são tratados.
Lamentavelmente, nossas autoridades esportivas parecem não admitir contestação, e o futuro daqueles que se rebelam é serem relagados ao ostracismo moral e financeiro. Uma pena.
João Fernando Palomo é sanjoanense, advogado da Assessoria Jurídica da Prefeitura e professor do UniFEOB